O FOGO

Devo confessar o meu deslumbramento!

O fogo-de-artifício da passagem de ano na Madeira é algo digno de se ver. Claro que, para se usufruir de todo aquele espectáculo, é preciso estar numa posição privilegiada. O que, por acaso, era o meu caso. Instalado num hotel situado a meio da encosta, ou antes, daquele imenso e maravilhoso anfiteatro que é a encosta sobranceira ao Funchal, pude desfrutar do fogo disparado quer em terra quer no mar. Garantiram-me 97.182 disparos de fogo-de-artifício. Claro que houve exagero: foram, apenas, 97.180 disparos, como se pode verificar pelo filme, mas isso até nem é relevante. O que releva, neste caso, é o espectáculo, verdadeiramente fabuloso.
Mas… E a magia daquele momento único da passagem do ano, do soar da última badalada do ano que vai embora? Ah… Na Madeira, não existe. Não há “tchin-tchin”, há disparos de fogo. Ninguém salta de cadeiras, ninguém come as 12 “passas”, não há beijos e abraços, ninguém promete deixar de fumar, ninguém decide que “é desta vez que vou deixar o/a amante”, ninguém resolve começar a fazer dieta. O fogo-de-artifício tudo faz esquecer. O fogo-de-artifício é, também, um elemento inibidor de falsas promessas. Ailás, para isso já temos os políticos.
Mas valeu a pena, garanto-vos.
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