DAS ESTATÍSTICAS

Alguém disse – e eu assino por baixo – que a estatística é a arte de mentir com precisão. Eu vou um bocadinho mais longe: a estatística é a arte de mentir dizendo a verdade.

Confuso? Paradoxal? Não me parece.
Portugal atravessa algumas crises. Destas, destaco a segurança. Assaltos todos os dias, com armas, enfim, o “far west” à portuguesa. Na Assembleia da República alguns, deputados, pretendendo traduzir a inquietação popular (as eleições aproximam-se…) interpelaram o primeiro-ministro acerca do assunto. Este respondeu que Portugal tem polícias que cheguem. Parece que é verdade: Portugal, segundo uma estatística recentemente vinda a lume, é um dos países europeus com mais polícias por cidadão.
Só que isto faz-me lembrar a estatística do frango, segundo a qual, se eu comer um frango e o leitor não comer nenhum, comemos, estatisticamente, meio frango cada um.
Que me importa que haja muitos polícias, se eles não andam pelas ruas? Se o leitor tiver coragem, dê um passeio, depois das oito da noite, pelas ruas da cidade; depois, diga-me quantos polícias viu.
Que me importa que haja muitos polícias, se eles estão a atender telefonemas, a dobrar ofícios, a lamber envelopes?
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