Archive for the ‘SOCIEDADE’ Category

OS VAMPIROS



Falar no que aconteceu no Haiti é um exercício de vacuidade patética. Toda a gente sabe o que aconteceu, toda a gente sabe o que aquele católico povo sofre.

O Haiti não precisa de palavras, não precisa de orações. Precisa de ajuda. Muita. Quanta mais melhor, e nunca será suficiente.
Felizmente, a onda solidária não é uma miragem. Inúmeras organizações aceitam toda a espécie de donativos, dinheiro incluído. Várias entidades criaram números telefónicos especiais. Fazendo uma chamada, e nós podemos fazer as chamadas que quisermos, os 60 cêntimos revertem direitinhos para ajudar o sacrificado povo haitiano.
Os vampiros, ou antes, os abutres, porém, não perdem a sua oportunidade. Alimentando-se das desgraças alheias, enchendo o bandulho à custa da morte, vão buscar 12% de IVA a essas chamadas, exibindo um obsceno desprezo pelo martirizado povo. E por quem é solidário.
Ou seja, cobram tanto por um telefonema beneficente como por um telefonema a contratar uma acompanhante de luxo.
Para o Estado, essa figura sinistra que nunca ninguém viu, é a mesma coisa.
Não resisto a transcrever um pedaço desse belo poema do saudoso Zeca Afonso:
No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

"FAÇAM ALGUMA COISA PELO HAITI"

Quando, hoje, deparei com esta capa de “O Primeiro de Janeiro” não pude deixar de ficar perplexo. De repente, e por momentos, longos, diga-se de passagem, fiquei convencido de que estava a ler o “Ecclesia” ou outro pasquim religioso. Mas não. O respeitável e centenário “O Primeiro de Janeiro” (PJ) dava à estampa uma mensagem de obscurantismo, de primitivismo e de… hipocrisia.
Quem foi responsável pela página que serve de capa ao PJ pretendia, certamente, que os voluntários da AMI, da Cruz Vermelha e de outras organizações, se lançassem de joelhos a bradar ladainhas, avé-marias e padre-nossos? Ou seria preferível que, como fizeram, lançassem mãos à obra? Diga-me, senhor jornalista, seja o senhor quem for: qual é o resultado prático de uma salvé-rainha? Rezar para quê? Vai ressuscitar os mortos? Vai sarar os feridos? Vai alojar os desalojados? Vai voltar a pôr as casas como estavam? Vai encontrar os desaparecidos? Onde estava o seu deus quando a terra tremeu? vez o senhor, que tem a obrigação de objectividade, constatou algum resultado efectivo de rezas e quejandos? Ou será que o PJ entrou numa deriva proselitista? Espera algum subsídio da ICAR para sobreviver?
Não teria sido preferível pespegar, na primeira página, com numa frase do género “PENSE NO HAITI. FAÇA ALGUMA COISA PELO HAITI”? Acha bem que um jornal com os pergaminhos de “O Primeiro de Janeiro” se dedique a medieval propaganda obscurantista?

"PONTOS CARDEAIS"

Não pude evitar… Roubei, mesmo, ao Diário de Notícias.
Mas valeu a pena.
FERNANDA CÂNCIOpor FERNANDA CÂNCIO

Na noite de 24 de Dezembro, a seguir ao telejornal da RTP1, surgiu no ecrã um dístico: “Mensagem de Natal de sua eminência reverendíssima o cardeal-patriarca de Lisboa.” Seguiu-se um monólogo de 8,38 minutos no qual o dito falou sobre “o direito de ser ateu” como novidade desagradável e saudou os crentes das religiões “de deus único” apelando à sua união: “Juntos havemos de contribuir para que Deus não seja excluído do nosso mundo e da nossa história.”

Ora bem. Tenho a ideia de que estas mensagens existem desde que há TV em Portugal. Ou seja, desde o tempo pré-1976 em que a Constituição não impunha a separação entre Estado e confissões religiosas e em que a Concordata assinada por Salazar equiparava padres a funcionários públicos. Mas nunca tinha reparado mesmo nelas – chama-se a isso aculturação. As caricaturas, porém, despertam-nos da letargia. E há poucas coisas mais caricatas que ver alguém a quem dão mais de oito minutos de prime time de borla (e deve ser baratinho, na noite de Natal) com o envelope de “mensagem à nação” que a lei prevê só para Presidente, primeiro-ministro e presidente do parlamento, a fazer propaganda religiosa enquanto clama “ai Jesus que os ateus me/nos querem calar”.

Vou repetir: na noite de 24 a RTP passou propaganda religiosa com a dignidade de uma comunicação de alta figura do Estado. É legal? Legítimo? Aceitável? Através da direcção de programas, a RTP responde: “Ilegal não é.” “Será discutível”, reconhece, mas sublinha: “É costume – a maioria dos portugueses são católicos, portanto.” Vejamos: a presidente do PSD fez uma mensagem vídeo de Natal. Passou onde? Nos telejornais, como notícia. Se o presidente do Benfica, que tem uns milhões de adeptos, quiser fazer uma mensagem antes de um derby, a RTP deixa? E o líder da comunidade muçulmana, pode “falar ao país”? Pois. E porquê? Porque a lei é clara: a propaganda política é proibida fora do tempo de antena, ao qual (que é proibido aos feriados) podem aceder organizações políticas, associações ambientais, desportivas, etc. – mas nunca religiosas; é exigido o pluralismo religioso na programação.

No entanto, a RTP acha, como o cardeal acha, que não há o menor perigo de alguém um dia dizer “acabou”. Do alto dos privilégios a que o concubinato entre o Estado e a sua organização o (e nos) habituou, o cardeal vitimiza-se para condicionar “o inimigo” e manter a reverência. Altura então de tirar da fama o proveito. Não querendo expulsar deuses de lado algum – como expulsar o que me não existe? – , impedir seja quem for de crer no que lhe aprouver ou, como já vi escrito (o ridículo não conhece limite), “abolir o Natal”, exijo dispensa de que me tentem converter ou insultar através dos meios de comunicação social do Estado. Chega de pagode: quero o país que a Constituição me garante, laico e sem eminências. Esperei 34 anos. Já pode ser?

O NOVO SANTO PORTUGUÊS

Refinadamente retirado do “Diário Ateísta”.

Um artigo de Moisés Espírito Santo no «Jornal de Leiria»:

Falo de Nun’Alvares.

Até há pouco, as mulheres ameaçavam os miúdos com «Olha que eu chamo o Dom Nuno!». Um papão.

Os portugueses só o conhecem porque ele derrotou os espanhóis. Em Aljubarrota foram 36.000, para além dos 7 de que se encarregou a padeira.

Invocou Santa Maria – que só será Mãe dos portugueses e não dos espanhóis – venceu. Esta mitologia merece tanto crédito como as lendas de feiticeiras; o problema é que, repetida hoje, significa estagnação cultural. Ideologia rústica fora do tempo.

O povo vai venerar um santo só porque ele derrotou os espanhóis. (Ficamos à espera que seja canonizado o régulo Gungunhana que se sacrificou pela independência da sua pátria, Moçambique…).

O Dicionário de História de Portugal, de Joel Serrão, lemos isto: «[Nun’Alvares] exigia sempre uma disciplina rigorosa e o exacto cumprimento das suas ordens; se isso não sucedia tornava-se bravo como um leão, chegando a matar os cavalos e a ferir os corpos dos descuidados, se eram pessoas de mais pequena condição».

Entenderam: «se eram pessoas de mais baixa condição».

Cavaco Silva, ao integrar a comissão de honra da canonização, disse que «pode ser um exemplo para os portugueses». Eu diria que exemplos desses já temos de sobra: uma Justiça que condena os pobres e absolve os ricos; os trabalhadores pagam impostos enquanto os políticos e suas famílias acumulam milhões com a corrupção, os banqueiros a apropriarem-se dos dinheiros dos clientes…

Preferia ver o responsável máximo da Nação – que, hoje, é amiga de Espanha – a abster-se desses conluios patriotiqueiros e a apontar os espanhóis como exemplo de civismo, criatividade e empreendedorismo.

Não foi pelas qualidades guerreiras do Condestável que o Vaticano o canonizou. Seria porque, já velho e impotente, se recolheu a um convento onde viveu 8 anos ? (Diz o ditado: «O diabo depois de velho fez-se ermitão»).

Não consta que tivesse dado as suas riquezas aos pobres, como se diz agora. Que se dedicasse a tarefas conventuais, milhões de frades o fizeram.

No entanto, o mesmo historiador que citei diz: «Por baixo do hábito de frade, Nun’ Álvares trazia por vezes vestido o seu arnez de combatente».

Estão a ver? Um belicoso disfarçado de frade.

Foi pelo milagre do salpico de azeite quente que saltou para a vista duma mulher de Ourém e que não a cegou?

Porque foi? E porque só agora? Política vaticana.

A beatificação, em 1918, visou combater as Repúblicas portuguesa e espanhola, liberais. Depois o processo foi p’ra gaveta, por cumplicidade com os fascismos ibéricos.

Agora, como o Condestável foi anti-espanhol, saiu dos arquivos para a actual guerrilha entre a Espanha e o Vaticano (este já não tem mão duma nação que foi a mais católica do Globo).

Primeiro foi a lei sobre o aborto. Depois, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo que levou os bispos espanhóis a saírem à rua em manifestação (coisa nunca vista – para combater uma lei democrática).

Bento XVI até veio a Espanha apoiar os bispos num congresso em favor da «família tradicional».

Hoje há o problema das aulas de Religião e Moral que o governo substituiu por Educação Cívica, e o programa da Memória Histórica sobre a guerra civil a que a Igreja – que foi co-responsável nessa guerra – se opõe («para não abrir feridas», diz ela).

Se isto fosse em países como Inglaterra, Alemanha ou França, laicos ou protestantes de longa data, passons como dizem os franceses.

Vindo de Espanha que foi a católica por excelência, no pasaran como diriam os bispos espanhóis. E passaram.

Então… «Tomem lá com o Condestável português que vos derrotou!» (Sendo eles como são, faz-lhes tanta mossa como mostrar-lhes um espantalho).

Esta canonização é a reprodução da de Santa Joana d’Arc, rapariga francesa que derrotou os ingleses invasores da França, em Orléans (1429); mas foi entregue traiçoeiramente aos ingleses que a condenaram à fogueira por heresia (1431).

Só foi beatificada em 1909 e canonizada em 1920, uma época de fundamentalismo católico… contra a Inglaterra protestante.

E, com este costume medieval de inventar santos e de os pôr a fazer política, é a imagem do Vaticano que fica muito aquém das culturas da modernidade.

COMO ESTAMOS DE DIREITO?

Confesso, desde já, que os meus conhecimentos de direito andam a flutuar entre o nulo e o não percebes patavina. Por isso, não creditem muito no que vou dizer. Mas leiam, já agora…
O nosso ordenamento jurídico proíbe que sejam apresentadas como válidas as provas recolhidas de forma ilegal. Isto é, e por exemplo, se é ordenada uma busca domiciliária, e se os investigadores se enganam na porta e buscam a casa ao lado e encontram quilos de droga, é garantido que o dono do produto só tem um caminho a seguir: é a liberdade, porque a busca não foi autorizada, ou seja, a prova do crime foi obtida ilegalmente, uma vez que a busca para aquela casa não estava autorizada. Estava autorizada para a casa do vizinho. Julgo que a lei não diz, claramente, o que se faz à droga, mas o destino mais lógico é devolvê-la ao legítimo proprietário.
Penso eu de que…
Quando se organiza uma escuta telefónica, a mesma é, no limite mínimo, destinada a uma pessoa. Há um indivíduo suspeito de práticas criminosas, o juiz autoriza a escuta e a mesma é montada. Normalmente, e a menos que o suspeito, além de ser suspeito também seja maluco, quando telefona telefona para alguém – uma vez que parece não ser possível telefonar para si próprio, a menos que tenha dois telefones e se ponha a falar sozinho – o que até nem fará lá muito sentido, embora haja gente para tudo. Ou seja: ou telefona para alguém, ou recebe telefonemas de alguém. Naturalmente, esse alguém também aparece na escuta. É lógico, intuitivo, evidente e racional. Só que a escuta a esse alguém não está autorizada. O que significa que se esse alguém disser, por exemplo, eu recebi dez mil euros para fazer um frete, e isto é mera hipótese, essa declaração não pode ser apresentada como prova em tribunal. Ou pode, mas o tribunal tem o dever de não lhe dar qualquer valor. O que já não acontece se for o suspeito a dizer essa frase.
Mas a lei portuguesa também diz que ao tomar conhecimento de um facto criminoso, as autoridades têm o dever de investigar. Assim, no caso em apreço e que nos está a servir de mero exemplo, a semelhança com a realidade só pode ser mera coincidência, a autoridade que procede à escuta tem o dever de comunicar que o tal alguém afirmou ter recebido dez mil euros para partir daí para uma investigação.
José Sócrates não estava a ser escutado; Armando Vara estava. José Sócrates terá dito, quando conversava ao telefone com o escutado, algo que, no entender do Ministério Público de Aveiro, pode integrar a prática de um crime contra o Estado. Mas o que José Sócrates alegadamente disse, não pode servir como prova, uma vez que o escutado não era ele. Mas pode, e deve, servir de ponto de partida para uma investigação. Daí que todo esse fogo de artifício de que a escuta a Sócrates era ilegal, são papas e bolos para (continuar a) enganar os tolos. Sócrates nem sequer estava a ser escutado, no sentido técnico do termo, ponto final.
Diz-se, por aí, que o Supremo Tribunal de Justiça mandou destruir as escutas. O STJ desmente, ao que parece. Pela parte que me diz respeito, não acredito na teoria da destruição, embora parta do princípio de que Sócrates não tem nada que se lhe aponte, e se querem ter a certeza perguntem-lhe a ele.
Por isso, ou antes, apesar disso, não acredito que o STJ tenha ordenado a destruição das escutas. Embora eu tenha o dever de não me esquecer de que estou em Portugal…

NÃO SE CONVENCEM?

A Constituição da República Portuguesa diz claramente que a Igreja está separada do Estado – por muitos engulhos que isso possa fazer quer ao Sr. Aníbal Cavaco Silva quer ao actual presidente da República. Eu admito que aprendi a ler há muitos anos e que posso estar um bocado esquecido; mas se bem me lembro, isso quer dizer, em português decente e escorreito, “cada macaco no seu galho”.
Ou seja, tipo “não te metas na minha vida, que eu não me meto na tua”.
Mas a Igreja não se convence. E vai daí, toca a meter o bedelho eu tudo o que não lhe diga respeito. Faz-me lembrar aqueles tipos baixinhos que se colocam em bicos de pés, para serem vistos, ou aqueles parolos que, às vezes, aparecem na televisão com os letreiros “mãe, estou aqui”.
Concorde-se ou não, o Governo pretende legalizar, pelo casamento, as uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo. Para quem ainda não percebeu, e parece que a turba sotainada demora a perceber, o Governo quer permitir casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Sim, eu escrevi casamento civil, porque não me passa pela cabeça que o Governo vá exigir casamento religioso. Era absurdo e completamente estúpido. Tão absurdo e tão estúpido como a Igreja querer forçar o referendo às intenções do Governo. Pela simples razão de que a democracia, palavra que os senhores clérigos desconhecem, implica reciprocidade. E não me recordo de o Governo ter querido referendar a canonização do guerreiro Nuno Álvares Pereira, oportuna e escandalosamente transformado em oftalmologista pela ICAR, por ter curado o olho esquerdo da D. Guilhermina de Jesus, que se queimou com um salpico de azeite ao fritar peixe.
Que a Igreja queira proibir os casamentos religiosos entre pessoas do mesmo sexo, é um direito que legitimamente lhe assiste. Tal como como é legítimo o direito de o Governo português pretender legalizar contratualmente (há quem lhe chame casamento) essa mesma união.
Haja decoro, se faz favor.
Foto: Diário de Notícias

A JUDICIÁRIA ESTÁ A TRABALHAR MAL!

Eu sei, e assumo desde já, que o título é polémico; mas estou à vontade para o escrever as vezes que forem precisas: é que eu fui funcionário de investigação criminal na PJ durante trinta e três anos. Por isso, acho-me com legitimidade para afirmar, alto e bom som: a Polícia Judiciária está a trabalhar mal!

No meu tempo (como eu adoro esta frase!), malandro que caísse nas mãos da PJ estava feito: mais tarde ou mais cedo iria malhar com os ossos na cadeia. Mas ia com razão, bastava-lhe, por exemplo, mijar fora do penico. Desde que o facto fosse considerado delituoso, nem que fosse o simples roubar uma galinha, o gajo estava dentro. Por outras palavras: se a PJ ia bater à porta de um indivíduo, era porque esse indivíduo já era meliante.

Hoje, as coisas não são assim, infelizmente: por razões que me escapam completamente, mas a que não deve estar alheia a paz e a ordem que reinam no nosso Portugal, e a necessidade de arranjar trabalho a qualquer preço, que o lay-off não interessa a ninguém, e o desemprego muito menos, a Polícia Judiciária dedica-se a estorvar a vida de inocentes cidadãos. Não só inocentes, mas impolutos, acima de qualquer suspeita. O que se lastima, francamente. E se há quem duvide do que afirmo, por favor passe a ler jornais ou, se quiser ter menos trabalho, veja e ouça a televisão. E é vê-los, em tudo quanto é tempo de antena, a berrar estou inocente. No meu tempo, não diziam isso, sabiam que não adiantava, porque não estavam inocentes. Quando muito, diziam recuso-me a confessar. Eram suficientemente honestos para não virem mandar areia para os olhos do povo, berrando estou inocente. Também há quem diga eu confio na justiça. Porra, essa então é que os meus arguidos nunca diziam! Quem confiava na justiça era eu e os meus colegas, pois sabíamos que os nossos clientes iam levar pela medida grande. Mas os arguidos de hoje confiam na justiça. Eles lá sabem porquê… Aliás eu, se estivesse no ligar deles, ou seja, inocente, também confiava. Outra frase que os injustamente acusados pronunciam frequentemente, é a verdade há-de vir ao de cima. Pois… Ainda bem que assim é, porque os clientes do tempo em que eu trabalhava não queriam que a verdade viesse ao de cima. Estavam tramados.

Figuras de proa da nossa sociedade e, até, governantes e/ou ex-governantes, têm sido a prova provada do mau trabalho da Polícia Judiciária. Foram, ou estão a ser, incomodados pela entidade que deveria ser uma polícia de investigação por excelência. Incomodados injustamente, como eles – e eu assino por baixo – reclamam.

Meus senhores, tenham paciência: quem está a ocupar cargos de responsabilidade, em lugares como ministérios, conselhos administrativos, enfim, lugares em que o Estado, directa ou indirectamente, interfere, são pessoas acima de qualquer suspeita. Já nascem assim, e assim serão para todo o sempre, não cedendo a pressões, cunhas, compadrios, negócios escuros, luvas, ou a qualquer outro tipo de manifestações de corrupção. São incorruptas e incorruptíveis.

Já ofereci os meus préstimos para que a PJ voltasse aos tempos áureos de prender ou incomodar culpados, criminosos a sério, e que as palavras presumível , e/ou alegadamente, deixassem de existir. Não aceitaram. Aliás, nem me deram cavaco. E cá vou eu, vegetando nesta apagada e vil aposentação. E, o que é mais grave, com o passar do tempo comecei a tornar-me mentiroso.