OS NOVOS INQUISIDORES

8 02 2008


O semanário “Sol” revela nas suas páginas a mais recente forma de Inquisição.
Como todos sabemos, na Idade Média, também conhecida por “Idade das Trevas”, era costume os pios católicos realizarem apetitosos churrascos onde eram primorosamente assados todos aqueles que não concordavam com as beatices, ou que tinham ideias diferentes acerca de determinados aspectos. Giordano Bruno, por exemplo, foi assado por considerar que o Universo é infinito, coisa que muito desagradava à “Santa Madre Igreja”; também Galileu Galilei se viu em palpos de aranha (e acabou por se desmentir) com a “Santa Inquisição” por ratificar a teoria heliocêntrica de Copérnico.
Ora, como toda a gente sabe, actualmente não se condena ninguém à fogueira; o mais que pode acontecer é as pessoas morrerem apedrejadas (lapidadas) por negarem o Islão, ou por quererem converter-se a outra religião. Os judeus não têm, já, necessidade de se disfarçarem de cristãos, fazendo as famosas alheiras para que os esbirros do Santo Ofício pensassem que eram enchidos de porco, mas os católicos continuam a rezar pela sua conversão.
A verdade é que até mesmo os mais empedernidos católicos, defensores da ideia de que um improvável deus criou tudo, acabam por se render à tecnologia. Parece que ainda não disseram que foi Deus que criou o computador o que, a acontecer, muito agradaria a Bill Gates. Far-lhe-ia bem ao ego, de certeza.
Adiante.
Fazendo jus à famosa tolerância cristã, alguns “hackers” fanáticos invadem páginas ligadas a grupos de discussão ateísta. O cristianismo no seu melhor! Por que será? Será que, no subconsciente, têm inveja dos ateus, por estes seguirem os próprios pensamentos, e não aqueles que lhes são impostos por um qualquer calhamaço dos embustes? Ou será que têm medo de que o racionalismo acabe por impor as suas razões sem o recurso ao uso da força? Por que razão estes novos inquisidores não apresentam os seus argumentos nas discussões? Será por saberem que serão vencidos em toda a linha?
Onde falha a razão, aplica-se a força. Mesmo que irracional.





O VATICANO VOLTA A ATACAR

16 12 2007
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Vaticano diz que fiéis devem evangelizar não-católicos

Estes títulos têm aparecido em várias publicações, e não deixam de causar – pelo menos a mim – algumas perplexidades. Vejamos:
“Vaticano reafirma o direito de evangelizar”. O direito de evangelizar???? Será que o Vaticano (leia-se “o sr. Ratzinger”) alguma vez se lembrou que há muita gente que tem o direito de não ser evangelizada? E que esse direito é irrenunciável – para aplicar uma palavra do sr. Ratzinger?
Eu compreendo perfeitamente o desespero do sr. Ratzinger: a conco
rrência é feroz, há cada vez mais igrejas (todas elas a seguirem a verdadeira palavra de Deus), os crentes são, naturalmente, cada vez menos, uns porque deixaram de acreditar em aldrabices, outros porque foram procurar aldrabices diferentes, com melhores milagres e dízimos mais baratos, e os cofres do Vaticano acabam por se ressentir. Daí o projecto de Ratzinger: toda a gente católica, JÁ! Daí, também, que ele considere a evangelização um direito. Que seja um dever, aceito. Agora um direito…
De qualquer modo, não se pode ser mais hipócrita. Os direitos, para o sr. Ratzinger, são aquilo que ele entender. Para ele, evangelizar é um direito; mas o casamento, direito que está bem plasmado na Declaração Universal dos Direitos do Homem, é continuamente negado aos padres:

Artigo 16°

A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais.

Como é, sr. Ratinger?