
Bom. Não há cidade, vila, aldeia ou simples lugarejo que seja digno desse nome, que não tenha o seu orago. Ora, dada a multiplicidade de cidades, vilas, aldeias e lugarejos, pede-se um esforço suplementar à imaginação para criar santo, santa, virgem ou mártir que não seja igual à do/da vizinha. Daí o aparecerem nomes algo fora do vulgar como o “Senhor da Paciência” ou a “Senhora do Pópulo”.
Em Espanha, na Galiza, entre Sanxenxo e O Grove, existe, também, uma “senhora”: a “Senhora da Lanzada”.
Não se sabe se apareceu a pastorinhos ou a uma qualquer Bernardete. Sabe-se, isso sim, que é virgem, como convém, e que é remédio santo para arranjar um bom marido e/ou para ter filhos. Infelizmente, o prospecto publicitário é omisso quanto a arranjar uma boa esposa (ou uma esposa boa, que não é a mesma coisa). Quanto à forma de arranjar o tal bom marido e/ou um filho (dizem-me que os ginecologistas andam todos pelo desemprego, naquela zona) basta que a requerente entre na água da praia que banha a ermida no último sábado de um mês que não tenha a letra R (tem graça, dizem que o marisco também não se deve comer nesses meses…) e, molhando-se até ao ventre,
receba o impacto de nove ondas. O prospecto é, neste ponto, muito exigente e taxativo: nem uma onda a mais, nem a menos. Têm que ser nove, porque o nove é o inverso do treze (?????).
Bom: para arranjar marido não sei, porque nunca experimentei; mas para ter filhos, sei que há uma maneira mais fácil, menos molhada e bem mais saborosa. Provavelmente, as moças de A Lanzada é que a desconhecem…
A publicidade é que não tem limites… Mas eu ainda me vou enternecendo com estas manifestações de ingenuidade.
Ou será de estupidez e obscurantismo?
OS ÍCONES RELIGIOSOS
17 08 2008Comentários : Leave a Comment »
Categorias : HUMOR, RELIGIÃO, VIAGENS
AH! POVO TRABALHADOR!!!
17 08 2008Fui passar uns dias à Galiza. Nada de especial, a chuva normal do mês de Agosto, temperaturas a fazer saudades do inverno (bem mais quente, ultimamente).
Quis o acaso, entidade que, quando quer, não há nada a fazer, quer quer, ponto final, que travasse conhecimento com uma jovem portuguesa, que trabalha no bar do restaurante onde nos (eu a e minha mulher, que o respeitinho é muito lindo) abastecíamos de combustível para os respectivos esqueletos. A jovem conversava com outro portugu
ês (vai-os havendo, por lá, por terras galegas) e o tema da conversa era o trabalho. Depreendemos que a jovem era emigrante (não era nada difícil chegar a tão brilhante conclusão) e a fasquia da escala da minha admiração começou a subir quando a jovem proclamou algo como “trabalho não falta, para quem quiser trabalhar. O que não há é emprego”.
De caminho metemos conversa, e a jovem acabou por dizer algo que colocou a minha admiração no seu máximo: “Entro às oito da manhã, saio às cinco da tarde. Volto a entrar às oito da noite, até à uma da manhã. Mas das cinco às oito (no intervalo para descanso, portanto) ainda vou fazer umas limpezas”.
Ah! Grande portu
guesa! Ah! mulher d’um raio! É desta cepa que elas se fazem! Imaginem só o que seria se esta mulher trabalhasse assim, em Portugal. Mas em Portugal é impensável uma situação destas. Não que os patrões (alguns, entenda-se!) não quisessem; a trabalhadora é que não estava, de certeza, pelos ajustes. Patrão que tentasse, sequer, que a empregada trabalhasse uma hora mais, tinha as autoridades e a Intersindical à perna; ou pagava as horas a dobrar. Em Espanha, a jovem ocupa TRÊS postos de trabalho. Não tem dia de folga.
Por mil e duzentos euros por mês. Contou ela. Em Outubro, o restaurante fecha (a zona é balnear) para só reabrir lá para Maio do próximo ano.
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Categorias : EMIGRAÇÃO, VIAGENS
VINHO DE ALMEIRIM
28 12 2007Por vezes somos confrontados com notícias que nos fazem sorrir… Não de gozo, não de chacota, mas de simpatia. Esta, que respiguei do “Portugal Diário”, faz-nos pensar que, em termos de turismo, talvez nem tudo esteja perdido em Portugal.
Que os portugas têm ideias, é inegável… Já agora: quem nunca provou a fabulosa “sopa da pedra” merecia que a pena de morte fosse reactivada.
Os clientes dos restaurantes de Almeirim vão poder levar as garrafas de vinho que não consumam na totalidade dentro de sacos que a autarquia idealizou, num projecto que passa pela formação
e uniformização da apresentação dos funcionários, escreve a agência Lusa.
Pedro Ribeiro, vice-presidente da Câmara Municipal de Almeirim, disse esta sexta-feira à Lusa que a autarquia realizou uma primeira acção de formação que envolveu os responsáveis de 12 restaurantes da cidade.
Segundo disse, já a partir de Janeiro, todos os funcionários dos restaurantes que participaram nessa acção vão ter duas mudas de aventais, uma, cor de vinho e, outra, preta, com o logótipo «Almeirim, Capital da Sopa da Pedra» e a figura de um monge, uniformizando a sua apresentação.
Sacos serão opacos
A iniciativa dos sacos, que serão opacos com a inscrição «Vinhos de Almeirim», está já «estudada» e será apresentada no início de Janeiro aos responsáveis dos restaurantes e aos produtores, acreditando Pedro Ribeiro que poderão começar a ser distribuídos em Fevereiro.
«A ideia é promover os vinhos de Almeirim, permitindo que por exemplo um casal que queira beber vinho a uma refeição e que normalmente não consome uma garrafa o possa fazer levando o resto para consumir posteriormente», disse.
As acções de formação, que se vão repetir em Fevereiro para englobar todos os funcionários dos restaurantes interessados no projecto, incidem na melhoria do atendimento aos clientes e no serviço de vinhos, disse.
«Há uma dupla preocupação, dar uma boa resposta a quem nos visita e saber vender um bom produto do concelho», afirmou, sublinhando que o atendimento é o «melhor cartão de visita» para os milhares de pessoas que diariamente visitam Almeirim devido à sua restauração.
A tradicional Sopa da Pedra atrai milhares de pessoas aos restaurantes de Almeirim, gerando uma actividade económica directa, com a criação de postos de trabalho, e indirecta (como o fornecimento de vinhos, produtos hortícolas, enchidos, carne), considerada de «enorme importância» para o concelho.
Na zona junto à Praça de Touros, onde se concentra uma dezena de restaurantes, têm surgido postos de venda de produtos regionais, recordou.
«Acreditamos que as acções iniciadas terão um efeito multiplicador» junto de outros restaurantes, afirmou Pedro Ribeiro, frisando que a lógica é que a adesão à iniciativa da autarquia seja voluntária.
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Categorias : Não classificado, VIAGENS, informação
ISLANTILLA
11 11 2007
Situada no litoral ocidental da província de Huelva e na zona sudoeste da região andaluza, está posicionada num lugar privilegiado. Não se pode considerar uma povoação, é antes uma zona balnear repleta de empreendimentos turísticos. As semelhanças com o Algarve não vão além do facto de se situar no sul da Península Ibérica, mas são notáveis as diferenças, a saber:
- Não há mamarrachos em betão. As construções são feitas de modo a não “insultar” a paisagem.
- Os portugueses são tratados como pessoas (no Algarve, são tratados como portugueses, o que se torna desagradável, por vezes).
- Os preços são incrivelmente mais baratos do que em Portugal – o que é compreensível; os espanhóis ganham mais do que nós, à excepção do primeiro-ministro, que ganha menos que o nosso.
- As praias e ruas estão impecavelmente limpas, e todas as estruturas são alvo de manutenção durante a chamada “época baixa”.
Por tudo isto – e mais, que seria fastidioso enumerar – Islantilla (Islantilha) merece que se percorram mais uns (poucos) quilómetros.
Podem ver algumas fotografias, AQUI.
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Categorias : VIAGENS
Por terras de Pedro, "O Grande"
11 10 2007Noites Brancas…
Chamavam-lhe Pedro, “O Grande”.
Neste caso, o epíteto “O Grande” não se refere a grandiosidade, mas a tamanho. Com mais de dois metros de altura, era mesmo “Grande”. Como se isso não bastasse, era completamente desproporcionado: a cabeça extremamente pequena em relação ao corpo, braços compridos, ombros estreitos, pés demasiadamente pequenos para o tamanho do corpo… Uma perfeita desconformidade.
Chamavam-lhe Pedro, “O Grande”; hoje chamam-lhe Pedro, o falecido…
Petrogrado, aliás Leninegrado, aliás S. Petersburgo.
Meia-noite menos um quarto. Aproximo-me da janela do hotel, para tirar uma fotografia ao pôr-do-sol…
Não, não. Não me enganei. Era meia-noite menos um quarto. Por isso lhes chamam as “Noites Brancas”. Brancas, porque não conhecem a escuridão, nesta altura do ano. Pelas quatro horas, começa a nascer o dia… que não chegou a morrer.
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S. Petersburgo é conhecida como a “Veneza do Norte” ou, também, “A Cidade dos Mil Palácios”. Um passeio de barco através dos seus inúmeros canais (mesmo sem o gondoleiro a cantar o “Cuore ‘ngrato”) dá-nos a real percepção de uma quantidade incalculável de palácios – qual deles o mais belo, pese embora o facto de muitos deles estarem a pedir obras de conservação.
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São poucos os táxis, em S. Petersburgo. Por duas razões, fundamentalmente: são relativamente caros (para os russos, evidentemente) e quase não são necessários, já que os transportes públicos satisfazem plenamente as necessidades e… são extremamente baratos.
Mas depois do jantar tudo se altera já que os transportes são mais lentos e não nos levam aonde nós queremos; e se não há táxis, há carros particulares que fazem o mesmo serviço… bem mais barato. Preço marralhado, naturalmente.
Há quem invista na compra desses carros particulares, como num negócio. E que faça disso modo de vida. Afinal, não é proibido “oferecer boleia”…
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Aterragem no Aeroporto Internacional de Moscovo, e as primeiras perplexidades dos companheiros de viagem: “Que raio de povo é este, que escreve Я em vez de R, e И em vez de N?!”
Afinal, a Praça Vermelha, de vermelho não tem nada. A explicação veio depois: no idioma russo antigo, “vermelho” (‘crassnaiá’) queria dizer “bonito”. O povo chamava-lhe “Praça Bonita” (que o é!).
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Mausoléu de Lenine (aliás, Vladimir Ilich Ulianov). Muito bem conservado, o cadáver. Quase não dá para acreditar.
Em cada patamar das escadas, um militar leva o dedo à boca, em ordem de “silêncio”. Um companheiro de viagem é formalmente convidado a retirar as mãos dos bolsos.
Terra de contradições: eles não gostavam do Lenine, mas respeitaram o seu cadáver, a ponto de o preservarem. Ainda há (muitas) estátuas do homem, embora muitas outras tenham sido apeadas. Lenine é, agora, uma curiosidade.
…notas pretas
O povo russo divide-se em duas categorias: os que ainda pensam que é o Partido que lhes paga o ordenado, e os que decidiram fazer pela vida. Os primeiros não gostam de turistas, principalmente se forem estrangeiros. Também não gostam de estrangeiros, principalmente se forem turistas. Podem ser encontrados nos hotéis, nos estabelecimentos comerciais e nos cafés, sempre disfarçados de empregados; os segundos podem ser motoristas de táxi, vendedores de artesanato e/ou “souvenirs”.
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Aos primeiros, o turista/estrangeiro (ou o estrangeiro/turista) não pode falar russo. Primeira reacção: espanto (“um estrangeiro a falar russo?”); segunda reacção: desconfiança (“será que estou a ouvir bem? Ou este gajo está a gozar comigo? A falar russo?!?!”); terceira reacção: arrogância (“nenhum #*+?! £@&%’»$º de um estrangeiro vem para aqui falar russo! Só nós, os russos, é que falamos russo!”).
Os segundos… até falam português! Eu ouvi.
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Hotel Sovetscaia (lê-se Советская), último dia. O jantar aproximava-se do fim, e o carrancudo (como é normal…) empregado colocou uma vasilha com água quente. Numa taça, pacotinhos de chá – um para cada pessoa! O nosso acompanhante interpelou o empregado (diálogos em inglês, devidamente traduzidos): “Café, por favor”. O empregado respondeu desabridamente: “Não é café, é chá!”. O acompanhante insistiu: “Eu pago! Os portugueses não bebem chá”. O homem ficou desnorteado: um turista atrevia-se a contrariá-lo! Chamou a chefe, que resolveu o problema: mandou substituir os pacotes de chá por outros tantos de café.
***
Controlo de passaportes, à saída, no aeroporto. A funcionária olhava atenta e alternadamente a companheira de viagem que me precedia; os segundos escoavam-se, e a funcionária não se desengomava. Até que pareceu acordar (segue-se o longo e elucidativo diálogo, que consegui traduzir do inglês):
Funcionária: “Na fotografia, o cabelo está loiro, mas o seu cabelo é castanho…”
Companheira de viagem: “É. Cada dia, cada cor. Amanhã, volta a ser diferente”.
O passaporte foi, finalmente, devolvido.
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Na Rússia dos czares, tudo pode acontecer.
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Pelo Alentejo
11 10 2007O Alentejo é lindo!!!
Foi uma grata surpresa, viajar por este mundo tão ignorado.

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