MORREU AUGUSTO PINOCHET


Augusto José Ramón Pinochet Ugarte faleceu. Depois de plúrimas vezes ungido com o sacramento da extrema-unção, morreu, finalmente. Sendo sabido que a extrema-unção só se aplica a quem vai mesmo morrer (em certos casos, aplica-se a quem já está morto, mas isso é outra conversa) é de duvidar da qualidade dos santos óleos ministrados – provavelmente comprados em qualquer loja chinesa; de contrário, o homem já teria ido há mais tempo, como é praxis da ICAR. Pelo que é de presumir que, desta vez, tenha sido ministrada uma dose reforçada, que o homem, pelos vistos, estava a criar habituação.
João Paulo II
, o Papa mais beato e mais bacoco dos últimos 30 anos, considerou Augusto Pinochet como “católico exemplar”. Para quem não saiba quais são os requisitos para se ser “católico exemplar”, e para quem deseje sê-lo, eles aqui vão:

1998 – 12 Janeiro – Queixa por genocídio, sequestro, associação criminosa e exumação ilegal, apresentada pela dirigente comunista Gladys Marín.

17 Outubro – É detido no Reino Unido por ordem do juiz espanhol Baltazar Garzón, que pede a sua extradição.

10 Dezembro – Garzón acusa-o formalmente de genocídio, terrorismo e torturas.

1999 – 8 Outubro – O juiz britânico Ronald Bartle dá luz verde à extradição de Pinochet para Espanha para ser julgado por crimes contra a humanidade.

2000 – 2 Março – Depois de 17 meses na cadeia é libertado por razões de saúde e regressa ao Chile.

8 Agosto – O Tribunal Supremo confirma a sua implicação no caso «Caravana da morte».

8 Novembro – É proibido de abandonar o país devido ao pedido de extradição por parte da Argentina pelo assassínio, naquele país, do general chileno Carlos Prats.

1 Dezembro – O juiz Guzmán ordena que seja julgado pelo assassínio de 74 pessoas no caso «Caravana da morte».

2001 – 29 Janeiro – É ordenada a sua prisão domiciliária.

2002 – 1 Julho – O tribunal Supremo anula as acusações contra Pinochet neste caso por «demência moderada».

2004 – Julho – Um relatório de uma sub-comissão do Senado norte-america no revela que o banco norte-americano Riggs ajudou Pinochet a esconder entre 4 e 8 milhões de dólares (entre três e 6,5 milhões de euros).

21 Julho – O juiz Sergio Munoz inicia a investigação sobre as suas contas secretas e o património familiar.

26 Agosto – Supremo Tribunal ratifica acusação por implicação de Pinochet no caso «operação Condor», pelo qual é processado a 13 de Dezembro.

2005 – 27 Janeiro – O banco Riggs declara-se culpado por esconder contas de Pinochet no valor de dez milhões de dólares (7,5 milhões de euros).

1 Abril – É ilibado definitivamente no caso do assassínio de Carlos Prats.

7 Junho – É-lhe retirada a imunidade por acusação de fraude fiscal, mas é ilibado no caso «operação Condor».

6 Julho – É processado pelo envolvimento na «operação Colombo».

19 Outubro – Supremo Tribunal ratifica acusação no caso das contas secretas.

27 Outubro – É submetido a exames psiquiátricos no caso «operação Colombo e a 16 de Novembro é considerado apto para ser julgado».

23 Novembro – É processado por crimes de corrupção e fraude fiscal e é ordenada a sua prisão domiciliária.

28 Dezembro – O juiz Montiglio ordena a sua constituição como arguido no caso Colombo e sai em liberdade condicional contra o pagamento de 24 milhões de pesos (34.500 euros ao câmbio actual).

30 Dezembro – O tribunal da Relação dá provimento à acusação por desvio de fundos públicos.

2006 – 7 Abril – O Tribunal da Relação ratifica o julgamento por evasão fiscal e uso de passaportes falsos.

21 Abril – Processado pelo Tribunal Supremo pela sua responsabilidade em 37 sequestros no âmbito da «operação Colombo».

8 Setembro – Processado pela primeira vez por crimes de tortura relacionados com o centro de detenção «Villa Grimaldi».

12 Outubro – Processado por associação criminosa e sequestro do químico e agente secreto Eugenio Berríos.

18 Outubro – O juiz Alejandro Solis interroga-o pela acusação de 36 sequestros e 23 crimes de tortura na «Villa Grimaldi».

30 Outubro – O ex-ditador chileno ficou em prisão preventiva depois de ser processado por sequestros, torturas e homicídio na «Villa Grimaldi».

8 Novembro – Acusação por tortura e desaparecimento, em 1974, do sacerdote católico espanhol Antonio Llido Mengual.

25 de Novembro – No dia em que fez 91 anos, Pinochet assume a responsabilidade do regime que liderou durante 17 anos. (in Portugal Diário)

Pelo que, sendo Pinochet um “católico exemplar”, não me repugna aceitar que a ICAR tenha dado uma ajudinha para que o salafrário pudesse escapar à justiça terrena, reforçando a dose de extrema-unção. Sim, porque da justiça divina ele, e os outros torcionários conhecidos, não tem que ter medo; provavelmente ficará sentado ao colo de João Paulo II, enquanto Adolf Hitler aguarda calmamente pelo seu ex-colaborador Joseph Ratzinger.

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