OS SUPERIORES INTERESSES DA CRIANÇA

Toda a gente ouviu, certamente, falar nos superiores interesses da criança. Esta é, aliás, uma bandeira que se agita freneticamente quando se pretende defender os interesses dos… adultos. Mas a verdade é que nunca ninguém conseguiu explicar o que é essa coisa dos superiores interesses da criança. Bom: nunca ninguém explicou, até agora. Porque daqui em diante deixa de haver desculpas. Porque EU vou explicar. E a explicação é simples, só me admirando ter sido eu o único, até agora, a chegar a esta aliás brilhante conclusão: os superiores interesses da criança são aqueles interesses que interessam aos pais, e, aqui, a redundância é propositada. Por exemplo: neste tempo de Verão, costume frequentar um restaurante que tem (e eu aplaudo) uma área para fumadores. Ora, os superiores interesses da criança deviam significar que a criança tem todo o direito de frequentar locais isentos de fumo e, assim, nada custaria ao(s) respectivo(s) genitor(e)s tomar assento na área menos poluída e, quando a vontade apertasse, levantar o cu da cadeira e ir fumar um cigarro… à área de fumadores. Ou lá fora. Mas os superiores interesses do adulto afirmam que esse mesmo adulto não tem a obrigação de se privar do seu cigarro enquanto espera que o empregado apareça, enquanto a comida não chega, enquanto o café arrefece, enquanto saboreia o digestivo. E a criança vai vendo como são defendidos os seus superiores interesses. Pelo que os superiores interesses da criança passam a coincidir, rigorosamente, com os superiores interesses dos adultos.
Há dias, numa fila de trânsito, verifiquei que, no carro à minha frente, seguia, divertidíssima e alegremente “solta”, uma criança, no banco traseiro. Como se fosse pouco, a criança brincava na direcção do espaço que há entre os dois bancos dianteiros. Tencionando sair um pouco mais à frente, pela esquerda, ultrapassei o veículo em causa: a condutora, presumível mãe da criança, falava descuidadamente ao telemóvel.
Ao ultrapassar, olhei de relance: havia uma cadeirinha apropriada. Mas a criança ia solta.

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