A JORDÂNIA EM BREVES PINCELADAS (Parte II)


Uma das coisas que aprendi nesta profissão de turista (que é uma profissão ingrata, fiquem a saber), é que se deve descontar cerca de 97,2% àquilo que os guias afirmam.
Por exemplo, logo no primeiro dia de visita à Jordânia, fomos encaminhados para Monte Nebo, em Mádaba (مادبا) onde, segundo nos venderam (nós comprámos) Moisés teria avistado a Terra Prometida, seja isso o que for. Mas nunca teria lá chegado, já que morreu no Monte Nebo. Ora, cabe perguntar: se, a ser verdade, Moisés morreu cerca de 1250 anos antes da Era Comum, o que andam a fazer os arqueólogos, que conseguem encontrar vestígios de dinossáurios extintos há milhões de anos, e não encontram ossadas dos hebreus que, durante quarenta anos (dá direito a três gerações, feitas as contas) vaguearam pelo deserto? Bom, mas deve ser verdade, uma vez que até lá puseram o “bordão de Moisés” (suponho que foi aquele que serviu para abrir o Mar Vermelho). Claro que o guia, com a honestidade que, em geral, caracteriza todos os guias, sempre foi avisando que há mais países que reivindicam a presença e morte de Moisés nas suas terras… O que me leva a concluir que, afinal, todos os guias falam verdade, Moisés é que tinha o poder da ubiquidade.
Apesar de ser um país relativamente novo, com independência declarada em 1946, a Jordânia já aprendeu que o turismo religioso dá muito mais dinheiro que o turismo de lazer. Ou seja, são muçulmanos mas não são parvos. O Monte Nebo está quase transformado em santuário, e em Betânia onde, segundo se assegura, Jesus – por alcunha “O Cristo” – foi baptizado, vai ser equipado com uma unidade para acolher peregrinos. Que, sinceramente, eu não vi. Provavelmente porque não há (ainda) a tal unidade de apoio. Ora, uma pesquisa pela “net” diz-nos que não há a certeza quanto ao local de baptismo; e a confirmar esta incerteza, há uma agência de viagens que promove uma excursão à “terra santa”, com visita a Betânia – local onde jesus foi baptizado. Aliás, o honesto guia já tinha avisado que os israelitas também tinham uma Betânia mas, tal como acontece com as religiões, esta Betânia (à esquerda) é que é a verdadeira. Isto não obstante a Wikipédia informar que Betânia se situa em Israel.
Curiosamente, os muçulmano0s aceitam Jesus, não como filho de Deus mas como um profeta, tal como Maomé. Aliás, eles aceitam todos os profetas bíblicos, o que se compreende, pois o Alcorão mais não é do que uma cópia foleira da Bíblia. Tal como os cristãos, os islâmicos acreditam que Jesus virá, um dia, não para salvar a humanidade mas para salvar o mundo. Jesus, segundo eles, não morreu na cruz; quem morreu foi outra pessoa no lugar ele. Jesus subiu ao céu, o que deve estorvar um pouco. Temos Jesus, Maria, que foi levada por dois anjos, e Maomé. Acho que já há pessoas a mais num lugar que era, em princípio, destinado às almas puras.
Mas isto, claro, é a minha opinião…

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One response to this post.

  1. Por essas e outras que sou agnóstica…Complicada demais esta história de Cristo, Maomé, e outras divindades que permeiam as paginas das biblias e alcorões…dificil acreditar em quem quer que seja…Prefiro não dar ouvidos a nada.Quando viajo, escuto o guia com fingido interesse, quando se trata de assuntos religiosos.Eles fingem que falam a verdade (acho que são treinados para falar como uns papagaios…rsrsr), e eu finjo que acredito. Aproveito e me divirto. Tu, com teu sarcasmo “sutil”(só para bons entendedores…), deves ter azucrinado a vida do pobre homem. Não vai te querer ver por bons anos…ou melhor, pela eternidade…hahaha

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