Archive for the ‘SEGURANÇA’ Category

OS GENÁRIOS (II)

De vez em quando, acontece. São coisas que acontecem. É a vida, como diria o saudoso e nunca por demais chorado António Guterres. De vez em quando, um genário é apanhado a conduzir um carro em contra-mão na auto-estrada. Nessas alturas, a comunicação social, sempre atenta, muitas vezes veneradora e quase sempre obrigada, dá voz aos intelectuais da urbe: que são genários, que deviam fazer exame de condução de cinco em cinco minutos, que é preciso ter cuidado com os velhotes porque os seus reflexos não são iguais aos de um jovem de vinte ou trinta anos, que deviam conduzir só depois de terem feito medição à tensão arterial… E eu, sexagenário, comovo-me e mal consigo disfarçar uma lágrima ao canto do olho. “Eles” gostam mesmo de nós, os velhotes…
Entretanto, salta-me a vista, depois de enxuta a lágrima traiçoeira, uma notícia no “Jornal de Notícias”: Estradas Já Mataram Mais de Uma Centena de Jovens“. E a notícia vai por aí fora, e eu fico pensando que, se calhar, não é a estrada que mata as pessoas, são elas que se suicidam. O que já é grave, mas o problema é de cada um. O pior é quando suicidam os outros. E pergunto: se a notícia dá conta de que essa centena engloba jovens entre os 15 e os 29 anos, o que andam a fazer os velhotes? Deixaram de conduzir? Ou estão a renovar a carta de condução, com rigorosos exames psicotécnicos?

DISTRAÍDO?



Por onde andava Deus, quando isto – a derrocada, entenda-se – aconteceu? Distraído? Ou será que a idade já não ajuda? Ou quer provar que, afinal, e como já se desconfiava, não existe?

GOOGLE "AJUDA" TERRORISTAS

Referido no “Peopleware“.

É uma informação avançada por várias agências noticiosas. Durante o rescaldo do ataque a vários alvos turísticos ao sul da cidade de Bombaim, foram descobertos vários mapas com esquemas de ataques planeados e riscados meticulosamente utilizando o Google Earth.

window.google_render_ad();


Várias informações vão sendo avançadas após os interrogatórios ao terrorista capturado e após as muitas investigações feitas no terreno. Sabe-se por exemplo que os terroristas utilizaram tecnologia de posicionamento global (GPS) com indicações precisas obtidas com auxilio do Google Earth, onde colocaram pontos de ataque à cidade de Bombaim.

Além das acusações à passividade das autoridades do Paquistão, onde de certa forma permitem que o seu território de Caxemira seja utilizado para “formar” e preparar grupos terroristas, as autoridades indianas viram-se também para a exposição que o Google Earth permite aos seus locais sensíveis de defesa.

Não é novo este método e nem é novo este coro de protestos, já anteriormente várias nações se queixaram da exposição que os seus territórios têm, com um vasto leque de informações pormenorizadas aos olhos desta tecnologia.

O facto dos alvos serem turísticos, logo expostos em muitas brochuras informativas não retira toda a estratégia militarmente montada por este grupo de terroristas, que tinham um planos de ataque assente em vários pontos meticulosamente estudados e armadilhados.

Comentário:

Na verdade, a tecnologia sempre existiu. Pelo menos, desde que o Homem descobriu que lascando pedra podia criar armas e utensílios. E desde sempre esse mesmo Homem (homo homini lupus – o homem é o lobo do homem) utilizou essa tecnologia para o mal. O mal está intrinsecamente ligado ao homem que, além de animal religioso é, também (se calhar por isso mesmo), um animal guerreiro.
Não quero, de forma alguma, denegrir a actualidade da notícia; ela serve, pelo menos, para despertar consciências. E quando Einstein disse que a 4ª Guerra mundial ia ser com paus e pedras estava, apenas, a falar na tecnologia que o Homem será obrigado a usar, porque as outras já se terão ido.
Mas mesmo os paus e pedras são tecnologia. Se já o foram, por que não voltarão a ser?

"O PORTO É CURTIDO"

Nós temos o hábito de dizer coisas do género “o Porto é curtido”, ou “o Porto é especial” quendo, na verdade, o Porto não passa de uma cidade. Uma cidade de província, normalmente gerida por provincianos. Por isso nunca passará de uma cidade de província.

Vem isto a propósito de uma
 “originalidade” que, quando a mim, se destina a tirar a nossa cidade do marasmo contemplativo e do
 quotidiano medíocre. Inovadores, estes gestores!!! 
Em plena Rua da Alegria, junto ao cruzamento com a Rua Prof.  Correia de Araújo, existe uma passadeira para peões. Facto normalíssimo, como é de compreender. De um lado, a passadeira começa no passeio – e isto nem merecia estas linhas. Não merecia, mas merece porque do outro lado da rua, a passadeira vai desembocar… metade, numa zona ajardinada; e a outra metade, num parque de estacionamento!
Tá bem, já sei que não acreditam. Mas olhem que ainda ontem a passadeira estava no local., como eu descrevo. 
E as fotografias não mentem. Não são montagem, não senhor.  E o parque de estacionamento não é “selvagem”; é um parque devidamente construído, com estacionamento autorizado.

Por onde passarão os carrinhos de bebé e as cadeiras-de-rodas?
Valha-me a pilinha do menino-Jesus, que é benta!!!


SEGURANÇA AERO-PORTUÁRIA


Notícias vindas a lume em vários meios de comunicação, dão-nos conta de que a União Europeia pretende aplicar um scanner aos passageiros do aviões em vez de, como até agora, se limitar a passar o detector de metais.

Bom. Contra isso, nada. Estou completamente convicto de que ninguém perderá um milésimo de segundo a olhar para as minhas pendurezas. Mas acho que se vai gastar dinheiro estupidamente. Numa época de crise que atravessamos, há que frear as despesas.
Por isso, já enviei um “mail” ao Zé Manel (Durão Barroso para os amigos) a propor 

que essa medida seja substituída por uma sessão de “streap-tease”, que começaria pouco antes da zona de controlo e terminaria na sala de embarque. Como temos de estar quase duas horas antes do embarque, dá tempo e mais que tempo para a gente se despir e voltar a vestir. 
Estou convicto de que aumentaria significativamente a frequência de passageiros, com inegáveis benefícios para as transportadoras aéreas. Além disso, muita gente iria perder o
 medo de voar. Ou antes, iria esquecer-se de que tem medo.
A não ser… a não ser que calhasse uma daquelas excursões geriátricas…

DAS ESTATÍSTICAS

Alguém disse – e eu assino por baixo – que a estatística é a arte de mentir com precisão. Eu vou um bocadinho mais longe: a estatística é a arte de mentir dizendo a verdade.

Confuso? Paradoxal? Não me parece.
Portugal atravessa algumas crises. Destas, destaco a segurança. Assaltos todos os dias, com armas, enfim, o “far west” à portuguesa. Na Assembleia da República alguns, deputados, pretendendo traduzir a inquietação popular (as eleições aproximam-se…) interpelaram o primeiro-ministro acerca do assunto. Este respondeu que Portugal tem polícias que cheguem. Parece que é verdade: Portugal, segundo uma estatística recentemente vinda a lume, é um dos países europeus com mais polícias por cidadão.
Só que isto faz-me lembrar a estatística do frango, segundo a qual, se eu comer um frango e o leitor não comer nenhum, comemos, estatisticamente, meio frango cada um.
Que me importa que haja muitos polícias, se eles não andam pelas ruas? Se o leitor tiver coragem, dê um passeio, depois das oito da noite, pelas ruas da cidade; depois, diga-me quantos polícias viu.
Que me importa que haja muitos polícias, se eles estão a atender telefonemas, a dobrar ofícios, a lamber envelopes?

CARTA DE UM CRIMINOSO

Esta é a cópia de uma carta que um velho “conhecido” (das minhas andanças policiais) fez seguir para o Ministro. Na cópia não se refere qual foi o ministro, nem o “Ourinas” (é esse o ‘username’ do rapaz) mo disse. Deu-me a cópia, pediu anonimato e zarpou, não sem antes me dizer que podia dar o uso que entendesse ao documento. Vou publicá-lo em jeito de copy/paste, o que quer dizer que os erros ortográficos NÃO são da minha responsabilidade.

Ecelentíssimo Senhor Menistro:

Num sei se salembra de mim. Mas eu sou um gajo famoso, que até apareci num livro chamado “O Retrato de Judite“. Eu tenho uma historia de crime munto grande, e estava a comprir pena. Inda me faltavam uns anecos pra
sair, e parece que ouve uma alteraçom ao código penal, ou lá o que é, e os guardilhas puserame na rua. Os gêpês, num sei se está a ver. Quando o juiz acabou de ler a sentença eu até estava a dormir. Adormeci quando ele ainda ia no 52º crime, e só acordei quando os gêpês me levaram para a ramona. E então eu estava feliz da vida na cana, quer dizer na prisa, quando me puzeram na rua. E isso é um problema para mim, porque queria voltar ao crime e num posso. E num posso por causa da concorrencia, que é muita porque muitos gajos foram, quer dizer, vieram para a rua como eu. E anda toda a gente a gamar e a fazer carros e bancos e cardenhos, quer dizer, casas, e eu, népias.
Senhor ministro, isto anda mau até para um honesto gatuno como eu. Veija lá que ainda á dias roubaram cento e trinta bicos, quer dizer, euros de uma bomba de gazoza!  Quer dizer, nem a gamar um gajo se governa. Eu já tentei uns assaltos, mas haviam sempre gajos que tinham chegado antes de mim. Se isto continua, sr. menistro, o crime ainda acaba por acabar. E se acabar o crime, quem vai dar trabalho aos polícias, e aos juizes, e aos gêpês e a essa gente toda? Sim, como é que vai ser? E o sr menistro lá terá que arranjar emprego.
Senhor menistro, faça alguma coisa a bem da criminalidade. Olhe que anda muita gente a roubar, e acaba por não chegar para todos.  Depois, quando já não houver nada para roubar, como é que vamos fazer, com este desemprego? 
Acho que o melhor é voltar a pôr uns gajos na prisa, para eliminar o ecesso de concorrencia.
Pode comessar pelos colarinhos brancos, que eu num me importo. Até podem ser autarcas e tudo.
Um seu criado,
Ourinas.