Archive for the ‘DIVERSOS’ Category

ESTÁ PARA SAIR…

Está para sair o novo livro do jovem e talentoso autor literário José Carlos Moreira, que ameaça tornar-se uma figura incontornável das letras.


Escrito na linguagem irónica e, por vezes, satírica, que lhe granjeou a justa fama cuja inefável aura o envolve, refiro-me ao autor, “Enquanto As Armas Falavam” arrisca-se a tornar-se um best-seller sem precedentes no panorama literário nacional. Pelo que aconselho a reserva antecipada do seu exemplar.
Depois não diga que não avisei.
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A BANDEIRA NACIONAL

Enquanto vou navegando pela “net“, vou lançando um olho à transmissão da corrida de aviões. Neste momento, dois helicópteros da força aérea evolucionam por sobre as águas do Douro, na cidade do Porto. Não há que duvidar e, para confirmar, lá estão, na fuselagem, as cores da Bandeira Nacional: verde, vermelho e… amarelo.
Dei por mim a sentir uma nostalgia imensa e intensa; quando eu era criança, na escola, ensinaram-me que a Bandeira Nacional tinha duas cores: verde, e vermelha. Mas o tempos mudam e, com a evolução, aparecem os bimbos. Os bimbos que pintam a bandeira nacional com três cores devem ser os mesmos bimbos que andam com os faróis das viaturas acesos, em pleno dia e com sol brilhante, ou que apertam as calças não na cinta, mas a meio do cu. Ainda hoje, com o sol a, mais uma vez, fazer fintas ao Instituto de Meteorologia, que prometia céu muito nublado, eis que, à minha frente, circulava um alegre bimbo com… as luzes de nevoeiro acesas. Incluindo a traseira.
Deve pertencer ao grupo que coloca a cor amarela na bandeira.
Nunca consegui compreender por que raio colocam o amarelo na bandeira. Mas devia haver alguém que dissesse, de uma vez por todas, quantas cores tem a Bandeira Nacional. Porque não é de excluir a hipótese de eu estar enganado. Eu e a Wikipédia. E, nesse caso, o bimbo sou eu…

EM TEMPO: Aquilo que se vê onde se juntam as cores verde e vermelha, não é côr da bandeira; é a esfera armilar. Que, por acaso, é amarela. Mas os escudetes são azuis, e ainda ninguém se lembrou de acrescentar o azul às cores da Bandeira. Vá lá, nada de discriminações; ou põem as cores todas, ou pôem só as cores oficiais: verde e vermelha. O amarelo não é cor da bandeira.

DO AUTOR E DA OBRA

Pois é. Quem não comprou o meu mais recente livro “Não Há Crimes Perfeitos?“, não sabe a oportunidade que perdeu. É que depois de ter estado no chamado “Top Ten“, o livro pura e simplesmente desapareceu das bancas. A ingenuidade que me caracteriza leva-me a pensar que a edição esgotou, ou seja, todos os livros foram vendidos, o que significa que, em breve, a revista “Forbes” me vai colocar na lista dos Dez Milhões Mais Ricos de Portugal, o que é bom e eu acho que mereço, passe a imodéstia. Mas a verdade é que o meu cinismo congénito me leva a suspeitar que a obra foi, pura e simplesmente, retirada das prateleiras, graças a um diferendo, não pequeno, que me opõe à Editora. Facto que, é consabido e vem dos tempos em que a PIDE apreendia livros, faz com que a obra aumente de valor. O que me parece lógico, pelo funcionamento da lei da oferta e da procura. Quanto mais rara é uma obra, maior é o seu valor. Ou seja: quem adquiriu o livro arrisca-se a estar, neste momento, ainda mais rico do que eu. O que é difícil, mas nem por isso passa a ser menos verdadeiro. Ou seja, também há-de fazer parte da lista dos Dez Milhões Mais Ricos de Portugal, provavelmente num lugar ainda mais honroso que o meu, quando, e se, a “Forbes” publicar essa lista (garantem-me que está para breve).
Assim, e para que o livro não perca o já inestimável valor, vou deixar que aqueles que o compraram procedam aos respectivos negócios. Mas sejam rápidos. Vendam a obra, mesmo que não seja pela melhor oferta. Porque, por muito baixo que seja o preço acordado, sempre há-de ombrear com os mais raros quadros de Renoir ou, para ser mais modesto, com as primeiras edições de “Os Lusíadas”.
Logo que todos os que compraram o livro procedam à sua venda, por favor avisem-me. Porque eu vou proceder a outra edição da obra e, nessa altura, e necessariamente, o valor dos exemplares até agora comprados baixará.
Entretanto, e para a próxima edição, já estou em contacto com uma editora decente. Claro.

EM TEMPO: se fizer duplo-clique sobre as figuras, verá o seu tamanho, o das figuras, naturalmente, aumentado.

MOMENTO DE LEITURA

Vistoriaram, a seguir, ambas as portas. Ou antes, os interiores das portas já que, exteriormente, nada havia a assinalar: as inevitáveis amolgadelas e os respectivos arranhões. Foi, pois, no interior das portas, na parte que fica voltada para dentro, que os investigadores depositaram a sua atenção. Observando atentamente, «Cartabranca» concluiu:

– Esta porta é do lado direito! Do lado do passageiro… Verifiquem a outra porta.

Verificaram. Não tinha qualquer motivo de interesse.

– Mas o assento tem, Chefe – era «Toninho» que, agora, solicitava a atenção do seu superior.

«Cartabranca» não conseguiu esconder a sua completa confusão:

– Estou completamente confuso!

Voltou-se para Fonseca, que seguia atentamente o desenrolar das operações:

– De onde é este assento?

– Do Fiat, claro!

O Chefe não estava para jogos de palavras:

– Porra, que é do Fiat, sei eu. Mas de que lado? Esquerdo, ou direito?

– Este assento é do lado direito.

– Portanto, está-me a dizer que este assento é do lado do passageiro.

– Exactamente. – Fonseca não tinha quaisquer dúvidas. – Não tenho quaisquer dúvidas.

«Cartabranca», porém, decidiu mostrar-se céptico. Não que não acreditasse no especialista, mas porque não bastava, na investigação, um caramelo qualquer, por muito especialista que fosse, dizer que sim senhor, que é o assento do lado direito. Se assim fosse, muita gente estaria presa inocente, muitos culpados estariam em liberdade, e o número de almas no Purgatório não seria, certamente, aquele que as estatísticas referem. Não senhores! Na investigação quer-se rigor. Objectividade. Para que os culpados sejam presos, os inocentes libertados, e muitas das almas do Purgatório ascendam, finalmente, ao Paraíso Celeste – que o Terreno já deixou de existir há uns anos largos, graças à estupidez do Adão, que foi logo dar ouvidos à primeira gaja que lhe apareceu pela frente. Há homens que não podem ver uma mulher, começam logo a fazer asneiras, palavra de honra! Foi por essas e por outras razões, ou seja, em defesa do rigor e da objectividade, que «Cartabranca» voltou a interpelar Fonseca:

– Sr. Fonseca, explique-me, mas de maneira a que eu compreenda, em que se baseia para garantir que este assento é do lado direito e não do esquerdo.

Com uma paciência só comparável à de Job, Fonseca explicou, pormenorizadamente, que aquele assento só poderia ser do lado direito, porque, por exemplo, as calhas de deslizamento longitudinal eram diferentes, como se podia observar, aliás, por comparação com o outro assento, etc. e tal, e «Cartabranca» mostrou-se, finalmente, convencido. Já não era sem tempo! Encarou «Toninho», que tinha seguido atentamente a conversa:

– Ouviu, não ouviu? Tome declarações ao Sr. Fonseca, de maneira a reproduzir as explicações que foram dadas.

* + * + * + *


– Afinal, confessas! Então, sempre é verdade! Andas com essa ordinária, que nem sequer se lembra que é casada. E julgavas que eu ia deixar a procuração como estava? Para quê? Para gozares o dinheiro com aquela puta?

– Não a insultes!!!

– É puta, pois então! Nem uma vaca consegue ser tão puta como ela!

Bonifácio perdeu completamente as estribeiras. É numa altura destas que alguém, ou algo, talvez a tal divina providência, ou coisa parecida, devia tomar conta dos infelizes humanos, principalmente daqueles que, em situações extremas, são incapazes de meter pé ao travão das atitudes e carregar com toda a força. Eu até admito que Bonifácio tenha tentado meter o pé no travão das atitudes; mas, com a bebedeira, deve ter-se enganado e carregou no acelerador. Completamente fora de si, meteu a mão ao bolso e empunhou o revólver, apontando-o a D. Perpétua:

– Se voltas a insultá-la, mato-te!

Os relâmpagos iam iluminando a cena que, sujeita à alternância de luz e escuridão, tomava um aspecto fantasmagórico. D. Perpétua viu o brilho da arma na mão do marido, mas também ela estava cheia de raiva. E nós sabemos como, em determinadas circunstâncias, a raiva nos tira a percepção do perigo. Suponho que é assim que surgem os heróis: é quando tomam uma atitude sem medir os riscos que ela, a atitude, naturalmente, comporta. Acresce, a isto tudo, que o espaço no interior do carro não era propriamente o de um daqueles carros que nós estamos habituados a ver nos filmes americanos dos anos sessenta e que, actualmente, são parte do folclore cubano. Quer dizer, eu estou habituado, falo por mim. O Fiat Uno é um carro pequeno e, naquelas circunstâncias, o empunhar e apontar a arma obrigava a uma relação de proximidade muito íntima. Por outras palavras, a mão de Bonifácio ficou perigosamente perto da boca de D. Perpétua. Esta, com um raro sentido de oportunidade, ferrou os dentes no punho que se lhe apresentava, dando origem a que duas coisas acontecessem, quase simultaneamente: o arquitecto largou um berro capaz de acordar as rochas adormecidas, e um tiro fez-se ouvir. Como não há duas sem três, uma terceira coisa aconteceu – só que não foi causada por qualquer das personagens: um trovão ribombou violentamente. Sem qualquer prática no manejo de armas, Bonifácio tinha, ignorante e estupidamente, colocado o dedo indicador no gatilho. Reagindo à dentada de D. Perpétua, o dedo contraiu-se e premiu o dispositivo de disparo. A bala saiu e, por um capricho que só a balística conseguirá explicar, ricocheteou várias vezes no interior do carro, sem atingir quem quer que fosse. Finalmente, perdida a sua força inicial, o projéctil foi aninhar-se junto ao umbigo de D. Perpétua, que sentiu como que uma picadela, mais nada. Também se diga de passagem que não teve tempo para tentar saber qual a origem da picadela; completamente fora de si, Bonifácio deixou cair a mão que empunhava a arma uma, e outra, e outra vez, sobre a cabeça da esposa, até que esta deixou de dar sinais de reacção. O sangue começou a correr vertiginosamente da cabeça ferida, manchando o forro da porta do lado onde se encontrava. A cabeça de D. Perpétua tombou para o lado esquerdo, na altura em que Bonifácio punha o carro em movimento. A tempestade tinha passado, tão rapidamente como tinha surgido. O sangue, esse, continuava a pingar, deslizando pela napa que guarnecia a zona lateral do assento, e caindo, gota a gota, sobre o tapete traseiro

D. Perpétua respirava debilmente.


In “Não Há Crimes Perfeitos?” de José Carlos Moreira. Devidamente autorizada a transcrição parcial, por deferência do autor.

"NÃO SEI O QUE ESTE PAPA ANDA POR AÍ A FUMAR…"

Indecentemente copiado do Diário Ateísta, onde está escrito com a caneta implacável de Luís Grave Rodrigues, eis um soberbo naco de prosa:

Foi hoje noticiado que o Papa Bento XVI resolveu arengar aos incautos que o ouviam e recomendar aos participantes da Cimeira do G8 que decorre na cidade italiana de L’Aquila que «tomem decisões e orientações úteis para o verdadeiro progresso de todos os povos, em especial para os mais pobres».

Pelos vistos, aqui temos um líder religioso que vive como um nababo no meio da mais anacrónica opulência e que tem a autêntica lata de vir apelar aos interesses dos pobres.

Aqui temos um autêntico energúmeno, que resolve recomendar aos líderes mundiais «o verdadeiro progresso de todos os povos», quando é ele o primeiro a viver rodeado de ridículas celebrações mitológicas inventadas por pastores primitivos da Idade do Bronze e, do alto do inegável ascendente espiritual que infelizmente ainda tem sobre quase mil milhões de pessoas, recomenda que se discriminem os seres humanos em função das suas razões identitárias.

Como se não bastasse, ainda temos de assistir ao desplante místico deste alucinado tarado sexual vestido de trajes circenses a recomendar que se tomem «decisões e orientações úteis» quando é ele o primeiro a privilegiar os risíveis dogmas religiosos que professa sobre a própria vida humana.

Não sei o que este Papa anda por aí a fumar; mas deve estar estragado com certeza!

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OBVIAMENTE, NADA

Alguma comunicação social dá conta de que, afinal, sempre houve pressões no “processo Casa Pia”.
Recapitulemos: Os investigadores Rosa Mota e Dias André acusaram o dr. Artur Pereira, à data director-nacional adjunto da Polícia Judiciária, de os ter pressionado no sentido de proteger o suspeito Carlos Cruz. Ferido na sua honra e dignidade, o dr. Artur Pereira puxou dos galões e, legitimamente, instaurou um processo disciplinar aos seus dois subordinados. Não sei o que lhes aconteceria se se provasse a difamação – para não lhe chamar outra coisa.
Mas agora, ao fim de quase três anos, o resultado do processo disciplinar é conhecido: os investigadores foram isentos de culpa porque, segundo se apurou, sofreram mesmo pressões do seu superior hierárquico.
Não sei o que aconteceria aos investigadores, repito, mas sei, por experiência própria, que não seria nada de bom; no enttanto, sei o que vai acontecer ao dr. Artur Pereira: nada.
Obviamente.

A JORDÂNIA EM BREVES PINCELADAS (Parte II)


Uma das coisas que aprendi nesta profissão de turista (que é uma profissão ingrata, fiquem a saber), é que se deve descontar cerca de 97,2% àquilo que os guias afirmam.
Por exemplo, logo no primeiro dia de visita à Jordânia, fomos encaminhados para Monte Nebo, em Mádaba (مادبا) onde, segundo nos venderam (nós comprámos) Moisés teria avistado a Terra Prometida, seja isso o que for. Mas nunca teria lá chegado, já que morreu no Monte Nebo. Ora, cabe perguntar: se, a ser verdade, Moisés morreu cerca de 1250 anos antes da Era Comum, o que andam a fazer os arqueólogos, que conseguem encontrar vestígios de dinossáurios extintos há milhões de anos, e não encontram ossadas dos hebreus que, durante quarenta anos (dá direito a três gerações, feitas as contas) vaguearam pelo deserto? Bom, mas deve ser verdade, uma vez que até lá puseram o “bordão de Moisés” (suponho que foi aquele que serviu para abrir o Mar Vermelho). Claro que o guia, com a honestidade que, em geral, caracteriza todos os guias, sempre foi avisando que há mais países que reivindicam a presença e morte de Moisés nas suas terras… O que me leva a concluir que, afinal, todos os guias falam verdade, Moisés é que tinha o poder da ubiquidade.
Apesar de ser um país relativamente novo, com independência declarada em 1946, a Jordânia já aprendeu que o turismo religioso dá muito mais dinheiro que o turismo de lazer. Ou seja, são muçulmanos mas não são parvos. O Monte Nebo está quase transformado em santuário, e em Betânia onde, segundo se assegura, Jesus – por alcunha “O Cristo” – foi baptizado, vai ser equipado com uma unidade para acolher peregrinos. Que, sinceramente, eu não vi. Provavelmente porque não há (ainda) a tal unidade de apoio. Ora, uma pesquisa pela “net” diz-nos que não há a certeza quanto ao local de baptismo; e a confirmar esta incerteza, há uma agência de viagens que promove uma excursão à “terra santa”, com visita a Betânia – local onde jesus foi baptizado. Aliás, o honesto guia já tinha avisado que os israelitas também tinham uma Betânia mas, tal como acontece com as religiões, esta Betânia (à esquerda) é que é a verdadeira. Isto não obstante a Wikipédia informar que Betânia se situa em Israel.
Curiosamente, os muçulmano0s aceitam Jesus, não como filho de Deus mas como um profeta, tal como Maomé. Aliás, eles aceitam todos os profetas bíblicos, o que se compreende, pois o Alcorão mais não é do que uma cópia foleira da Bíblia. Tal como os cristãos, os islâmicos acreditam que Jesus virá, um dia, não para salvar a humanidade mas para salvar o mundo. Jesus, segundo eles, não morreu na cruz; quem morreu foi outra pessoa no lugar ele. Jesus subiu ao céu, o que deve estorvar um pouco. Temos Jesus, Maria, que foi levada por dois anjos, e Maomé. Acho que já há pessoas a mais num lugar que era, em princípio, destinado às almas puras.
Mas isto, claro, é a minha opinião…