VIAGEM À ILHA DO SAL

Pouco mais há para dizer acerca desta Ilha do Barlavento cabo-verdiano; a 
Wikipédia” diz tudo. Ou quase.

E este “quase” é muito.

Desde logo, pelas suas características: trata-se de uma ilha desértica, se bem que

 rodeada pelo oceano. Com efeito, uma viagem ao longo da ilha mostra-

nos um solo muito árido, com vegetação rasteira, e onde as únicas plantas de porte razoável são… palmeiras.

A ilha do Sal deve o seu nome à existência de cloreto de sódio em grandes quantidades na cratera de um vulcão. Devido 

ao baixo
 relevo da ilha, o fundo dessa cratera atinge um nível inferior ao das águas do mar. Po
r este facto, a água infiltra-se através das paredes do vulcão, fluindo para a cratera. Aí foram criadas as salinas, cujo sal era exportado para todo o mundo.
Durante muito tempo, o sal foi considerado, em Cabo Verde, o “ouro branco”; agora, ainda para mais com os médicos a recomendarem o corte ao consumo de sal, a extracção deste produto praticamente não tem expressão.
Estas propriedades desérticas, aliadas à grande quantidade de areia que o vento transporta do deserto do continente africano, transformaram o Sal numa ilha de características únicas: Verão durante, praticamente, todo o ano (a temperatura mínima situa-se pelos 22º), com chuva se houver azar (calhou-me a mim…) e com extensos areais de areias finas e douradas. Ou seja, com turismo durante o ano inteiro, com forte migração interna – e externa, pois então. A água que se consome é extraída do mar e dessalinizada; a energia eléctrica é fo

rnecida por geradores. Apesar de tudo, a ilha é considerada em vias de desenvolvimento.
A “riqueza” da ilha provém da pesca, 
principalmente de atum, e do… turismo. Não há (como podia haver?) agricultura, e os bens essenciais provêm das outras ilhas. No entanto, não há aquela “pobreza africana” que estamos habituados a ver na TV: crianç
as com barrigas inchadas, etc.
Parece que há marisco. Eu digo parece, porque não o vi. Há quem tenha visto e, até, comido. Contaram-me, depois, que tinha sido excelente para limpar os intestinos… Mas há cracas. Que eu aconselho vivamente a quem se deslocar

 àquela ilha – embora as cracas também possam ser encontradas na Madeira e, mais abundantemente, nos Açores.
O turista menos informado é surpreendido agradavelmente quendo é abordado por “nativos” que entabulam conversa, dando grandes elogios aos portugueses, que eles consideram ter um “coração muito bondoso”. Começam por oferecer-se para nos conduzir até ao “mercado” que, afinal, mais não é do que uma “loja” onde expõem artesanato africano. Ali, como “prenda”, oferecem-nos uma peça de artesanato, o que logo nos compromete; sentimo-nos como que “obrigados” a comprar… Felizmente, como tenho experiência de visitas a outros locais africanos, apliquei o “truque”: marralhar o preço até ao mínimo possível. E comprei porque quis.
Mais tarde, veio a informação: afinal, não eram cabo-verdianos; eram senegaleses ou guineenses. Na verdade, os cabo-verdianos têm a pele bem mais clara, e o cabelo não é tão encarapinhado.
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