O CIDADÃO E A POLÍCIA

Dia 13 de Dezembro de 2006. Em pleno séc. XXI, portanto.

O cidadão conduz o seu veículo pela Avenida dos Aliados, no Porto. Subitamente, nota que a embraiagem deixou de responder. Insiste, insiste, e nada. Remédio imediato: encostar à berma e chamar o mecânico. Sai do carro, veste o colete regulamentar (trata-se de um cidadão cumpridor…) e empunha o telemóvel.
Não teve tempo para telefonar. Atrás do seu carro, estaciona um carro-patrulha da PSP. Do interior sai um agente fardado:
– Então, que temos?
– Julgo que foi o cabo da embraiagem – dilucidou o cidadão. – Ou partiu, ou se soltou.
O Agente avaliou rapidamente a situação:
– Abra o “capot”, se faz favor.
O cidadão, cumpridor, obedeceu ao cívico; este, uma vez feita a sua vontade, mergulhou, literalmente, em tudo o que era cablagens, tubos, engrenagens, fios eléctricos, enfim, toda aquela parafernália que, normalmente, se encontra sob a tampa do motor. Emergiu pouco depois e, para espanto do cidadão, proferiu:
– Está resolvido. Mas é só para desenrascar. Tem de ir à oficina.
– Pois – diz o cidadão. – Eu ia já telefonar…
O polícia não deu tempo a terminar:
– Quer que o leve?
O cidadão começava a deixar transbordar o espanto. “Isto não está a acontecer comigo!!!”. No entanto, ainda teve a lucidez suficiente para discernir que, com um carro-patrulha a abrir caminho, chegaria mais rapidamente à oficina. Pelo que decidiu aceitar a oferta:
– Se faz favor…
Pelos vistos, porém, ainda era cedo para o cidadão fechar a torneira do espanto. Adianta o guardião da lei e da ordem:
– Diga onde é a oficina e dê-me a chave do carro.
E aqui temos o cidadão a olhar, especado, para o seu rico carrinho, magistralmente conduzido por um Agente da PSP, a caminho da oficina mecânica, acompanhado por um carro-patrulha!!! Tão especado ficou, que nem reparou que as chaves do escritório tinham ido juntamente com a chave do carro. Telefonou à mulher:
– Querida, por favor vai à oficina, que o meu carro já lá deve estar. Tiras as chaves do escritório e traz-mas. Mete-te no teu carro…
Mas não foi preciso. Quando a esposa chega à oficina, está a chegar o carro do marido – do cidadão sub judice, entenda-se – conduzido por um garboso Agente da Autoridade. Ainda ouviu o cívico dizer ao mecânico qualquer coisa como “está aqui este carro, é para reparar o cabo da embraiagem, mas aquilo é só mesmo apertar a braçadeira, de resto está tudo em ordem” o que poderia ser traduzido literalmente porvê-lá-no-que-é-que-te-metes-olha-que-eu-percebo
-disto-e-não-te-atrevas-a-

inventar-avarias-onde-elas-não-existem
“.
A esposa do cidadão apresentou-se ao polícia, e disse ao que ia. O guardião retirou e estendeu-lhe as chaves do escritório do marido. Marido que só conseguiu mesmo fechar a boca de espanto quando viu a esposa a sair de um carro-patrulha, para lhe entregar as chaves…

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