A "PERFEIÇÃO" DE ADÃO


Uma das bandeiras das várias religiões é que tudo o que Deus criou é perfeito. Esta verdade é, especialmente, proclamada pelas crenças evangélicas, com destaque para as Testemunhas de Jeová (TJ). Isto porque, ao que tenho visto, a malta católica dedica-se pouco à leitura da Bíblia. As TJ lêem e, além de lerem, ainda a interpretam. Da maneira que mais lhes convém, mas interpretam.
E quando confrontados com contradições, apresentam os argumentos mais incríveis – tudo fruto da sua interpretação dos textos bíblicos.
Faz-me lembrar aquele padre da aldeia que clamava ser, a obra de Deus, toda perfeita. Ao fundo, o inevitável bêbedo que, além disso, ainda era marreco. Que não se conteve: “Ó sr padre. Tudo é perfeito? E a minha corcunda?” O padre era raposa velha: “Pois, meu filho. Mas repara: que corcunda tão perfeita!”
Pois bem: as TJ, quando confrontadas com a “perfeição” do Homem – doenças, fome, ódio, intolerância, etc – deitam as “culpas” para Adão. Porque, afirmam, Adão era perfeito, mas tornou-se imperfeito quando pecou. Curiosamente, nem reparam na blasfémia que pronunciam.
Desde logo: uma coisa perfeita não pode tornar-se imperfeita. Só que… O que é uma coisa perfeita? Onde está a perfeição, para podermos fazer comparações?
Qualquer religioso que se preze é capaz de garantir que “perfeito, só Deus”. E aqui começa a barbaridade: Se só Deus é perfeito, será que esse mesmo Deus ia fazer um ser que seria, pelo menos, tão perfeito como ele? Claro que não. E aquele “pelo menos” está ali a mais: ou é perfeito ou não é. Ponto final. E para ser perfeito, tinha que ser Deus. Outro deus.
Adão era, supostamente, perfeito. Dizem os crentes. Vamos admitir que sim. Aliás, até vamos admitir que a “criação” humana descende de Adão e Eva. É uma hipótese absurda e académica, mas é uma hipótese. Ainda segundo os crentes, Adão pecou porque Deus lhe concedeu o “livre arbítrio”. E aqui entramos na segunda barbaridade. Vejamos:

  • Adão era perfeito.
  • Eva, na sua “santa ingenuidade”, convenceu Adão a desobedecer a Deus.
  • Adão tinha o “livre arbítrio”, ou seja, podia escolher livremente entre obedecer a Jeová ou comer da fruta (não tem nada a ver com o “apito dourado”…).
  • Adão decidiu comer a fruta. Livremente, decidiu pecar. Foi a imperfeição que o levou ao pecado, e não o contrário.

Aliás, custa-me admitir como é que um crente pode aceitar que Deus, o Omnisciente, tenha cometido um erro tão crasso, como seja o de fabricar um ser imperfeito, como foi Adão. Mas, claro, eles não admitem. Preferem a falácia: ele era perfeito, mas tornou-se… etc, etc.
Já agora: Deus, o omnisciente, sabia, ou não, que Adão iria desobedecer-lhe? Se não sabia, não é omnisciente; se sabia e não se importou (a obra é dele) é um sacana.
Com deuses destes, não precisamos de demónios para nada.

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One response to this post.

  1. Pois é…quem tem esses deuses como amigos, não precisam de inimigos…Mandastes bem!!!

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