CORRUPÇÃO, SOCIEDADE E RELIGIÃO

Desde há muito tempo que os nossos governantes têm vindo a fazer tentativas de acabar com a corrupção. Felizmente, dão um passo em frente e dois atrás. E isto porque acabar com a corrupção vai colidir não só com com o nosso atavismo – e sabemos que o uso faz lei – como também com aquilo que nos foi ensinado na catequese (para quem a frequentou, como foi o meu caso, para que não restem dúvidas).
Vamos por partes.
Desde logo, o que é a corrupção? Pois bem, sem pretender entrar em pormenores técnicos, estamos a corromper alguém quando lhe proporcionamos um benefício ou a promessa de um benefício, como contrapartida de acto ou omissão contrários aos deveres do cargo. Claro que isto é aplicável, para já, apenas aos funcionários públicos, mas parece que os governos têm tentado que a coisa se estenda à chamada sociedade civil.
O que quer dizer quando se dá uma moedinha ao arrumador para que ele não aplique a inevitável arranhadela no nosso popó, estamos a praticar um acto de corrupção.
Por exemplo, claro.
Equivale, “mutatis mutandis”, à oferta que se dá a quem de direito para que o nosso projecto de construção não vá parar ao fundo da gaveta.
Dizem que o nosso povo é tradicionalmente católico. O que é discutível, face às igrejas mais vazias a cada domingo que passa. Mas isso é outra conversa. Dizem que é católico, ponto final. Ora, como todo o católico que se preza, quando lhe aparece uma adversidade não tenta resolvê-la: invoca os santos (alguns, mais papistas que o Papa, até invocam Deus, directamente…) para que a resolva – estou a falar da adversidade. Assim, perante a proximidade de um exame de condução – por exemplo – em vez de se agarrar ao Código e/ou tentar esclarecer, de uma vez por todas, por que carga-de-água os carros têm três pedais, quando só temos dois pés, oferecem uma prenda qualquer ao santo que estiver mais a jeito para que o examinador coloque mais um/a assassino/a na estrada. Ora, o pedinte está a cometer um acto de corrupção (estaria, se o santo fosse funcionário público). E a Igreja sabe disso e não se importa (não se importa com coisas bem piores…).
Claro que é possível argumentar que pedir a um santo que uma intervenção cirúrgica corra bem, não é corrupção. Pois não. É pior. É heresia!!! Porque pretender misturar religião com ciência é um pecado maior que misturar azeite com água. E isto porque a religião e a ciência estiveram sempre de costas voltadas. Exemplos? Mais que muitos. Basta atentar em Galileu Galilei, que por pouco se livrou de ser transformado em “Galileu de churrasco”, só porque se lembrou de dizer que a Terra girava à volta do Sol.
Aliás, quando a ciência afirma e prova que a ressurreição é impossível, a Igreja teima em, anualmente, ressuscitar um cadáver com três dias de sepultura – logo, em putrefacção. E quando a ciência afirma e prova que é impossível uma mulher manter a virgindade depois de um parto normal, a Igreja teima em dizer o contrário. E há quem acredite. Provavelmente, confundem “imaculado” com “hímen colado”…
Mas são contas de outro rosário. O que interessa é que os governos pensem bem antes de aprovar leis iníquas. Deixem lá a corrupção para os funcionários públicos que, tal como os automobilistas, têm vindo a ser o bode expiatório de todas as incompetências governativas.
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