CARTA ABERTA AO ZÉ RODRIGUES

Caro Zé Rodrigues:

Vi-te, hoje, na televisão. O que, só por si, nem sequer é motivo para te escrever. Afinal, apareces na televisão todos os dias – mais dia, menos dia, é claro. Mas hoje, a tua aparição foi especial: é que tu fizeste um – aliás maroto – piscar de olho, e disseste: “Para si, em especial, um grande 2009”. Ora, como eu era a única pessoa do meu extenso agregado familiar que estava defronte do televisor, deduzi que estavas a falar comigo. Cabe aqui dizer que disseste por extenso: doismilenove. O que só te fica bem, porque os portugueses cada vez percebem menos de números… Mas isso é outra conversa.

Para já, não tinhas necessidade de me tratares por “você”. Entre colegas – tu és escritor e eu também sou – não há necessidade disso.

Sim, Zé Rodrigues, também sou escritor, embora escreva outro tipo de livros. Mas eu é mais livros de cheques. Ah, e também obrigo os funcionários bancários a escrever. Tipo “Informo Vª. Ex.ª de que o seu cheque foi devolvido por falta de provisão” bom, mas isso também é outra conversa. Eles tratam-me por Vª. Ex.ª., o que acaricia o meu ego. Ah, e também apareço na televisão, quando tenho a câmara de vídeo ligada ao aparelho respectivo.

Pois esta minha carta tem o único objectivo de te elucidar. Tu estás, agora, a lançar-te no campo das letras, passe a publicidade, mas eu já ando metido em letras há muito tempo. Olha, tu ainda eras espermatozóide, e já eu as assinava (as letras) com uma pinta que nem imaginas. Bom, mas isso é, também e ainda, outra conversa.

O ano de 2009 não pode ser grande. Desculpa lá, mas fazes-me lembrar aqueles comentadores desportivos “O Quim marcou um grande golo”. Ora, todos sabemos que os golos são, todos do mesmo tamanho. Que é, exactamente, o tamanho da bola que entra na baliza. Pois com os anos passa-se a mesma coisa, com uma excepção, a qual acontece de quatro em quatro anos. De facto, ano que se preze tem 365 dias.

Ora, acontece esta coisa incrível: como podes TU, Zé Rodrigues, desejar um “grande” 2009 (ou, se quiseres, doismilenove), a um ano que, ainda por cima, vai ter menos um dia que o doismileoito (ou, para quem souber a numeração árabe, 2008)???

Vamos ter juízo, rapaz! De contrário, ainda corremos o risco de ver o outro Zé, o Pinto de Sousa, desejar aos portugueses um Ano Novo cheio de prosperidades…

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