Archive for the ‘EMIGRAÇÃO’ Category

AH! POVO TRABALHADOR!!!

Fui passar uns dias à Galiza. Nada de especial, a chuva normal do mês de Agosto, temperaturas a fazer saudades do inverno (bem mais quente, ultimamente).
Quis o acaso, entidade que, quando quer, não há nada a fazer, quer quer, ponto final, que travasse conhecimento com uma jovem portuguesa, que trabalha no bar do restaurante onde nos (eu a e minha mulher, que o respeitinho é muito lindo) abastecíamos de combustível para os respectivos esqueletos. A jovem conversava com outro português (vai-os havendo, por lá, por terras galegas) e o tema da conversa era o trabalho. Depreendemos que a jovem era emigrante (não era nada difícil chegar a tão brilhante conclusão) e a fasquia da escala da minha admiração começou a subir quando a jovem proclamou algo como “trabalho não falta, para quem quiser trabalhar. O que não há é emprego”.
De caminho metemos conversa, e a jovem acabou por dizer algo que colocou a minha admiração no seu máximo: “Entro às oito da manhã, saio às cinco da tarde. Volto a entrar às oito da noite, até à uma da manhã. Mas das cinco às oito (no intervalo para descanso, portanto) ainda vou fazer umas limpezas”.
Ah! Grande portuguesa! Ah! mulher d’um raio! É desta cepa que elas se fazem! Imaginem só o que seria se esta mulher trabalhasse assim, em Portugal. Mas em Portugal é impensável uma situação destas. Não que os patrões (alguns, entenda-se!) não quisessem; a trabalhadora é que não estava, de certeza, pelos ajustes. Patrão que tentasse, sequer, que a empregada trabalhasse uma hora mais, tinha as autoridades e a Intersindical à perna; ou pagava as horas a dobrar. Em Espanha, a jovem ocupa TRÊS postos de trabalho. Não tem dia de folga.
Por mil e duzentos euros por mês. Contou ela. Em Outubro, o restaurante fecha (a zona é balnear) para só reabrir lá para Maio do próximo ano.

Anúncios

AH! POVO TRABALHADOR!!!

Fui passar uns dias à Galiza. Nada de especial, a chuva normal do mês de Agosto, temperaturas a fazer saudades do inverno (bem mais quente, ultimamente).
Quis o acaso, entidade que, quando quer, não há nada a fazer, quer quer, ponto final, que travasse conhecimento com uma jovem portuguesa, que trabalha no bar do restaurante onde nos (eu a e minha mulher, que o respeitinho é muito lindo) abastecíamos de combustível para os respectivos esqueletos. A jovem conversava com outro português (vai-os havendo, por lá, por terras galegas) e o tema da conversa era o trabalho. Depreendemos que a jovem era emigrante (não era nada difícil chegar a tão brilhante conclusão) e a fasquia da escala da minha admiração começou a subir quando a jovem proclamou algo como “trabalho não falta, para quem quiser trabalhar. O que não há é emprego”.
De caminho metemos conversa, e a jovem acabou por dizer algo que colocou a minha admiração no seu máximo: “Entro às oito da manhã, saio às cinco da tarde. Volto a entrar às oito da noite, até à uma da manhã. Mas das cinco às oito (no intervalo para descanso, portanto) ainda vou fazer umas limpezas”.
Ah! Grande portuguesa! Ah! mulher d’um raio! É desta cepa que elas se fazem! Imaginem só o que seria se esta mulher trabalhasse assim, em Portugal. Mas em Portugal é impensável uma situação destas. Não que os patrões (alguns, entenda-se!) não quisessem; a trabalhadora é que não estava, de certeza, pelos ajustes. Patrão que tentasse, sequer, que a empregada trabalhasse uma hora mais, tinha as autoridades e a Intersindical à perna; ou pagava as horas a dobrar. Em Espanha, a jovem ocupa TRÊS postos de trabalho. Não tem dia de folga.
Por mil e duzentos euros por mês. Contou ela. Em Outubro, o restaurante fecha (a zona é balnear) para só reabrir lá para Maio do próximo ano.