O NORTE – por Miguel Esteves Cardoso

5 07 2008

O texto que se segue foi-me enviado, via correio electrónico, por um amigo. O Pereira. Por norma, a gente lê e reenvia – ou repassa, como dizem os brasileiros. Mas este texto é especial. Para mim, que sou do Norte (e, certamente, para todos os nortenhos). Não quero arriscar-me a que este delicioso naco de prosa seja eliminado numa qualquer – e necessária – limpeza de caixa de correio. Não. Esta delícia tem de permanecer. Tem de continuar a existir. Por isso o transcrevo para o meu/nosso blogue. Para que fique.
Obrigado, Pereira.
Obrigado, Miguel Esteves Cardoso.

Primeiro, as verdades. O Norte é mais Português que Portugal. As minhotas são as raparigas mais bonitas do País. O Minho é a nossa província mais estragada e continua a ser a mais bela. As festas da Nossa Senhora da Agonia são as maiores e mais impressionantes que já se viram. Viana do Castelo é uma cidade clara. Não esconde nada. Não há uma Viana secreta. Não há outra Viana do lado de lá. Em Viana do Castelo está tudo à vista. A luz mostra tudo o que há para ver. É uma cidade verde-branca. Verde-rio e verde-mar, mas branca. Em Agosto até o verde mais escuro, que se vê nas árvores antigas do Monte de Santa Luzia, parece tornar-se branco ao olhar. Até o granito das casas. Mais verdades. No Norte a comida é melhor. O vinho é melhor. O serviço é melhor. Os preços são mais baixos. Não é difícil entrar ao calhas numa taberna, comer muito bem e pagar uma ninharia. Estas são as verdades do Norte de Portugal. Mas há uma verdade maior. É que só o Norte existe. O Sul não existe. As partes mais bonitas de Portugal, o Alentejo, os Açores, a Madeira, Lisboa, et caetera, existem sozinhas. O Sul é solto. Não se junta. Não se diz que se é do Sul como se diz que se é do Norte. No Norte dizem-se e orgulham-se de se dizer nortenhos. Quem é que se identifica como sulista? No Norte, as pessoas falam mais no Norte do que todos os portugueses juntos falam de Portugal inteiro. Os nortenhos não falam do Norte como se o Norte fosse um segundo país. Não haja enganos. Não falam do Norte para separá-lo de Portugal. Falam do Norte apenas para separá-lo do resto de Portugal. Para um nortenho, há o Norte e há o Resto. É a soma de um e de outro que constitui Portugal. Mas o Norte é onde Portugal começa. Depois do Norte, Portugal limita-se a continuar, a correr por ali abaixo. Deus nos livre, mas se se perdesse o resto do país e só ficasse o Norte, Portugal continuaria a existir. Como país inteiro. Pátria mesmo, por muito pequenina. No Norte. Em contrapartida, sem o Norte, Portugal seria uma mera região da Europa. Mais ou menos peninsular, ou insular. É esta a verdade. Lisboa é bonita e estranha mas é apenas uma cidade. O Alentejo é especial mas ibérico, a Madeira é encantadora mas inglesa e os Açores são um caso à parte. Em qualquer caso, os lisboetas não falam nem no Centro nem no Sul – falam em Lisboa. Os alentejanos nem sequer falam do Algarve – falam do Alentejo. As ilhas falam em si mesmas e naquela >entidade incompreensível a que chamam, qual hipermercado de mil misturadas, Continente. No Norte, Portugal tira de si a sua ideia e ganha corpo. Está muito estragado, mas é um estragado português, semi-arrependido, como quem não quer a coisa. O Norte cheira a dinheiro e a alecrim. O asseio não é asséptico – cheira a cunhas, a conhecimentos e a arranjinho. Tem esse defeito e essa verdade. Em contrapartida, a conservação fantástica de (algum) Alentejo é impecável, porque os alentejanos são mais frios e conservadores (menos portugueses) nessas coisas. O Norte é feminino. O Minho é uma menina. Tem a doçura agreste, a timidez insolente da mulher portuguesa. Como um brinco doirado que luz numa orelha pequenina, o Norte dá nas vistas sem se dar por isso. As raparigas do Norte têm belezas perigosas, olhos verdes-impossíveis, daqueles em que os versos, desde o dia em que nascem, se põem a escrever-se sozinhos. Têm o ar de quem pertence a si própria. Andam de mãos nas ancas. Olham de frente. Pensam em tudo e dizem tudo o que pensam. Confiam, mas não dão confiança. Olho para as raparigas do meu país e acho-as bonitas e honradas, graciosas sem estarem para brincadeiras, bonitas sem serem belas, erguidas pelo nariz, seguras pelo queixo, aprumadas, mas sem vaidade. Acho-as verdadeiras. Acredito nelas. Gosto da vergonha delas, da maneira como coram quando se lhes fala e da maneira como podem puxar de um estalo ou de uma panela, quando se lhes falta ao respeito. Gosto das pequeninas, com o cabelo puxado atrás das orelhas, e das velhas, de carrapito perfeito, que têm os olhos endurecidos de quem passou a vida a cuidar dos outros. Gosto dos brincos, dos sapatos, das saias. Gosto das burguesas, vestidas à maneira, de braço enlaçado nos homens. Fazem-me todas medo, na maneira calada como conduzem as cerimónias e os maridos, mas gosto delas. São mulheres que possuem; são mulheres que pertencem. As mulheres do Norte deveriam mandar neste país. Têm o ar de que sabem o que estão a fazer. Em Viana, durante as festas, são as senhoras em toda a parte. Numa procissão, numa barraca de feira, numa taberna, são elas que decidem silenciosamente. Trabalham três vezes mais que os homens e não lhes dão importância especial. Só descomposturas, e mimos, e carinhos. O Norte é a nossa verdade. Ao princípio irritava-me que todos os nortenhos tivessem tanto orgulho no Norte, porque me parecia que o orgulho era aleatório. Gostavam do Norte só porque eram do Norte. Assim também eu. Ansiava por encontrar um nortenho que preferisse Coimbra ou o Algarve, da maneira que eu, lisboeta, prefiro o Norte. Afinal, Portugal é um caso muito sério e compete a cada português escolher, de cabeça fria e coração quente, os seus pedaços e pormenores. Depois percebi. Os nortenhos, antes de nascer, já escolheram. Já nascem escolhidos. Não escolhem a terra onde nascem, seja Ponte de Lima ou Amarante, e apesar de as defenderem acerrimamente, põem acima dessas terras a terra maior que é o ‘O Norte’. Defendem o ‘Norte’ em Portugal como os Portugueses haviam de defender Portugal no mundo. Este sacrifício colectivo, em que cada um adia a sua pertença particular – o nome da sua terrinha – para poder pertencer a uma terra maior, é comovente. No Porto, dizem que as pessoas de Viana são melhores do que as do Porto. Em Viana, dizem que as festas de Viana não são tão autênticas como as de Ponte de Lima. Em Ponte de Lima dizem que a vila de Amarante ainda é mais bonita. O Norte não tem nome próprio. Se o tem não o diz. Quem sabe se é mais Minho ou Trás-os-Montes, se é litoral ou interior, português ou galego? Parece vago. Mas não é. Basta olhar para aquelas caras e para aquelas casas, para as árvores, para os muros, ouvir aquelas vozes, sentir aquelas mãos em cima de nós, com a terra a tremer de tanto tambor e o céu em fogo, para adivinhar. O nome do Norte é Portugal. Portugal, como nome de terra, como nome de nós todos, é um nome do Norte. Não é só o nome do Porto. É a maneira que têm de dizer ‘Portugal’ e ‘Portugueses’. No Norte dizem-no a toda a hora, com a maior das naturalidades. Sem complexos e sem patrioteirismos. Como se fosse só um nome. Como ‘Norte’. Como se fosse assim que chamassem uns pelos outros. Porque é que não é assim que nos chamamos todos?’





O VIDENTE… É evidente.

28 05 2008

Bom.

Parece que o “professor” Bambo caiu nas malhas da lei. Isto, a julgar pelas notícias.

Ora, parece que este facto devia levar-nos a profunda reflexão. Ou reflexões, para ser mais exacto.

Com efeito, o que se pode, desde já concluir, é que as pessoas precisam de “acreditar”. Seja no que for. Em último caso até acreditam nos políticos. Só que, como estes já não merecem grande crédito o “Zé Povo” vai acreditando em “Bambos” – e eles proliferam por aí. Basta ver os jornais. Uns, oriundos de África; outros, naturais de cá. Só que muitos dos naturais de cá não são apanhados pela polícia. Não que eles não mereçam, mas parece que há uma “concordância”, ou lá o que é, que lhes dá absoluta impunidade… Mas também prometem milagres. Ou, pelo menos, não são capazes de afirmar peremptoriamente que… não há milagres. Adiante. Estou a desviar-me da conversa.

O que importa, neste caso, é que seria interessante as pessoas começarem a pensar um pouco e a fazer perguntas. Eu sei que dá trabalho e cansa os neurónios. Mas não seria má ideia… Por exemplo: perguntar como é que o “vidente” não “viu” que a polícia lhe iria bater à porta. Ou como é que as divindades não protegem os seus adoradores.

Os “videntes” existem. Ainda não vi nenhum, a abrir falência ou a procurar trabalho honesto. Pelo contrário, vivem sem grandes dificuldades. Graças à ignorância.

Mas a verdade é que as religiões também não abrem falência.

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VINHO DE ALMEIRIM

28 12 2007

Por vezes somos confrontados com notícias que nos fazem sorrir… Não de gozo, não de chacota, mas de simpatia. Esta, que respiguei do “Portugal Diário”, faz-nos pensar que, em termos de turismo, talvez nem tudo esteja perdido em Portugal.

Que os portugas têm ideias, é inegável… Já agora: quem nunca provou a fabulosa “sopa da pedra” merecia que a pena de morte fosse reactivada.


Os clientes dos restaurantes de Almeirim vão poder levar as garrafas de vinho que não consumam na totalidade dentro de sacos que a autarquia idealizou, num projecto que passa pela formação e uniformização da apresentação dos funcionários, escreve a agência Lusa.

Pedro Ribeiro, vice-presidente da Câmara Municipal de Almeirim, disse esta sexta-feira à Lusa que a autarquia realizou uma primeira acção de formação que envolveu os responsáveis de 12 restaurantes da cidade.

Segundo disse, já a partir de Janeiro, todos os funcionários dos restaurantes que participaram nessa acção vão ter duas mudas de aventais, uma, cor de vinho e, outra, preta, com o logótipo «Almeirim, Capital da Sopa da Pedra» e a figura de um monge, uniformizando a sua apresentação.

Sacos serão opacos

A iniciativa dos sacos, que serão opacos com a inscrição «Vinhos de Almeirim», está já «estudada» e será apresentada no início de Janeiro aos responsáveis dos restaurantes e aos produtores, acreditando Pedro Ribeiro que poderão começar a ser distribuídos em Fevereiro.

«A ideia é promover os vinhos de Almeirim, permitindo que por exemplo um casal que queira beber vinho a uma refeição e que normalmente não consome uma garrafa o possa fazer levando o resto para consumir posteriormente», disse.

As acções de formação, que se vão repetir em Fevereiro para englobar todos os funcionários dos restaurantes interessados no projecto, incidem na melhoria do atendimento aos clientes e no serviço de vinhos, disse.

«Há uma dupla preocupação, dar uma boa resposta a quem nos visita e saber vender um bom produto do concelho», afirmou, sublinhando que o atendimento é o «melhor cartão de visita» para os milhares de pessoas que diariamente visitam Almeirim devido à sua restauração.

A tradicional Sopa da Pedra atrai milhares de pessoas aos restaurantes de Almeirim, gerando uma actividade económica directa, com a criação de postos de trabalho, e indirecta (como o fornecimento de vinhos, produtos hortícolas, enchidos, carne), considerada de «enorme importância» para o concelho.

Na zona junto à Praça de Touros, onde se concentra uma dezena de restaurantes, têm surgido postos de venda de produtos regionais, recordou.

«Acreditamos que as acções iniciadas terão um efeito multiplicador» junto de outros restaurantes, afirmou Pedro Ribeiro, frisando que a lógica é que a adesão à iniciativa da autarquia seja voluntária.





O LSS E O CANCRO (I)

17 11 2007

A internet é (devia ser!) um meio de comunicação por excelência. Ela aboliu, completamente, as fronteiras ainda existentes, e os antípodas estão à distância de um toque no botão do “rato” (vulgo clique). Dela nos podemos servir para protestar, elogiar, comprar, vender, fazer amigos virtuais… enfim, um nunca mais acabar de coisas, impensáveis há alguns anos. Mas também pode servir para dar largas à estupidez, à ignorância, à maldade, à má-língua e, de um modo geral, a tudo o que o ser humano tem de mais primitivo e reles.
Vem todo este
arrazoado a propósito de (mais) uma mensagem electrónica que, ultimamente, tem circulado no ciberespaço, e que recebi há dias. Passo a transcrevê-la:

Assunto: Alerta da Faculdade de Ciências – AVISO Data: Wed, 31 Oct 2007 12:53:11 -0000

PARA A NOSSA BOA SAÚDE!
Devem procurar o nome do composto em inglês: Sodium Laureth Sulfate.

Aos produtos abaixo identificados juntam-se o gel de banho da Sanex, os sabonetes líquidos do Carrefour e Feira Nova (produtos brancos) e o shampoo da Dove.

Verifiquem se entre os ingredientes do champoo que usam há uma substância chamada ” Lauril Sulfato de Sódio ou LSS.

Esta substância faz parte da composição da maioria dos champôs pois os fabricantes utilizam-na por ela produzir muita espuma a baixo custo. No entanto o LSS é usado para lavar chão de oficinas (é um desengordurante).

Verifiquei que o champô Vidal Sassoon não tem LSS, mas outras marcas como: VO 5, Palmolive, Paul Michell, Organics, Revlon Flex, Dimension o novo HernoKlorane champô, e muitas, muitas outras, contêm esta substância.

Ligou-se para um destes fabricantes,e foi-lhes dito que eles estavam a usar uma substância cancerígena. Eles concordaram com a afirmação, mas disseram que não podiam fazer nada pois precisavam dela para produzir espuma.

A pasta dentífrica Colgate (bubbles) também contém LSS.

Várias pesquisas têm mostrado que nos anos 80 a probabilidade de contrair cancro era de 1 em 8000 e nos anos 90 era de 1 em 3, o que é bastante grave.

Espero que tomem esta advertência com seriedade e a partilhem com as pessoas que conhecem, talvez possamos parar de “espalhar” por aí o”vírus” do cancro, evitando comprar champôs que contenham o LSS-Lauril Sulfato de Sódio, até que os seus fabricantes tomem a providência de substituir este componente por outro que não prejudique a saúde dos seus consumidores.

Por favor passem esta informação para o maior número possível de pessoas que isto não se trata de uma corrente, mas de uma preocupação com a nossa saúde.”

Faculdade de Ciências e Tecnologia

Universidade Nova de Lisboa

Dr.ª Catarina Roriz.”

Confesso que, a princípio, preocupava-me em repassar este tipo de mensagens; no
fim de contas, a Internet também pode, e deve, servir para lançar alertas e dar largas à nossa proverbial solidariedade. Só que comecei a notar muitas semelhanças nas diferentes mensagens. Principalmente, uma frase comum a todas: “Por favor passem esta mensagem para o maior número de pessoas“. Decidi parar para pensar. E, antes de a reenviar, decidi informar-me. Assim, enviei um email à DECO que, por qualquer razão (incluindo o endereço inapropriado) não respondeu. Por isso, resolvi arregaçar as mangas e investigar por conta própria. O que até nem foi difícil, nem precisei de sair de casa. Procurei na net.
E encontrei, claro.

(continua)