OS MODERNOS TROGLODITAS – OU O OBSCURANTISMO RELIGIOSO, MAIS UMA VEZ


Quando se vagueia pela “net”, corre-se o risco de encontros de todos os tipos, dos quais destaco três: os bons, os maus e os nem-por-isso.

Um exemplo de um bom encontro é, por exemplo quando alguém – como o Ricardo Alves, que só conheço de teclado – tem o cuidado de manter todos os outros bons encontros ao corrente do que de importante se vai passando pelo mundo. Como prova isto, que publico com um abraço de agradecimento ao Ricardo:

Celebração Thabitha’s Place



EL PAIS


Isolados do mundo
França investiga seita que não escolariza as
crianças

J. M. Martí Font
em Paris

Elas não cortam o cabelo; usam-no preso em longos
rabos de cavalo. Os adeptos da seita Thabitha’s
Place, criada em 1979 no estado americano de
Vermont, têm o objetivo de viver como os primeiros
cristãos. Cultivam seus próprios alimentos,
levantam-se ao amanhecer, não bebem, não fumam, não
vêem televisão nem escutam rádio e não lêem outra
coisa além da Bíblia.
Thabtha’s Place
Também não mandam seus filhos à escola; eles mesmos
os educam, alheios ao mundo que os rodeia, e aplicam
neles castigos corporais. Rejeitam os progressos
médicos; não vacinam seus filhos. Em 2001, dois
membros da seita foram condenados a 12 anos de
prisão pela morte de Raphael, um menino que sofria
uma cardiopatia congênita e a quem seus pais negaram
a medicina moderna.

Uma de suas comunidades está instalada há 23 anos na
pequena localidade francesa de Sus-Navarrenx, em
pleno Caminho de Santiago, no Béarn, e na última
terça-feira foi visitada de surpresa por quatro
deputados que fazem parte de uma comissão
parlamentar que investiga a situação dos menores no
universo das seitas. Na França há 60 mil menores
que, em graus diferentes, vivem, são educados e
crescem sob a influência de seitas, segundo o
Departamento Interministerial de Combate aos Desvios
Sectários.

Deles, 600 são vítimas potenciais de “graves
maus-tratos psicológicos, físicos e até sexuais”,
segundo a comissão parlamentar. Em Sus, os deputados
encontraram cerca de 50 menores que vivem, nas
palavras do secretário da comissão, Jean-Pierre
Brard, “completamente isolados do mundo”. Também
descobriram que 18 deles, com idades entre 6 e 16
anos, não eram escolarizados. Seus pais recorrem a
um direito constitucional francês que permite educar
os filhos em casa, desde que ao menos formalmente
sigam o programa escolar público.

O presidente da comissão, Georges Fenech, explicou
ao jornal “Le Parisien” que teve a sensação de se
encontrar com “18 Natascha Kampusch”, referindo-se à
jovem austríaca seqüestrada quando era menina e que
recentemente conseguiu fugir do cativeiro onde
passou oito anos. Segundo os deputados que visitaram
a comunidade de Sus, as crianças sabem ler, “mas não
são capazes de explicar o sentido do que lêem” e
ignoram tudo o que se relaciona ao mundo
contemporâneo.

É claro que não sabem o que é a Internet, tampouco a
televisão e o cinema, e só saem de seu âmbito
familiar quando acompanham os pais aos mercados para
vender o que cultivam. Segundo Fenech, os rapazes
nem sabiam quem é Zidane.

Mas a grande mansão que os membros da Tabitha’s
Place ocupam em Sus-Navarrenx fica em frente à
prefeitura e suas portas estão sempre abertas. Os
“chefes da tribo de Abraão”, como gostam de se
definir os homens que dirigem a comunidade de
estrutura patriarcal, negam que vivam de costas para
o mundo, insistem que praticam a hospitalidade e que
todos são bem-vindos a sua casa e obsequiados com um
pedaço de torta e chá.

“Educamos nossos filhos no bom caminho e na justiça,
segundo o livro do Gênese”, explicou Hushaï Lesueur,
um ex-suboficial do exército que é porta-voz da
comunidade. “Não temos nenhuma necessidade de
delegar nossa autoridade paterna a pessoas que não
compartilham nossas convicções espirituais e
educativas.” Conseqüentemente, censuram os livros
escolares.

Nenhuma referência à teoria da evolução ou a
qualquer outro conhecimento que possa contradizer as
escrituras. [i]

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