ESTAMOS BEM, GRAÇAS A DEUS

Acabo de ouver (para quem não sabe: ouver novo verbo que significa ouvir e ver ao mesmo tempo. Fui eu que inventei.) na TVI, que desde a reforma penal há menos cerca de 1500 detidos nas prisões portuguesas. E eu, que sou um bocado idiota, mas isso já é de nascença, fico na dúvida: se há menos presos é porque há menos crimes, ou estão todos a fugir das prisões? Estão a contar com os que não se apresentam depois das saídas precárias? E os que estão com pulseira e, mesmo assim, conseguem fazer assaltos?
Depois de ter pensado um bocado, aliás um bom bocado, consegui (finalmente!) chegar a uma conclusão brilhante: estamos em vésperas de eleições. O primeiro ministro já ameaçou que se ganhar as eleições vai mudar o Governo, mas só alguns ministros. Não disse quais. Daí que todos tentem dar o seu melhor para engraxar o chefe. Nem que seja preciso inventar.
Quem lê, de repente e, principalmente, quando é traduzido para uma língua estrangeira, nem que seja o espanhol, fica com a ideia de que a criminalidade está a baixar, em Portugal. É assim como há menos escaldões nos meses de Novembro a Fevereiro, o índice de analfabetismo vai baixando à medida que os analfabetos vão morrendo, há menos acidentes na estrada na medida em que sobe o preço da gasolina, etc. E o Zé Pagode vai bebendo estes refrescos. Esquecendo-se de que a reforma penal é aquela que permite que um homicida só seja posto em prisão preventiva se for apanhado em flagrante delito, que a prova só seja produzida em tribunal (o que é lindo e politicamente correcto, mas dá para que as testemunhas digam que é branco o que na PJ era preto), porque os polícias costumam bater nas pessoas, e por aí fora.
O que me leva a fazer uma proposta desonesta: se a ideia é acabar com a criminalidade, é simples: faça-se um auto-de-fé ao Código Penal. Porque sem Código Penal, não há crimes. Sem crimes, não há detidos, e desafio o Senhor de La Palice a ter um raciocínio tão escorreito quanto este. Aí, sim! O ministro da justiça pode embandeirar em arco, que há ZERO detidos nas prisões.
As próximas eleições são daqui a quatro anos. Ainda há tempo de mais uma reforma.
Entretanto, o sindicato dos guardas prisionais que se cuide. É melhor entrar em negociações com o ministério do emprego. Se não existir, está na hora de o inventar.

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