O PADRE DOS TORTURADORES

O padre argentino Christian von Wernich, de 69 anos, está a ser julgado no tribunal de La Plata, a 50 quilómetros de Buenos Aires (Argentina), acusado de cumplicidade em 40 raptos, de 31 casos de tortura e sete assassínios. Tudo isto se terá passado entre 1976 e 1983, durante a ditadura militar, altura em que desapareceram das cadeias militares e policiais entre 13 mil e 30 mil pessoas. Christian von Wernich era capelão da polícia da província de Buenos Aires, polícia que espalhou o terror sob as ordens do general Ramon Camps, de quem o padre era confessor. No tribunal de La Plata têm desfilado antigos prisioneiros que acusam o sacerdote – que ficou conhecido por “O Corvo” – de convencer os prisioneiros a confessar em troca de não serem torturados e depois participar pessoalmente nas sessões de tortura. O militante de esquerda Carlos Zaidan contou uma cena a que assistiu a um jornalista do diário “Le Monde”: “Ele falava com voz suave e jovial para convencer um casal a falar, a fim de evitarem ue os dois filhos, que haviam sido presos com eles, fossem torturados”.

Um das acusações envolve o padre de ter assistido o assassinato de sete montoneros, à época uma organização de guerrilha nacionalista burguesa contra o regime militar. Ele foi responsável por fazer uma espécie de mediação entre os presos políticos e a polícia. O acordo consistia em libertar os presos caso estes resolvessem dar informações significativas às forças de repressão. No entanto, mesmo com a colaboração dos montoneros, todos foram sumariamente executados, em 1977.

“Vocês causaram muito dano ao país com suas bombas e atentados. A dor é a maneira de redimir o mal”. Esta era a máxima do padre Christian von Wernich em tempos de atividades, uma máxima muito cristã, como se pode ver.

Numa das poucas declarações do padre à imprensa, em 1984 ele disse: “Não temo que por essas acusações me tirem o sacerdócio. Sei bem o que fiz e com quem o fiz. Ninguém vai me proibir de celebrar missas nem perderei nenhuma das minhas atribuições. Quando for o momento, a Justiça decidirá” (Folha de S. Paulo, 6/7/2007).

A figura de Christian von Wernich como padre revela a verdadeira atuação da Igreja Católica durante as ditaduras militares na América Latina, trabalhando como delatores – quando recebiam informações de “pecadores” nos confessionários, torturadores e assassinos.
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One response to this post.

  1. Se alguém tinha ou tem dúvidas que a esmagadora maioria da padralhada é uma cambada de fdp frustrados por não terem arranjado mulher, ou não terem coragem de assumir a sua mariquice, que se desiluda. São FDP por vocação e devoção!J.M. (Anónimo q.b.)

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