Archive for the ‘LAICISMO’ Category

PAGAMOS?

Eu ainda não percebi por que carga de água, benta ou da outra, vou ter de contribuir, sem que nada me tenha sido perguntado, para a construção de um altar. Já me bastou ter contribuído para a construção de estádios de futebol agora às moscas.Quando é que os nossos autarcas, e outras espécies de governantes, conseguem chegar à conclusão de que o dinheiro do povo não é para gastar em folclores religiosos, que só servem para apunhalar a Constituição? Quando é que o Estado se separa, definitivamente, das confissões religiosas? E não venham, por favor, com o chavão de que se trata de um chefe de estado; os chefes de estado vão a recepções, fazem discursos, promovem acordos bilaterais, mas não celebram missas. Se eu quiser uma missa (lagarto, lagarto…) pago-a; não meto a conta ao Estado.

Por outro lado, a Igreja devia ter vergonha; mas duvido que saiba o que é isso. Com os cofres a abarrotar, basta ver os milhões que caem em Fátima, ainda tem a lata de pedir à Câmara o pagamento da construção de um altar… A isto, eu chamo de parasitismo, porque não me lembro de palavrão pior. Mas parasitismo é, afinal, a verdadeira vocação das religiões em geral, e da ICAR em particular.

Anúncios

"PONTOS CARDEAIS"

Não pude evitar… Roubei, mesmo, ao Diário de Notícias.
Mas valeu a pena.
FERNANDA CÂNCIOpor FERNANDA CÂNCIO

Na noite de 24 de Dezembro, a seguir ao telejornal da RTP1, surgiu no ecrã um dístico: “Mensagem de Natal de sua eminência reverendíssima o cardeal-patriarca de Lisboa.” Seguiu-se um monólogo de 8,38 minutos no qual o dito falou sobre “o direito de ser ateu” como novidade desagradável e saudou os crentes das religiões “de deus único” apelando à sua união: “Juntos havemos de contribuir para que Deus não seja excluído do nosso mundo e da nossa história.”

Ora bem. Tenho a ideia de que estas mensagens existem desde que há TV em Portugal. Ou seja, desde o tempo pré-1976 em que a Constituição não impunha a separação entre Estado e confissões religiosas e em que a Concordata assinada por Salazar equiparava padres a funcionários públicos. Mas nunca tinha reparado mesmo nelas – chama-se a isso aculturação. As caricaturas, porém, despertam-nos da letargia. E há poucas coisas mais caricatas que ver alguém a quem dão mais de oito minutos de prime time de borla (e deve ser baratinho, na noite de Natal) com o envelope de “mensagem à nação” que a lei prevê só para Presidente, primeiro-ministro e presidente do parlamento, a fazer propaganda religiosa enquanto clama “ai Jesus que os ateus me/nos querem calar”.

Vou repetir: na noite de 24 a RTP passou propaganda religiosa com a dignidade de uma comunicação de alta figura do Estado. É legal? Legítimo? Aceitável? Através da direcção de programas, a RTP responde: “Ilegal não é.” “Será discutível”, reconhece, mas sublinha: “É costume – a maioria dos portugueses são católicos, portanto.” Vejamos: a presidente do PSD fez uma mensagem vídeo de Natal. Passou onde? Nos telejornais, como notícia. Se o presidente do Benfica, que tem uns milhões de adeptos, quiser fazer uma mensagem antes de um derby, a RTP deixa? E o líder da comunidade muçulmana, pode “falar ao país”? Pois. E porquê? Porque a lei é clara: a propaganda política é proibida fora do tempo de antena, ao qual (que é proibido aos feriados) podem aceder organizações políticas, associações ambientais, desportivas, etc. – mas nunca religiosas; é exigido o pluralismo religioso na programação.

No entanto, a RTP acha, como o cardeal acha, que não há o menor perigo de alguém um dia dizer “acabou”. Do alto dos privilégios a que o concubinato entre o Estado e a sua organização o (e nos) habituou, o cardeal vitimiza-se para condicionar “o inimigo” e manter a reverência. Altura então de tirar da fama o proveito. Não querendo expulsar deuses de lado algum – como expulsar o que me não existe? – , impedir seja quem for de crer no que lhe aprouver ou, como já vi escrito (o ridículo não conhece limite), “abolir o Natal”, exijo dispensa de que me tentem converter ou insultar através dos meios de comunicação social do Estado. Chega de pagode: quero o país que a Constituição me garante, laico e sem eminências. Esperei 34 anos. Já pode ser?

CAVACO SILVA E O NUNO

Cavaco Silva vai integrar Comissão de Honra para canonização de Nuno Álvares Pereira

Que a padralhada queira canonizar seja quem for, que queiram armar um espectáculo medíocre e pífio, é lá com eles; que o cidadão Aníbal Cavaco Silva queira alinhar nessa palhaçada, é lá com ele; que o presidente de uma república constitucionalmente laica queira alinhar em espectáculos obscurantistas, promovidos por ua entidade que, nos termos da Constituição, está separada do poder político, é um insulto à Constituição da República Portuguesa e um inqualificável regresso ao 24 de Abril.

"A CURA PELO CURA"

Indecentemente roubado ao “Diário Ateísta”, e da autoria de Ludwig Krippahl.
Deliciem-se com este suculento naco de prosa.

O novo acordo de colaboração entre o Ministério da Saúde e a Igreja Católica, no sentido de regular a assistência religiosa nos hospitais, levanta sérias preocupações a dois níveis. Por um lado, porque se aparenta justificar numa suposta eficácia terapêutica que terá a participação de padres católicos no processo de recobro. Por outro lado porque representa uma intromissão inaceitável do Estado nesta matéria tão pessoal que é a religião.

A Sra. Ministra da saúde Ana Jorge anunciou em Fátima que o acordo com a igreja católica se justificava porque a saúde «não é só o tratamento físico», mas a «espiritualidade entra neste campo global»(1). No entanto, mesmo que o bem estar dos doentes não resulte só da terapia e da medicação, não é verdade que exija uma espiritualidade no sentido de crença religiosa ou dependência do sacerdócio. Muitos doentes encontrarão todo o conforto e consolo nos seus familiares, nos seus amigos e na competência e empenho dos técnicos de saúde que os acompanham. A religião não é uma componente necessária da terapia.

Além disso, a espiritualidade religiosa não é necessariamente o catolicismo. Só se justificaria por razões médicas celebrar este acordo específico com a Igreja Católica se houvesse evidências concretas que esta religião não só é eficaz no recobro dos pacientes como é mais eficaz que as outras religiões que não estão cobertas por este acordo. Não há indícios que assim seja.

Quanto ao direito de acompanhamento religioso este acordo tenta resolver um problema inexistente. O direito de receber apoio espiritual já está garantido nas visitas hospitalares, nas quais o doente pode receber familiares, amigos ou sacerdotes da sua religião sempre que tais visitas não comprometam a sua recuperação. Por isso o que parece estar em causa neste acordo não é o direito à assistência religiosa mas sim quem financiará este encargo, se a Igreja Católica ou se o contribuinte. O que põe em causa outros direitos do doente.

Põe em causa o direito do doente, enquanto doente, que o Ministério da Saúde promova uma utilização eficiente dos recursos de que dispõe. E estes não são tão abundantes que o salário de um capelão não faça falta para equipamento, técnicos de apoio, de enfermagem ou médicos. Põe em causa o direito do doente, enquanto crente, que o Estado não se intrometa na religião nem favoreça umas em detrimento de outras. E põe em causa o direito do doente, enquanto contribuinte, que o seu contributo para o Estado seja usado com justiça para ajudar aqueles que mais precisam em vez de subsidiar a Igreja Católica, uma das organizações mais opulentas de Portugal.

OS PRESÉPIOS PRESIDENCIAIS

Os órgãos de comunicação social têm vindo a dar à estampa a tradicional exposição de presépios da colecção particular da primeira-dama, Maria Cavaco Silva. Parece que é uma tradição, mas eu (confesso) nunca prestei atenção aos locais onde, anualmente, essa exposição tem lugar. Desta vez, porém, fixei: É no Museu da Presidência.

Face à minha notória ignorância, não comento. Mas pergunto:

  • Há só um Museu da Presidência, ou há um museu para cada presidente?
  • Como me parece que a primeira hipótese é a verdadeira: o Museu da Presidência pertence ao presidente em exercício, ou ao Estado?
  • Como me parece que a segunda hipótese é verdadeira: oEstado Português é laico, ou confessional?
  • Como me parece que a primeira hipótese é verdadeira: com que direito uma senhora ocupa um espaço que pertence a um Estado laico, com uma exposição particular que pertence, indubitavelmente, ao mundo confessional?

Claro que posso estar enganado. Mas acho que serei corrigido.

A SONY E ALLAH


Este artigo merece a nossa profunda reflexão. Podemos, por exemplo, perguntar se este mundo não seria melhor sem religiões.

Quando eu digo que não tardará muito que o mundo 
ocidental se torne muçulmano, há quem se ria de mim.
Mas depois de ler este artigo, e outros de igual teor, confesso que não consigo ver onde está a piada…
Defeito meu, certamente. Mas continuo a 
afirmar que não está longe o tempo em que teremos de nos virar para Meca, de cu para o ar, cinco vezes ao dia.
Afinal, a poderosa Sony também tem cu. E como quem tem cu tem medo…

O LAICISMO DO SR. PRESIDENTE

O presidente Cavaco Silva, contrariando a própria Constituição que ele mesmo jurou defender e cumprir, persiste na atitude de praticar turismo religioso à custa do contribuinte. De visita a um dos países mais fanaticamente católicos, o sr. presidente não se coibiu de oferecer uma imagem da senhora de Fátima ao padre que recebeu o pio casal. Presidencial, diz o periódico.

A Constituição da República Portuguesa, no seu artº 41.º, define claramente a separação entre a religião e o Estado; mas o sr. presidente teima em misturar.
Quero, com isto, dizer que o sr. Aníbal Cavaco Silva, enquanto cidadão, tem todo o direito d
e fazer corridas no joelhódromo de Fátima, beijar aneis episcopais, tomar banhos de água-benta (que ele, certamente, consegue distinguir da água normal, como bom católico que é), oferecer bonecos a representar alegadas virgens ao padre da freguesia ou ao padre de Cracóvia (desde que sejam pagas do próprio bolso, e duvido que tenha sido o caso), ir vestido de anjinho nas procissões, etc. São direitos que a Constituição consagra a qualquer

 cidadão. Mas não me parece que o Presidente da República, enquanto tal, tenha esses direitos.
Mas estou aberto ao contraditório…