MILAGRE DE FÁTIMA?

13 02 2008

Muito sinceramente, hesitei bastante em publicar este artigo; e continuo a hesitar, por uma razão que me parece simples: quem não acredita, ou seja, quem é incréu, ateu, herege e outras coisas parecidas, está-se borrifando para o assunto; quem acredita, isto é, quem é crente, teofágico, sotainado, créu ou teodependente, mesmo perante a evidência nunca irá parar para pensar um pouco. Será sempre verdade o que lhe tem vindo a ser transmitido – mesmo que a evidência mostre o contrário. Porquê, então, todo este arrazoado? Por causa de uma mensagem electrónica que caiu na minha caixa de correio e que me causou algum alarme: afinal, a “vidente” Lúcia e a recém beatificada Lúcia, não são a mesma pessoa! Isto, claro, a julgar pelo conteúdo da página que me foi enviada.Na verdade, na fotografia à nossa direita está representada a Lúcia ainda “pastorinha”; observemos as feições, e concluiremos que, com o passar dos anos, a sua face evoluiria no sentido que se vê na imagem abaixo.


O que significa que o “resultado final”, quando a Lúcia tivesse os seus 40 anos, mais ano menos dia, seria mais ou menos este:

Dificilmente seria como este»»»»»»»»»»»»»»»»»»»».

O “resultado final” desta foto a cores, à direita, é…

Esta seta é para “desarmar” os que vierem com a história de dentaduras postiças… Uma gengivite é incompatível com dentaduras postiças.
Claro que eu não acredito que a ICAR tenha a ver algo com esta fraude; ela limita-se a, todos os anos, ressuscitar um tipo três (?) dias depois de morrer – o que também acontece todos os anos.





AS MISSAS SALVADORAS

6 01 2008

Desde há cerca de dois mil anos, mais coisa menos coisa, que uma sinistra entidade denominada ICAR se vem dedicando, metódica e impunemente, à lavagem cerebral de todos os que, caindo nas suas garras, delas não têm forças – ou acabam por não querer – para delas se livrar. Sem o menor retraimento, vão impingindo pombas a fecundar virgens, virgens a parir naturalmente, aparições que só alguns conseguem ver, milagres, santos às multidões – com destaque para JP2, o maior fabricante de que há memória – virgens de todas as espécies e feitios. E os cofres do Vaticano vão-se enchendo, com a graça de Deus. Só que quando tudo parece correr na paz do senhor, há-de aparecer alguém a borrar a pintura. É a chamada “areia na engrenagem”. No caso concreto, são os padres abusadores de menores. Infelizmente, é uma fauna que está longe de se encontrar em vias de extinção; pelo contrário, parece que se multiplica, mais depressa que os pães da anedota. De tal modo que ainda não há muito tempo os cofres do Vaticano se viram espoliados em largas somas de dinheiro, pago em indemnizações às vítimas. E a história é de tal modo escabrosa que, há dias, o bispo de Tenerife se viu na necessidade de mandar mais um pouco de areia para os olhos (dos crentes, entenda-se), transferindo a culpa para os jovens abusados. Mas era pouco. Mesmo sendo “culpados”, os jovens ainda podiam pedir chorudas indemnizações. Então, que fez o Vaticano? Determinou severos castigos para os prevaricadores? Não. Primeiro, instituiu o “Decálogo Básico Universal“. Mas ainda era pouco. Vai daí, um cardeal encontrou a fórmula milagrosa: missas. Sim, é verdade. Missas pelas vítimas. Sinceramente, como não sou psicólogo não sei quais os efeitos, nas vítimas, dos abusos sexuais cometidos, ainda para mais, por aqueles que, teoricamente, têm o dever de protecção – para além de outros; não sei, mas imagino. Por isso, nunca poderei saber de que modo as missas poderão minimizar ou extinguir esses efeitos. Não poderei saber, mas posso imaginar: ZERO! Esta atitude pia e cardinalícia nem sequer me merece comentários. Fiquei de boca aberta, ainda a mantenho, e só consigo comentar com a boca fechada. Por isso, em vez de comentar, pergunto: – Então, sempre é verdade que há padres que abusam de menores? – Quais serão os efeitos das missas que passarão a ser rezadas? – O que diz o bispo de Tenerife acerca do assunto? Porque, se há jovens que até provocam, eles também têm direito a missa? – Não seria mais viável rezar missas para que a padralhada perdesse a potência sexual? Ou será que o poder de Deus não chega a tanto? - E não se pode exterminá-los?





O VATICANO VOLTA A ATACAR

16 12 2007
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Vaticano diz que fiéis devem evangelizar não-católicos

Estes títulos têm aparecido em várias publicações, e não deixam de causar – pelo menos a mim – algumas perplexidades. Vejamos:
“Vaticano reafirma o direito de evangelizar”. O direito de evangelizar???? Será que o Vaticano (leia-se “o sr. Ratzinger”) alguma vez se lembrou que há muita gente que tem o direito de não ser evangelizada? E que esse direito é irrenunciável – para aplicar uma palavra do sr. Ratzinger?
Eu compreendo perfeitamente o desespero do sr. Ratzinger: a conco
rrência é feroz, há cada vez mais igrejas (todas elas a seguirem a verdadeira palavra de Deus), os crentes são, naturalmente, cada vez menos, uns porque deixaram de acreditar em aldrabices, outros porque foram procurar aldrabices diferentes, com melhores milagres e dízimos mais baratos, e os cofres do Vaticano acabam por se ressentir. Daí o projecto de Ratzinger: toda a gente católica, JÁ! Daí, também, que ele considere a evangelização um direito. Que seja um dever, aceito. Agora um direito…
De qualquer modo, não se pode ser mais hipócrita. Os direitos, para o sr. Ratzinger, são aquilo que ele entender. Para ele, evangelizar é um direito; mas o casamento, direito que está bem plasmado na Declaração Universal dos Direitos do Homem, é continuamente negado aos padres:

Artigo 16°

A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião. Durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais.

Como é, sr. Ratinger?