Archive for the ‘HUMOR’ Category

MOMENTO DE POESIA

Não podia, de forma alguma, deixar quieto este belo poema. Tinha de o roubar do Diário Ateísta.
Aqui o reproduzo, com a devida vénia, e com o meu agradecimento ao Raul Pereira :

Desde que nasce o sol até que é posto

Governa o lavrador o curvo arado,

E de anos o soldado carregado

Peleja, quer por força, quer por gosto:


Cristalino suor alaga o rosto

Do barqueiro, do remo calejado;

Do cascavel ao dente envenenado

Anda o rude algodista sempre exposto:


Trabalha o pobre desde a tenra idade;

O destro pescador lanços sacode

Para escapar da fome à atrocidade;


Todos trabalham, pois que ninguém pode

Comer sem trabalhar; somente o frade

Come, bebe, descansa e depois fode.


Antologia poética de António Lobo de Carvalho, poeta satírico vimaranense do séc. XVIII.

[via Torre dos Cães, há muito inactivo, para mal dos nossos pecados]

A LÍNGUA PORTUGUESA…

É terrível. Traiçoeira. Prega partidas que nem ao Diabo lembram. Está um simpático jornalista a escrever uma notícia, e… pimba! A língua portuguesa prega-lhe uma rasteira. Vejam só: Mas, quando se preparava para colocar as manilhas da conduta de água, num buraco com mais de seis metros de altura, João Ramos foi atingido por uma desmoronamento de terras.(1)
Ou seja, o trabalhador estava a escavar o buraco para cima. Afinal, os buracos têm altura, ou têm profundidade?

(1) Correio da Manhã de 2009/10/19

OREMUS…

Não podia deixar de postar esta belíssima oração, que me foi enviada por uma querida amiga de Terras de Vera Cruz. Ela aqui vai, com uma saudação muito especial para a Dora:

DO AUTOR E DA OBRA

Pois é. Quem não comprou o meu mais recente livro “Não Há Crimes Perfeitos?“, não sabe a oportunidade que perdeu. É que depois de ter estado no chamado “Top Ten“, o livro pura e simplesmente desapareceu das bancas. A ingenuidade que me caracteriza leva-me a pensar que a edição esgotou, ou seja, todos os livros foram vendidos, o que significa que, em breve, a revista “Forbes” me vai colocar na lista dos Dez Milhões Mais Ricos de Portugal, o que é bom e eu acho que mereço, passe a imodéstia. Mas a verdade é que o meu cinismo congénito me leva a suspeitar que a obra foi, pura e simplesmente, retirada das prateleiras, graças a um diferendo, não pequeno, que me opõe à Editora. Facto que, é consabido e vem dos tempos em que a PIDE apreendia livros, faz com que a obra aumente de valor. O que me parece lógico, pelo funcionamento da lei da oferta e da procura. Quanto mais rara é uma obra, maior é o seu valor. Ou seja: quem adquiriu o livro arrisca-se a estar, neste momento, ainda mais rico do que eu. O que é difícil, mas nem por isso passa a ser menos verdadeiro. Ou seja, também há-de fazer parte da lista dos Dez Milhões Mais Ricos de Portugal, provavelmente num lugar ainda mais honroso que o meu, quando, e se, a “Forbes” publicar essa lista (garantem-me que está para breve).
Assim, e para que o livro não perca o já inestimável valor, vou deixar que aqueles que o compraram procedam aos respectivos negócios. Mas sejam rápidos. Vendam a obra, mesmo que não seja pela melhor oferta. Porque, por muito baixo que seja o preço acordado, sempre há-de ombrear com os mais raros quadros de Renoir ou, para ser mais modesto, com as primeiras edições de “Os Lusíadas”.
Logo que todos os que compraram o livro procedam à sua venda, por favor avisem-me. Porque eu vou proceder a outra edição da obra e, nessa altura, e necessariamente, o valor dos exemplares até agora comprados baixará.
Entretanto, e para a próxima edição, já estou em contacto com uma editora decente. Claro.

EM TEMPO: se fizer duplo-clique sobre as figuras, verá o seu tamanho, o das figuras, naturalmente, aumentado.

RONALDO E A INVEJA

Ninguém, em seu perfeito juízo, tem coragem para dizer mal de Cristiano Ronaldo: ele foi considerado o melhor jogador do mundo, e a sua transferência para Espanha custou aquilo que se convencionou chamar um colhão de guita. Mas a verdade é que quando aparece alguém com incontestável valor, também aparecem os invejosos do costume. E a inveja é uma coisa muito feia. Mas a verdade é que os invejosos não só se estão borrifando para a fealdade da inveja, como também a usam, refiro-me à inveja, despudoradamente. Uma autêntica conspiração!
Vejamos: Ronaldo foi acometido de gripe. Era natural que, com aquela categoria e com o valor que tem, basta dizer que as pernas estão seguradas em vários milhões de euros, era natural, dizia, que se arranjasse uma gripe decente para o prodígio do futebol. No mínimo, uma gripe com uma letra qualquer, uma gripe que se visse. Não senhor. Numa atitude discriminatória e absolutamente humilhante, e quando toda a gente esperava que o jovem tivesse, no mínimo, uma Gripe A, eis que o menino-prodígio, orgulho de tudo quanto é tuga e crente em Fátima, e não me refiro à de Felgueiras, é acometido de uma reles gripe sazonal, como qualquer operário com o ordenado mínimo. Pior: qualquer operário com um ordenado mínimo é perfeitamente capaz de ter uma gripe com letra, nete caso o A. Nem é preciso ter ordenado mínimo, já vi desempregados e subsídiodependentes com letra na gripe. E para o herói, só comparável aos Descobridores de antanho, nem um miserável W arranjaram? Um Z que fosse. Gripe sazonal? Vergonha! Suprema humilhação! Porque, para o valor que tem este jovem, tudo o que seja abaixo de empiema metapneumónico ou, vá lá, uma gastroenterosimite, é pouco.
Como se não bastasse, a equipa da selecção portuguesa, que tem vindo a perder tudo quanto é pontapé na bola, com Ronaldo e tudo, acaba por ganhar por uns largos 3-0 à poderosa selecção do Liechtenstein. Se isto não é uma cabala, alguém faça o favor de me explicar como é que se define cabala. Então, não é que a chamada equipa das quinas ganha, precisamente, quando Ronaldo não joga?!

"NÃO SOU POLÍTICO PROFISSIONAL"

Caro Sr. Manuel Pinho:
Admito e concedo que o caro Manuel Pinho (deixe-me tratá-lo assim; sempre foram uns anos de convívio…) considere esta crónica anacrónica (e esta? crónica anacrónica! Só mesmo eu.); mas a verdade é que só hoje consegui suster as gargalhadas que me provocava a lembrança daquela cornúpeta cena na Assembleia da República. Desde já declaro que não consegui compreender a que ou a quem se referia a gestualmente simbólica armação córnea que o Manuel Pinho representou: se queria indicar a situação do seu adversário político, ou se queria exibir a própria situação. É que se considerarmos a segunda hipótese, ninguém tem nada com isso, e ninguém tem que se considerar ofendido. Pelo que restará sempre a eterna dúvida e, sendo assim, a sua despedida das lides governamentais foi algo precipitada. Porque, num estado de direito democrático há-de permanecer, indelével, o sacrossanto princípio do in dubio pro reo. Faz parte do princípio da legalidade.
Mas não é isso que me traz aqui.
Logo após a despedida, pela porta do fundo, convenhamos, o Manuel Pinho apressou-se a mostrar-se arrependido – o que só lhe fica bem, pois é meio caminho andado para a salvação – e alegou, em sua defesa, que não era “político profissional”. Ou seja, borrou, ainda mais (se é possível) a pintura. Melhor fizera se se calara.
Desde 1974 que temos vindo a ser governados, precisamente, por políticos profissionais. E o resultado é a merda que está à vista. Para o Manuel Pinho, o não ser político profissional era uma vantagem e nunca deveria servir de desculpa. Porque, olhe bem para as sondagens e para os inquéritos de rua: os portugueses estão fartos de políticos profissionais. Os portugueses querem políticos amadores, mas profissionais nos respectivos ramos, a gerir o país. Querem, por exemplo, um profissional de saúde no respectivo ministério, pode ser médico ou enfermeiro; na Justiça quer-se um profissional do foro, pode ser juiz, advogado ou escrivão; nas obras públicas, quer-se um engenheiro, ou arquitecto, ou empreiteiro da área. Um trolha já servia, desde que soubesse dizer “jamé”. E assim por diante. Para político profissional basta que tenhamos o primeiro-ministro. Que, por ironia, é (ao que parece) engenheiro. Para quê? O primeiro-ministro é chefe. E, em Portugal, para ser chefe não é preciso ter conhecimentos; basta mandar.

O FEITIÇO E O FEITICEIRO

Neste caso, seria “O Feitiço e a Feiticeira”. Já lá vamos.
Tudo quanto é comunicação social – escrita, falada e/ou televisiva – tem vindo a massacrar o PPP (Pobre Povo Português) com a história sórdida da professora e suas actividades sexuais. Uma aula de História transformada em aula de pornografia, pelos vistos.
Bom, mas isso não interessa. O importante é que eu estou tão entusiasmado com esta cena que até já esqueci aquela, não menos sórdida, do “caso Freeport“.
Bom, mas isso também não interessa.
O que interessa é que nem tudo é mau, nesta saga espinhense. O “Diário de Notícias” dá-nos conta de que a aluna pode vir a ser chamada à pedra. Porquê? Ora, por ter infringido o Regulamento Interno da Escola que diz, no seu número 20 do artigo 99.º, que não podem usar “telemóveis, headphones, MP3, IPOD e outros nas salas de aula, centro de recursos escolares/biblioteca, cantina ou outros locais onde se desenvolvam actividades lectivas”. Ou seja: as provas foram recolhidas de forma ilegal. E nós sabemos -u ou devíamos saber, e se não sabemos ficamos a saber agora – que as provas recolhidas de forma ilegal não têm qualquer valor. Que o digam os investigadores do “caso Freeport” acerca do célebre vídeo. O que os ingleses pensam sobre o assunto, refiro-me ao vídeo, isso é lá com eles. Estamos em Portugal, e ainda não chegámos à Madeira – e muito menos a Inglaterra!
Ou seja: Não há prova de que a professora tenha dito o que disse. Sendo assim, a aluna pode ser julgada por difamação. Não o é, por ser menor. Mas o mesmo não se pode dizer da comunicação social, a quem não se aplica a regra da inimputabilidade em razão da idade.
Pelo que:
a) – a aluna deve ser severa e exemplarmente punida, por usar meios não admissíveis na escola.
b) – a professora DEVE ser imediatamente reintegrada, levantando-se-lhe a suspensão.
c) – a professora poderá, alegremente, voltar a dar aulas de pornografia, de preferência repetindo aquela cena de a senhora sua mãe lhe ter rompido o hímen logo à nascença, que eu não percebi muito bem (estava a pensar no “caso Freeport, vá lá saber-se porquê).
e) – a comunicação social deve pagar, à esforçada e exemplar professora, uma choruda indemnização, de modo a que a mesma não precise de se esforçar mais para ganhar honestamente a vida, que é uma coisa que custa a todos.
f) – Está TODA A GENTE proibida de ler este artigo neste blogue. O que significa que qualquer acção judicial que seja intentada por aquilo que aqui escrevo, não tem valor – já que a proibição de ler o artigo torna a sua leitura ilegal. E qualquer prova, obtida de forma ilegal, não tem qualquer valor.
Perceberam?