O PAÍS PRECISA "DISTO"????

23 08 2008



Face à recente vaga de assaltos, que tem assolado Portugal, a Oposição ao actual Governo exigiu a demissão do Ministro da Administração Interna (MAI). Jogada meramente política, está bem de ver – embora seja verdade que as forças de segurança não têm dado resposta cabal à crescente onda de crimes – cada vez mais violentos. Em resposta, o sr. ministro apressou-se a proclamar, “urbi et orbi”, que não se demitirá enquanto o país precisar dele.
Ora bem, várias hipóteses se colocam: ou o sr. ministro apanhou demasiado sol na moleirinha, ou tem um conceito megalómano de si próprio (excesso de auto-estima, talvez…), ou alguém lhe disse que o país precisava dele (o que já é grave) e ele acreditou (o que é ainda mais grave).
Porque, sr. ministro: de pessoas como V.ª Ex.ª está o país farto!
Há mais de trinta e quatro anos.





A EDP E OS CALOTEIROS

16 06 2008


Circula, por aí, o boato de que a EDP (Energias de Portugal) se prepara para cobrar aos consumidores pagantes e cumpridores, as dívidas feitas por consumidores não-pagantes, ou seja, relapsos (vulgo caloteiros). Só assim, suponho, a EDP conseguiria ultrapassar a asfixia financeira em que vive actualmente, precisamente por causa desses caloteiros. Segundo ouvi de passagem, trata-se de uma importância astronómica – cerca de 12 milhões de euros – que, a dividir por todos os consumidores cumpridores daria p’raí um euro a cada um. Nada que uma família abastada, como é o caso da esmagadora maioria das famílias portuguesas, não suporte.
A boa notícia é que, logo que as dívidas ditas incobráveis sejam liquidadas – pelos cumpridores, repito – ou seja, logo que a EDP tenha as contas equilibradas, passará a distribuir, pelos consumidores cumpridores, e como forma de prémio de lealdade, os seus parcos lucros. Pelo que me parece ser compensador este eurito que a gente vai pagar. Aliás, e como forma de diminuir o fosso existente entre ricos e pobres, parece que as distribuidoras de água, gás, telefones (fixos ou móveis) vão segu
ir o exemplo da EDP. Depois, é só dividir os lucros pelos consumidores que honram os seus compromissos. Pela parte que me diz respeito, já pedi catálogos de casas à venda, pois é desta que vou mudar de casa.
Só tenho medo é de que o Sr. Andrade, dono da mercearia onde me abasteço, siga o mesmo exemplo (tem o mesmo direito, acho eu). Não é por nada, é que, com os c
alotes que o homem tem (isto a julgar pela espessura do livro de calos), os lucros não devem ser grande coisa, e pouco me tocará quando chegar a altura da distribuição.





OS AUMENTOS

4 06 2008

Há muito tempo, mas ultimamente com mais frequência, temos vindo a ser bombardeados, pela comunicação social, com notícias de aumentos. E então, os “media” referem-se a aumentos de combustíveis, do pão, do leite e de outros bens essenciais, na vã tentativa de convencer o Bom Povo Português de que esses bens tinham aumentado. E a verdade é que há quem acredite (também não admira. Há quem acredite nas “aparições” de Fátima…)!!
Pois bem, é tempo de desmistificar essa paranóia com que tentam, quiçá, provocar desestabilização governativa, impedindo este Governo de continuar a criar melhores condições de vida para todos nós. O que já está quase… Por isso, só comunistas e ateus é que seriam capazes de fazer tal tipo de propaganda desestabilizadora.
O leite aumentou? É mentira! O pão aumentou? É mentira! A gasolina aumentou? Continuo a afirmar – e desafio quem queira desmentir-me: É MENTIRA!!!
Vamos fazer uma experiência. O leitor/a vá ao supermercado mais próximo, e compre um pacote de leite. Observe bem. Que quantidade de leite tem? UM LITRO. Exactamente a mesma quantidade que tinha no ano passado, há dois anos e – pasmem! – no século passado. Como podem verificar, não aumentou.
O pão: mandem pesar o pão. Em princípio, cada unidade deve pesar 50 gramas (refiro-me ao tradicional molete). Mas o certo é pesar menos. Ora, só se poderia dizer que o pão aumentou se cada unidade pesasse mais de 50 gramas. No que não acredito…
Quanto à gasolina, é só apelar à memória. Que quantidade metia, no princípio do ano, com 10 euros? E hoje? Faça as contas – que até nem são difíceis – e diga-me onde foi que a gasolina aumentou.
Ná! Em Portugal, bens de primeira necessidade não aumentam. Aumentam, sim, os preços, o desemprego, a distância entre ricos e pobres, a corrupção, os compadrios… Mas os bens??? Nem pensar!!!





A BEM DO POVO

26 12 2007


Lê-se, nos jornais, que o Serviço de atendimento permanente de Alijó – a exemplo de muitos outros – vai fechar, a despeito dos protestos das populações. Com a lata que o caracteriza, o ministro da tutela afirma que é “para o bem das populações”. Ainda de acordo com o governante, encerram-se os serviços devido à manifesta falta de qualidade.
À boa maneira deste governo, não se melhoram os serviços: encerram-se. O próprio ministro aceita que há falta de qualidade nos serviços mas, em vez de os melhorar, fecha-os. “Para bem da população”.
Será que não podia aplicar a mesma receita ao seu ministério? É que aquilo não tem qualidade nenhuma. Por isso, “para bem da população”, encerre-se o ministério – e ponha-se o ministro a fazer algo de útil.
Se é que ele sabe.





AMÉRICA LATINA: DITADURAS FORAM FRUTOS DO "OCIDENTE CRISTÃO"

5 11 2007

BUENOS AIRES, 4 NOV (ANSA) – Enrico Calami, diplomata italiano que ajudou a salvar a vida de centenas de perseguidos políticos na Argentina e no Chile, afirma que os golpes de Estados da década de 70 na América Latina foram “filhos do Ocidente cristão” e tiveram o consentimento do Vaticano.
Calamai, vice-cônsul e posteriormente cônsul italiano em Buenos Aires entre 1972 e 1977, recorda que o ditador argentino Jorge Rafael Videla foi aceito nas cerimônias fúnebres de João Paulo I, mesmo já existindo denúncias sobre desaparecidos na Argentina.
“Dá profunda tristeza constatar que até mesmo o Vaticano teve o mesmo comportamento” com os militares argentinos que as grandes potências ocidentais, lamenta Calamai em seu livro “Razón de Estado: Perseguidos politicos argentinos sin refugio”, lançado recentemente em Buenos Aires.
O livro de Calamai, em sua edição em espanhol, será apresentado nesta quinta-feira na sede da Secretaria de Direitos Humanos da Argentina em Buenos Aires. (ANSA)
04/11/2007 16:02





O PADRE DOS TORTURADORES

18 08 2007

O padre argentino Christian von Wernich, de 69 anos, está a ser julgado no tribunal de La Plata, a 50 quilómetros de Buenos Aires (Argentina), acusado de cumplicidade em 40 raptos, de 31 casos de tortura e sete assassínios. Tudo isto se terá passado entre 1976 e 1983, durante a ditadura militar, altura em que desapareceram das cadeias militares e policiais entre 13 mil e 30 mil pessoas. Christian von Wernich era capelão da polícia da província de Buenos Aires, polícia que espalhou o terror sob as ordens do general Ramon Camps, de quem o padre era confessor. No tribunal de La Plata têm desfilado antigos prisioneiros que acusam o sacerdote – que ficou conhecido por “O Corvo” – de convencer os prisioneiros a confessar em troca de não serem torturados e depois participar pessoalmente nas sessões de tortura. O militante de esquerda Carlos Zaidan contou uma cena a que assistiu a um jornalista do diário “Le Monde”: “Ele falava com voz suave e jovial para convencer um casal a falar, a fim de evitarem ue os dois filhos, que haviam sido presos com eles, fossem torturados”.

Um das acusações envolve o padre de ter assistido o assassinato de sete montoneros, à época uma organização de guerrilha nacionalista burguesa contra o regime militar. Ele foi responsável por fazer uma espécie de mediação entre os presos políticos e a polícia. O acordo consistia em libertar os presos caso estes resolvessem dar informações significativas às forças de repressão. No entanto, mesmo com a colaboração dos montoneros, todos foram sumariamente executados, em 1977.

“Vocês causaram muito dano ao país com suas bombas e atentados. A dor é a maneira de redimir o mal”. Esta era a máxima do padre Christian von Wernich em tempos de atividades, uma máxima muito cristã, como se pode ver.

Numa das poucas declarações do padre à imprensa, em 1984 ele disse: “Não temo que por essas acusações me tirem o sacerdócio. Sei bem o que fiz e com quem o fiz. Ninguém vai me proibir de celebrar missas nem perderei nenhuma das minhas atribuições. Quando for o momento, a Justiça decidirá” (Folha de S. Paulo, 6/7/2007).

A figura de Christian von Wernich como padre revela a verdadeira atuação da Igreja Católica durante as ditaduras militares na América Latina, trabalhando como delatores – quando recebiam informações de “pecadores” nos confessionários, torturadores e assassinos.