A LINHA DO TUA

27 08 2008


Acabo de ler – e ouvir, e ver – que o inquérito ao acidente da linha do Tua resultou como algumas autópsias: branco. Ou seja, não houve causas para o acidente.
O autarca de Mirandela, colocado perante os factos indesmentíveis, acabou por atribuir o acidente a uma eventual intervenção do Divino Espirro (perdão: Espírito) Santo. Blasfémia!!! Toda a gente sabe que o Divino Espírito Santo tem, como função, engravidar jovens virgens. Por isso é que tem tido tão pouca procura…
Adiante.
Algo está mal, neste inquérito. Ou ele não foi bem feito, ou houve alguém que se “mexeu”. Porque, por norma, este tipo de inquéritos conduz sempre a uma conclusão. Seja ela qual for.
Aqui, houve falha nítida. E os portugueses querem uma resposta. Ou seja, querem um bode expiatório. Se a culpa não foi da linha, se a culpa não foi da composição, ao menos crucifixe-se o maquinista!!! Os portugueses não podem é continuar sem culpados.
O maquinista serve perfeitamente, à falta de melhor.





A EDP E OS CALOTEIROS – A RESPOSTA DA DECO

26 06 2008

Há dias, a propósito da iluminada atitude da EDP, que pretende que os cumpridores paguem pelos relapsos, escrevi um artigo neste mesmo blogue. Momentos antes, tinha enviado uma mensagem à DECO acerca desse mesmo assunto. Eis a resposta que aquela Associação me enviou, hoje mesmo:

Exmo. Senhor

Acusamos a recepção do seu contacto via e-mail, o mesmo mereceu toda a nossa melhor atenção.

No que respeita ao seu conteúdo, começamos por informar que a questão que, cordialmente, nos coloca, foi apenas sugerida pela própria EDP mas não se encontra em vigor.

No entanto, tendo consciência da “gravidade” desta proposta, confirmamos que o nosso serviço de informação encontra-se atento a eventuais desenvolvimentos ou “avanços” que a empresa monopolísta tente manifestar!

Estamos perante uma matéria que, a ser confirmada em texto de lei, iria atingir a maioria dos consumidores e, mais grave ainda, iria prejudicar os consumidores que, regularmente, pagam todas as suas facturas respeitantes a este serviço público essencial.

Quanto à nossa consideração sobre este assunto e, por enquanto, apenas podemos afirmar que, tendo em conta os princípios gerais de direito, no que respeita ao cumprimento das obrigações, não nos faz qualquer sentido que os consumidores que tenham todas as suas facturas regularizadas suportem, igualmente, uma quota parte da dívida global respeitante aos consumidores que, por alguma razão, não se encontram com estes mesmos pagamentos regularizados!

Agradecemos a sua chamada de atenção para esta matéria actual e que tanto preocupa os consumidores portugueses.

Da nossa parte, podemos afirmar que iremos tomar uma posição sobre o assunto e duvulgaremos a mesma, caso a EDP pretenda concretizar esta mesma “ameaça”!

Aproveitamos este contacto para apresentarmos toda a nossa disponibilidade quanto a eventuais futuras solicitações que nos pretenda dirigir.

Com os melhores cumprimentos.

O Serviço de informação
Deco / Proteste





Canta a rola, pia o Cuco – Adiafa

4 06 2008




PUBLICIDADE

28 05 2008

Bom.

Acontece que, muitas vezes, a nossa caixa de correio (electrónica ou não) é inundada por publicidade não desejada. Resultado: por norma, LIXO!!!

Mas quando se recebe publicidade DESTE TIPO, acho que o melhor é mesmo… observá-la atentamente.

NOTA: espere alguns segundos…





O (DES)ACORDO ORTOGRÁFICO

22 05 2008

Tenho recebido algumas mensagens electrónicas convidando-me a assinar  uma petição “online” contra o novo Acordo Ortográfico. Confesso que tenho reenviado todas as mensagens sem apor a  minha assinatura.  Reenvio, para não ser acusado de  boicotar uma iniciativa que (presumo) foi lançada na rede  com a melhor das intenções. Mas não assino por razões que passo a explicar – correndo, embora, o risco de parecer  contraditório , incongruente e/ou  incoerente.

Vamos a isso.

Desde logo, tenho sérias dúvidas de que este (ou qualquer outro) Governo  emende a mão  de uma decisão tomada pela maioria. Esses, sim, seriam incoerentes. Por isso, acho que petições e outros movimentos mais não servem do que para – como dizem os brasileiros – boi dormir.

Depois, acho que muito do barulho que se faz à volta do assunto não tem razão de ser e, além disso, denota uma certa hipocrisia e muito seguidismo.

A língua portuguesa não é uma língua estática. Pelo contrário, é uma língua extremamente dinâmica, o que significa que deve adaptar-se às exigências exógenas. Ainda não há muito tempo que, por exemplo, a palavra “embraiagem” era considerada um execrável galicismo, mas hoje está perfeitamente integrada no nosso léxico. Estou certo de que muitas das palavras inglesas que utilizamos na informática acabarão por se adaptar à nossa linguagem.

Além disso, as alterações ortográficas não são novidade, nem uma moda. Ainda não há assim muito tempo que se escrevia “hontem”, “pharmácia”, “telephone”, por exemplo. Por isso, não me parece assim tão grave que se passe a escrever ato em vez de acto, também por exemplo. Claro que os mais puristas poderão alegar que se confunde “ato” de atar com “ato” de acção (ação). Eu posso contrapor que, como há dias li num jornal (seja-me perdoado o plágio) todos os dias acordo a pensar no acordo. Palavras completamente diferentes, que se escrevem da mesma forma e se lêem de maneira distinta. Ainda não vi ninguém a escandalizar-se com o facto. Entretanto podem dizer-me o que está o “C” a fazer em “facto”.

Tudo bem. É discutível.

Só que me parece extrema hipocrisia a preocupação com estas minudências ao mesmo tempo que se permite a invasão de estrangeirismos – principalmente anglicismos na língua portuguesa. Quem acha bem chamar “shopping” a um corriqueiro centro comercial não tem o direito de berrar contra “ação” em vez de acção; quem não se incomoda que a publicidade televisiva insira frases estrangeiras nos seus anúncios (“I’m lovin’it”) não deve perder o sono com o medo de confundir um “fato” com roupa para homem.

Quer isso dizer que estou de acordo com o acordo? Nem por sombras. Principalmente pela forma como foi feito. Podem acusar-me de chauvinismo bacoco. Estejam à vontade. Mas uma coisa é a dinâmica da língua portuguesa; outra coisa são as bajulações. Se alguém tem de se aproximar da língua-mãe, são os filhos. Os países lusófonos aprenderam a falar português connosco; não têm que nos dar lições. Se eles decidiram alterar a língua que lhes foi ensinada, o problema é deles. Mas não me parece correcto que nós vamos atrás das alterações.





PARA MEDITAR…

9 05 2008

O Texto abaixo foi extraído de um fórum da Net que eu frequento.

Não faço comentários. Leiam, por favor.

Olá a todos?

Envio-vos uma carta escrita por um amigo meu que faleceu no mês passado.

Ele escreveu esta mensagem poucos dias antes de morrer e pediu para divulgá-la.

O texto é extenso, mas penso que vale a pena ler até ao fim.

Não é nada de novo, simplesmente aconteceu com um amigo.

Eu não o via há uns 7 anos e também nunca mais falei com ele. A realidade é que também nunca mais vou falar.

O Ricardo tinha 35 anos, morreu novo, a causa da morte foi a sua inconsciência.

Pediu para divulgar a mensagem aos seus amigos e aos amigos dos seus amigos.

Penso que é importante não deixarmos passar em branco.

Detalhes Adicionais

A TODOS OS MEUS AMIGOS
E AOS AMIGOS DOS MEUS AMIGOS

Chamo-me Ricardo Matos, tenho 35 anos e não sei se faço os 36!
Irónico? Não. Sou realista… e já vão perceber porquê.
Sou casado (em união de facto, o que para mim é a mesma coisa) há 6
anos. Um casamento feliz, vários desentendimentos ao longo deste tempo,
mas nada que possa ter posto em risco os sentimentos fortes e recíprocos
entre mim e a mulher da minha vida – a Paula. A prova está nos 2 seres
mais importantes do mundo para mim – os meus piolhinhos – Nádia e
André.

A Nádia nasceu 1 ano depois de nos juntarmos – veio alterar por completo
a nossa vida – os serões com os amigos passaram a ser em casa, o Bairro
Alto e o Lux passaram para 2º plano. Mas não fez mal, pois a nossa maior
alegria era partilhar todos os momentos com a nossa filhota. Cada gracinha,
cada progresso do seu crescimento tinha que ser vivido pelos 2, ou
sentiríamos inveja um do outro (no bom sentido).
Passaram 3 anos e nasceu o André. Espevitado e muito manhoso, sempre
foi um terror, desde o dia em que nasceu. Veio alegrar ainda mais a nossa
vida.
Antes de nascer o André, passei por um período complicado. Eu e a Paula
discutíamos muito, a gravidez dela foi complicada, ela passou muito mal, o
humor dela alterou-se completamente, teve algumas complicações e ficou
de baixa a partir do 4º mês de gravidez… e eu não tive paciência nem
coragem para a apoiar.


Eu e a Paula chegávamos a discutir sobre quem
deveria levar ou ir buscar a Nádia ao infantário. Eu achava que ela deveria
fazê-lo por estar em casa “sem fazer nada”, ela dizia-me com toda a razão
(hoje admito), que se estava de baixa, por algum motivo era. Não podia
fazer esforços nem pegar em pesos, mas eu, no meu mais puro egoísmo,
nunca parei para pensar. Eu não fui um bom marido, nem um bom pai,
optei pelo caminho mais fácil e refugiei-me nos meus amigos, na noite, nos
copos… O ambiente em casa ficou de cortar à faca, tudo era problema para
a Paula, em contrapartida, lá fora tudo era maravilhoso, não havia stress
com nada, eu era solicitado pelos meus amigos, ninguém fazia perguntas,
ninguém me criticava, tudo era perfeito!!!


Até que um dia, numa das minhas saídas nocturnas, conheci mais
profundamente uma das amigas da noite: o nome dela era Mónica, tinha 25
anos, não era propriamente bonita, mas era aquilo que se chama “um
chuchusinho”. Até esse dia, brincávamos um com o outro, provocávamonos
mutuamente, chegámos até a trocar uns beijinhos inocentes, nada de
importante. Mas nessa noite, foi diferente, eu tinha vontade de extravasar,
não me apetecia pensar na minha vida actual, naquele momento, rejeitei
completamente pensamentos sobre a minha vida, a minha mulher, a minha
filha… o meu filho que vinha a caminho. Acabei a noite num hotel, achando
que o meu acto era apenas um desabafo, pois se a minha vida estava
virada do avesso, que mal fazia tentar alegrar-me um pouco?!


Cheguei a casa à hora do almoço, deparei-me com a cara da minha mulher,
a cara de quem tinha passado a noite em branco, angustiada e triste. A
minha filha não entendia nada, apenas ficou feliz por ver o pai, sem
perceber porque é que ele passou a noite fora.
Desculpei-me com os copos, arranjei o álibi perfeito, disse que bebi demais,
não estava em condições de conduzir e fiquei a dormir no carro, juntamente
com um amigo.


Não sei se a Paula acreditou. Só sei que não disse mais nada. Eu senti-me
mal, mal por mentir, mal porque senti nojo de mim próprio, pelo que tinha
acabado de fazer. Uma noite perfeita acabou num peso brutal na minha
consciência. A Paula não merecia nada do que eu tinha feito.
O tempo foi passando, as mágoas foram-se atenuando, mas as coisas entre
mim e a Paula nunca mais foram as mesmas. Até que nasceu o André. Aí,
baixámos as armas por completo e prometemos um ao outro que nunca
mais íamos deixar as coisas chegar à exaustão.


Éramos uma família e
tínhamos que lutar por ela, por nós e principalmente pelos nossos filhotes.
Esqueci o assunto, “redimi-me dos meus pecados”, dedicando-me à minha
família. Mas sempre que me olhava ao espelho, sentia-me um cobarde pela
traição e por não ter assumido os meus actos. Mas também, isso poderia
estragar tudo. Era melhor ninguém saber de nada.
Há cerca de um ano atrás, a Paula foi ao médico, por causa de umas dores
que andava a sentir. Fez exames e detectaram que tinha quistos nos
ovários.


Teve que ser operada e para tal, foi submetida a uma série de
análises – prática comum antes de uma cirurgia. Entre as análises estava a
avaliação sobre o HIV. Qual o problema? Nenhum. Nunca poderia acusar
nada… mas acusou. A Paula estava infectada com o vírus da sida e a
tempestade caiu de novo nas nossas vidas.
Tive que admitir o meu erro e automaticamente, fiz também análises.
Estava também infectado, fui eu o causador de tudo, de certeza absoluta.
Lembrei-me da inconsciência daquela noite, de tudo o que fiz e do que não
fiz.


Como é que eu pude fazer o que fiz sem usar preservativo, com uma
pessoa que eu conhecia há tão pouco tempo. Mas tinha tão bom aspecto…
quem haveria de dizer…
Percebi também porque é que os antibióticos que andava a tomar não
faziam efeito como deviam.
Estraguei a minha vida, a vida da minha mulher, dos meus filhos, dos meus
pais, de toda a família. A Paula ficou portadora do vírus, por minha culpa. A
lição que aprendi, a um custo tão elevado foi que o amor vence tudo. A
Paula deu-me uma chapada psicológica que eu nunca vou esquecer.


Perdoou o que eu lhe fiz e tem-me proporcionado os melhores momentos
da minha vida.
Hoje, estou deitado numa cama, sem fazer esforços. Estou com uma
broncopneumonia grave, o meu organismo não responde aos tratamentos,
não sei quantos dias vou durar.
Se me safar desta vez, vou continuar a viver cada momento como se fosse
único.
Estou angustiado por não haver nada a fazer, pelas consequências do meu
acto inconsciente.
Quanto à minha amiga, a Mónica, perdi-lhe o rasto, tentei contactá-la logo
que aconteceu tudo, mas nunca atendeu. Será que sabia o que tinha?
Quantas mais pessoas teriam a mesma coisa? Estas são perguntas para as
quais nunca vou ter resposta.
Percebi a importância da vida, que, se tivesse uma 2ª oportunidade, nunca
desperdiçaria os melhores momentos, as gracinhas dos meus filhos, o amor
da minha mulher.
Porque escrevo?
Porque quero passar a mensagem a todos os meus amigos e a todos os
amigos dos meus amigos.
Eu não tive uma 2ª chance, não pude voltar atrás, estraguei tudo.
Por isso peço-vos:
Não desperdicem as oportunidades da vida.
Ponderem sobre o que é mais importante para vocês.


Quando “brincarem” com alguém, conhecido ou desconhecido, por mais
confiança que possam ter, protejam-se. O bom aspecto das pessoas não
indica se estão ou não contaminadas. Cuidado com as caras bonitas (isto é
válido também para as mulheres, claro).
Mesmo com protecção, façam o teste HIV, porque nunca se sabe.
Quando o fizerem, se estiverem a trair alguém como eu (custa muito
admitir, mas foi mesmo traição o que eu cometi), cuidado, pensem que não
podem estragar mais ainda a vida das pessoas.
Eu não consegui voltar atrás mas quero que o meu caso sirva de exemplo.
Não vou chegar aos 36 anos, vou deixar para trás uma história de vida
muito bonita, os meus filhos, a minha mulher, toda a minha vida.


Eles vão
ficar marcados para a vida toda, principalmente a Paula que tem a vida dela
estragada à custa da minha irresponsabilidade.
Peço que não escondam nada dos meus filhos, quero que lhes contem tudo
o que o pai fez, que lhes mostrem esta carta, quando puderem entender.
Perdi o rasto a muitos amigos de escola, da faculdade e de outros
andamentos. Por isso mesmo, quero pedir a quem tem esses contactos, que
forme uma corrente e mostre a minha mensagem.
O meu exemplo tem que servir para alguma coisa. Como não posso viver,
pelo menos a minha morte poderá evitar outras, assim o espero.


Às pessoas que me conhecem, provavelmente vão ler a mensagem depois
da minha morte: nunca tive inimigos por isso posso dizer que tive todo o
prazer em vos conhecer, em ser vosso colega, vosso amigo… não chorem a
minha morte, ou se chorarem, sorriam ao mesmo tempo e pensem que a
vida é maravilhosa, basta nós querermos.
Por último, peço a todos os que lerem a minha mensagem, que pensem
sobre o significado de curtir a vida.
Curtir a vida não é fazer o que eu fiz. Pensem muito nisso.
CURTAM, PROTEJAM-SE E VIVAM FELIZES!!!
Com saudades da vida
Ricardo Matos
Lisboa, 27 de Fevereiro de 2008




Padre Pinto e seu SHOW GAY na IGREJA

30 03 2008

A esta missa, eu vou.





ACHMED – O TERRORISTA MORTO

28 02 2008

Infelizmente, os homens-bomba suicidam-se porque julgam ir direitos para o Paraíso (seja lá isso o que for). Este terrorista revela TODA a verdade.
A não perder!!!





O DEUS DE BONDADE

21 02 2008
Eu faço minhas as suas palavras. Um deus que, pelo menos por duas vezes, não foi capaz de evitar a morte de crianças – e permitiu-o por puro egoísmo e execranda vaidade – não merece ser adorado.
Felizmente, não existe.




FUMADORES, FUNDAMENTALISMOS, ETC

4 01 2008

O meu companheiro de “bloguices (e muito querido irmão) João Moreira publicou, no seu novo blogue “Vai-me à Loja“, um interessante artigo acerca da recente “lei do tabaco”. De acordo com o bloguista, trata-se de um exemplo de uma pequena ditadura isto porque, no seu entender, ao comprar tabaco está a contribuir para os cofres do Estado. Logo, tem o direito de fumar onde muito bem lhe apetecer, já que, sendo fumador, não pode – nem deve! acrescento eu – ser considerado cidadão de 2ª. Como ex-comprador de cigarros que sou (julgo que, a partir de agora, poderei ser considerado ex-fumador), não pude deixar de comentar o artigo.
Por isso, depois de ler o artigo venha até aqui. Para ler o comentário que deixei, e que é:

O fundamentalismo, seja ele de que tipo for, é sempre uma atitude que enviesa o raciocínio e embota a razão. Veja-se, por exemplo, o recente discurso do Patriarca de Lisboa, que atribui ao ateísmo e à laicidade todas as desgraças do mundo. Esqueceu-se, precisamente por se encontrar com o raciocínio embotado, da Inquisição, das Cruzadas, das inúmeras “guerras santas”, dos que em nome de Allah se fazem explodir todos os dias, e daqueles milhões que morreram às mãos de um Deus insano, psicopata e odioso (ler a Bíblia), em contraposição com os ZERO mortos em nome do ateísmo, embora não possa negar que houve e continua a haver ateístas assassinos, bem como religiosos humanistas; mas os ateus já foram perseguidos por não serem religiosos, e não me recordo de algum religioso ter sido perseguido para se tornar ateu. Pois bem, para não ficarmos com a mente perturbada, como o Zé Policarpo, tentemos raciocinar com calma e lucidez.

Desde logo, a lei que recentemente entrou em vigor nem é “lei anti-tabaco” nem “lei anti-fumadores”. Se alguém lhe chamou “lei anti-tabaco” deve ter sido qualquer um jornalista possivelmente tão lúcido como o Zé Policarpo. Como dizes – e eu assino por baixo – para ser lei “anti-tabaco” era preciso que houvesse proibição desse mesmo tabaco – preparação, manipulação, fabrico de cigarros e outros produtos de tabaco, etc.; mas, para ser lei “anti-fumadores”, tinham estes de ser impedidos de fumar – o que não é minimamente verdade. Trata-se, então, de uma lei “pró não-fumadores”, o que é diferente.

Desde que o homem começou noção dos seus direitos que logo estes começaram a conflituar com os direitos dos restantes. Sempre foi assim, e sempre assim há-de ser. Não é do meu tempo, mas deve ter havido uma época em que os homens andavam com as “pendurezas” à mostra. E tudo corria bem, até que, por inveja ou complexo de inferioridade, alguém entendeu que não tinha obrigação de ser constantemente confrontado com as “pendurezas” alheias. Daí até ao corte do direito que todos tinham de exibir os seus atributos, foi um passo de pardal. Claro que, na altura, os jornais nem uma linha publicaram acerca do assunto – e não foi por causa da censura: foi porque não havia jornais.

No fundo, é disso que se trata: os fumadores têm todo o direito de fumar, as vezes que lhes apetecer, as quantidades que lhes apetecer; mas os não fumadores têm o direito de não levar com o fumo do tabaco nas trombas. E é isto, apenas isto, que a lei protege – ou quer proteger.

Há anos, circulava pelas repartições públicas um panfleto engraçado. Dizia, mais ou menos, isto: “Você gosta de fumar, eu gosto de beber cerveja; o resíduo do seu prazer, ao fumar, é o fumo; o resíduo do meu prazer em beber cerveja, é a urina. Você deita o seu fumo para cima de mim; gostava que eu lhe mijasse para cima?”

Já agora: alguém se está a preocupar com outros importantes direitos que estão a ser retirados? Refiro-me, só, e por exemplo, ao constitucionalmente estabelecido direito à saúde.