"AS PEREGRINAÇÕES A FÁTIMA"

17 11 2007

Da autoria de João Pedro Moura, e devidamente autorizado, transcrevo:

“Dentre as diversas modalidades de prática católica avultam as peregrinações promissórias e pedestres a Fátima.
O que é que essa populaça vai fazer a Fátima?!
Vai agradecer à “Virgem Santíssima” a “graça recebida”. Seja.
Mas por que é que os peregrinos vão a pé, das suas residências até ao santuário, em notório sacrifício físico e não só, procedendo alguns deles, em plena praça do santuário, ao rastejamento ou à marcha genuflectida até ao objectivo?!
Fazem isso como forma de agradecimento e “pagamento” duma promessa unilateral que fizeram à tal “Senhora”.
Suponho que tais práticas extremas são directamente proporcionais ao valor da “benesse recebida”, no entendimento de tal gente…

1- PRIMEIRA CONTRADIÇÃO – PRIMEIRO DISPARATE
Se essas pessoas fazem as suas rezas em casa, como é de crer, rogando por ajudas à “Nossa Senhora de Fátima”, é porque admitem que tal entidade divina as ouve, o que, de resto, está conforme o dom da ubiquidade (omnipresença), condição “sine qua non” duma entidade do jardim da celeste corte, necessariamente também omniscient
e e omnipotente.
Logo, a ida a Fátima, para agradecer, contradiz a premissa da omnipresença e da oração doméstica.
Portanto, ou tal entidade do aprisco estratosférico não é omnipresente, porque só está em Fátima, e então tal “Senhora” não ouviu a prece doméstica, ou é omnipresente, mas então carece de sentido a ida a Fátima em agradecimento, pois que bastaria fazê-lo em casa.
Desta contradição não se pode sair.

2- SEGUNDA CONTRADIÇÃO – SEGUNDO DISPARATE
Pondo de lado a impossibilidade de demonstrar que foi a entidade divina que resolveu o problema que motivou o apelo impetratório e a promessa de marcha peregrina, pois que os crédulos não conseguem evidenciar, jamais,
o nexo causal entre a prece e a eventual solução do problema, mesmo que afirmem, pertinazmente, que sim, que foi a virginal “Senhora” que os satisfez, pergunto:
- Qual a correlação exacta entre a pretensa graça recebida e o sacrifício ingente que a criatura impetrante infligiu a si própria?!
Não dizem os crédulos que a “Nossa Senhora de Fátima” é bondosa e misericordiosa?! Dizem!
Mais: não dizem os crentes que tal “Senhora” é infinitamente bondosa e infinitamente misericordiosa?! Dizem!

Então, fazer-se tamanho sacrifício, como ir a pé, rastejar, marchar de joelhos, equivale a admitir que a divinal “Senhora” desse povo, crédulo e néscio, se compraz com o sofrimento alheio! Aliás, não se compraz, simplesmente, compraz-se sadicamente com tais multidões doridas, assim a modos que pensasse: “ai queres a cura para os teus males?! Toma lá a minha graça curativa, mas tens que fazer um grande sacrifício para me agradeceres e pagares, pois que eu só me sacio com a dor alheia!”…
Eis uma senhora bondosa e misericordiosa?! Não!
Eis, então, uma senhora maléfica e sádica! Mas não pode ser!… Os crentes dizem que ela é bondosa…
Então, não faz sentido sujeitarem-se a penosos sacrifícios para agradecerem a uma “criatura” considerada, essencialmente, bondosa e misericordiosa!

Aliás, por definição, um deus é imutável: não tem alegrias nem tristezas; não mora aqui nem acolá; não precisa de preces nem de dar graças, pois que já sabe o que a pessoa quer, muito antes de ela pedir. É omnisciente, sabe tudo, e só se pede a quem não sabe e nunca a quem já sabe o que vai acontecer, muito antes de se lhe pedir…
Ir a Fátima, agradecer, contradiz a ubiquidade divina!
Ir a Fátima, em sacrifício, contradiz a bondade e misericórdia divinas!

3- Há anos eu fiz uma pequena colecção de notícias de acidentes de viação relativos às idas e vindas de Fátima. Eram tantos que eu depois desisti…
Acidentes de viaturas automóveis, umas contra as outras e despistes, mas também atropelamentos.
O que significa que os peregrinos, esses cretinos, morrem como os outros… ou ainda mais…
É patético ver esses sandeus a fazerem e executarem “promessas”, agradecendo pretensas “benesses divinas”, como curas e outras venturas, que são puras perdas de tempo.

A religião é a coisa mais estúpida do mundo… e arredores!…
Valha-lhes S. Roque, que é o padroeiro dos cachorros sem coleira…”





O LSS E O CANCRO (II)

17 11 2007

Eis o resultado das minhas investigações:


LSS – Lauril Sulfato de Sódio causa cancro.

Essa é mais uma das centenas de bobagens que circulam e deixa muita gente preocupada. Há ou não razão para essa preocupação com o xampu? Vejamos.

Há três pontos a destacar antes mesmo de verificar a procedência ou não do temor.

Primeiro: a mensagem afirma:

Pesquisas têm mostrado que nos anos 80 a probabilidade de contrair câncer era de 1 em 8000 e agora nos anos 90 é 1 em 3, o que é bastante grave.

 

O autor não informa quem realizou a pesquisa nem qual a fonte desses números. Seria possível, em apenas dez anos, ocorrer um salto tão grande na probabilidade de se contrair câncer: de 1:8.000 para 1:3? Ou seja, há dez anos, uma em cada oito mil pessoas contraíam câncer e hoje uma em cada três pessoas contraem câncer. Enquanto as pesquisas médicas e os métodos de detecção da doença avançam, os números se tornariam mais assustadores. Verdade? Nem de longe.

Segundo: a mensagem afirma:

Talvez possamos parar de “espalhar” por aí o vírus do câncer.

 

Qualquer pessoa razoavelmente informada sabe que não é um vírus que causa o câncer. Já que se falou em vírus, uma pergunta: o tal “vírus do câncer” é disseminado pelo componente Lauril Sulfato de Sódio, permanentemente contaminado desde o processo de fabricação? Que gente descuidada, esses fabricantes.

Terceiro: o apelo final é uma das características das lendas:

Passe esta informação para o maior número possível de pessoas.

 

A versão brasileira da mensagem tem uma “nota do tradutor”, uma verdadeira pérola. O “tradutor” teria telefonado para um dos fabricantes e questionado o uso do Lauril Sulfato de Sódio, um produto supostamente cancerígeno, na fórmula do xampu. O fabricante, candidamente, teria respondido que “… não poderiam fazer nada, pois precisam dela para produzir espuma…” e continuariam a usar o tal Lauril. Dá pra acreditar numa coisa dessas? A propósito: o texto de autoria do “tradutor” é igual ao texto que circula nos EUA e na França.

O amontoado de sandices da mensagem se encerra com o nome de um “doutor” e com uma sigla: IPAE. Esse doutor existe? Onde ele trabalha? As iniciais IPAE seriam de que instituição? Pesquisando em alguns sistemas de busca achei essa sigla associada a uma Igreja Adventista, ao Instituto Português das Artes do Espectáculo e também ao IP Address Encapsulation (IPAE). Nenhum deles é uma entidade ligada à saúde ou à pesquisa ;(

No site do Centro de Informação Toxicológica do Rio Grande do Sul, encontra-se o texto Lauril Sulfato de Sódio – LSS. Ele informa que

O produto [Lauril Sulfato de Sódio - LSS] é um surfactante aniônico, biodegradável, possui ação detergente e emulsificante. Tem ampla utilização na Indústria farmacêutica e cosmética, produtos de higiene pessoal (xampu, pasta dental, cremes, etc.), detergentes de uso domésticos, limpeza industrial e inúmeras sínteses químicas.

Não há nenhuma referência de CARCINOGÊNESE ou risco à saúde em vasta bibliografia consultada especializada em toxicologia clínica ou sobre substâncias Carcinogênicas, inclusive Organização Mundial da Saúde e IARC – Agência Internacional de Pesquisa do Câncer.

Só para terminar:

1. o lauril sulfato de sódio é usado na fabricação de xampus e muitas pessoas usam xampus para lavar os cabelos;
2. alguns habitantes do planeta Terra contraem câncer;
3. é provável que algumas das pessoas que contraem essa doença usem xampus “contaminados” com o LSS para lavar os cabelos.

Dá pra concluir a existência de uma relação de causa e efeito entre o LSS e o câncer? É claro que não.

Se você ainda não está convencido de que tudo não passa de conversa fiada veja o parecer da ANVISA intitulado PARECER SOBRE O POTENCIAL CARCINOGÊNICO DO LAURIL SULFATO DE SÓDIO. Ele apresenta a seguinte conclusão:

1 – Os dados propagados pela Internet não apresentam as publicações científicas que sustentam as afirmações feitas;

2 – Lauril sulfato de sódio, lauril éter sulfato de sódio, lauril sulfato de amônio e lauril éter sulfato de amônio, não constam da lista de produtos carcinogênicos do National Toxicology Program (Maio/2000) e nem do IARC – International Agency for Research on Câncer (Março/1999), este último, laboratório criado pela Organização Mundial da Saúde, sediado na França;

3 – Em documento do CIR (Cosmetic Ingredient Reviews), publicado no JACT 2(7) (1983), o lauril sulfato de sódio e o de amônio foram seguros para uso em produtos de enxágüe imediato (rinse-off). Entretanto, para produto que permanecem em contato prolongado com a pele, isto é, não enxaguados imediatamente após aplicação (leave-on), recomendou-se que a concentração não exceda 1% (um por cento), em função da característica irritante dos tensoativos;

4 – No JACT 2(5) (1983), o CIR conclui que o lauril éter sulfato de sódio e o lauril éter sulfato de amônio são seguros em concentrações até 50%;

5 – Com base nos dados apresentados acima, até o presente momento, não constam informações técnicas e científicas relativas ao potencial carcinogênico dos tensoativos lauril sulfato de sódio e lauril éter sulfato de sódio.

O resto é espuma…

Texto da mensagem:

CUIDADO COM O SHAMPOO QUE VOCÊ UTILIZA!

Alerta de Saúde

Substância Lauril Sulfato de Sódio

Verifique se entre os ingredientes do seu shampoo há uma substância chamada”Lauril Sulfato de Sódio” ou LSS. Esta substância é encontrada na maioria dos shampoos, pois os fabricantes a utilizam por ela produzir muita espuma a baixo custo. Mas, na verdade, o LSS é usado para lavar chão de oficinas (ele é um desengraxante).

Está comprovado que ele pode causar câncer a longo prazo, o que não é nenhuma piada. Em casa, chequei o meu shampoo (Vital Sason) e ele não tem LSS, mas outras marcas como: Vo5, Palmolive, Paul Mitchell, o novo Hemo shampoo contém esta substância.

Nota do tradutor: Aqui no Brasil, chequei os que tenho: Organics, Revlon Flex, Dimension e todos contém LSS. Então liguei para uma destes fabricantes e falei que eles estavam usando uma substância cancerígena, eles concordaram com minha afirmação mas disseram que não poderiam fazer nada, pois precisam dela para produzir espuma.

A pasta dental da Colgate (Bubbles) também contém LSS. Eles prometeram-me enviar mais informações.

Pesquisas têm mostrado que nos anos 80 a probabilidade de contrair câncer era de 1 em 8000 e agora nos anos 90 é 1 em 3, o que é bastante grave.

Espero que você leve esta advertência com seriedade e compartilhe com as pessoas que você conhece.

Talvez possamos parar de “espalhar” por aí o vírus do câncer.

Passe esta informação para o maior número possível de pessoas. Esta não é uma corrente, mas uma preocupação com a nossa saúde.

Dr. E…. R…. M…

IPAE

Então, qual o porquê destas mensagens?

A Internet está a chegar a cada vez mais pessoas – principalmente desde que o sr. Sócrates decidiu fazer pela vida e desatou a vender portáteis a 150 euros. Depois, há pessoas que não estão devidamente informadas – era o meu caso, acerca disto – e que, num impulso solidário, desatam a reenviar a mensagem para tudo quanto é gente. A falta de conhecimento das malandrices informáticas levam a que muita gente proceda ao reenvio sem tomar uma precaução elementar: apagar os endereços que aparecem “pendurados” na mensagem, provenientes reenvios. Ainda não há muitos dias, recebi uma mensagem que “transportava” para cima de VINTE endereços. Uma delícia, para os fornecedores de endereços às firmas . Graças a uma palavra ou frase-chave (por exemplo, a frase que é comum a todas as mensagens, passe esta informação para o maior número possível de pessoas), é possível recolher TODAS as mensagens mais os respectivos endereços que, depois, são vendidos a peso de ouro a firmas que, mais tarde, nos convidam a comprar “viagra” ou um remédio para alargar o pénis…
Como evitar? Primeiro, apague TODOS os endereços da mensagem que recebeu e que pretende reenviar; depois, coloque todos os endereços dos destinatários do reenvio no campo BCC ou CCO.

 





O LSS E O CANCRO (I)

17 11 2007

A internet é (devia ser!) um meio de comunicação por excelência. Ela aboliu, completamente, as fronteiras ainda existentes, e os antípodas estão à distância de um toque no botão do “rato” (vulgo clique). Dela nos podemos servir para protestar, elogiar, comprar, vender, fazer amigos virtuais… enfim, um nunca mais acabar de coisas, impensáveis há alguns anos. Mas também pode servir para dar largas à estupidez, à ignorância, à maldade, à má-língua e, de um modo geral, a tudo o que o ser humano tem de mais primitivo e reles.
Vem todo este
arrazoado a propósito de (mais) uma mensagem electrónica que, ultimamente, tem circulado no ciberespaço, e que recebi há dias. Passo a transcrevê-la:

Assunto: Alerta da Faculdade de Ciências – AVISO Data: Wed, 31 Oct 2007 12:53:11 -0000

PARA A NOSSA BOA SAÚDE!
Devem procurar o nome do composto em inglês: Sodium Laureth Sulfate.

Aos produtos abaixo identificados juntam-se o gel de banho da Sanex, os sabonetes líquidos do Carrefour e Feira Nova (produtos brancos) e o shampoo da Dove.

Verifiquem se entre os ingredientes do champoo que usam há uma substância chamada ” Lauril Sulfato de Sódio ou LSS.

Esta substância faz parte da composição da maioria dos champôs pois os fabricantes utilizam-na por ela produzir muita espuma a baixo custo. No entanto o LSS é usado para lavar chão de oficinas (é um desengordurante).

Verifiquei que o champô Vidal Sassoon não tem LSS, mas outras marcas como: VO 5, Palmolive, Paul Michell, Organics, Revlon Flex, Dimension o novo HernoKlorane champô, e muitas, muitas outras, contêm esta substância.

Ligou-se para um destes fabricantes,e foi-lhes dito que eles estavam a usar uma substância cancerígena. Eles concordaram com a afirmação, mas disseram que não podiam fazer nada pois precisavam dela para produzir espuma.

A pasta dentífrica Colgate (bubbles) também contém LSS.

Várias pesquisas têm mostrado que nos anos 80 a probabilidade de contrair cancro era de 1 em 8000 e nos anos 90 era de 1 em 3, o que é bastante grave.

Espero que tomem esta advertência com seriedade e a partilhem com as pessoas que conhecem, talvez possamos parar de “espalhar” por aí o”vírus” do cancro, evitando comprar champôs que contenham o LSS-Lauril Sulfato de Sódio, até que os seus fabricantes tomem a providência de substituir este componente por outro que não prejudique a saúde dos seus consumidores.

Por favor passem esta informação para o maior número possível de pessoas que isto não se trata de uma corrente, mas de uma preocupação com a nossa saúde.”

Faculdade de Ciências e Tecnologia

Universidade Nova de Lisboa

Dr.ª Catarina Roriz.”

Confesso que, a princípio, preocupava-me em repassar este tipo de mensagens; no
fim de contas, a Internet também pode, e deve, servir para lançar alertas e dar largas à nossa proverbial solidariedade. Só que comecei a notar muitas semelhanças nas diferentes mensagens. Principalmente, uma frase comum a todas: “Por favor passem esta mensagem para o maior número de pessoas“. Decidi parar para pensar. E, antes de a reenviar, decidi informar-me. Assim, enviei um email à DECO que, por qualquer razão (incluindo o endereço inapropriado) não respondeu. Por isso, resolvi arregaçar as mangas e investigar por conta própria. O que até nem foi difícil, nem precisei de sair de casa. Procurei na net.
E encontrei, claro.

(continua)





A BÍBLIA "VERSUS" O CRIACIONISMO?

16 11 2007

Por razões profissionais sou, periodicamente, “obrigado” a contactar com uma “Testemunha de Jeová”. Naturalmente, esses contactos acabam por desviar para a inevitável conversa acerca da Bíblia e quejandos. Já tentei, algo delicadamente, dar a entender que esse tipo de conversa não me interessava, mas a verdade é que a criatura não entendeu – ou não quis entender – a mensagem. Pelo que só me restou um caminho: “armar-me” e confrontá-lo. Como resultado, as conversas acabam sempre com a frase lapidar “a Deus nada é impossível” porque, devidamente encurralado, o homem não tem mais por onde fugir. Claro que para me “armar”, tive de recomeçar a ler, com mais atenção, a Bíblia. E é aqui que eu quero chegar.

Antes de mais, e para evitar pensamentos duvidosos: sou evolucionista convicto.

De acordo com as “Testemunhas de Jeová”, “um dia para Deus são mil anos para o Homem”; feitas as devidas contas, “um ano para Deus são trezentos e sessenta mil anos para o Homem”. Ou seja, os seis dias da “criação” demoraram, nas contas humanas, dois milhões cento e noventa mil anos. Não sei o que diz a Teoria da Evolução acerca do assunto, mas o número parece-me razoável.

De acordo com o que tenho lido por aí, primeiro apareceram as plantas, depois os animais e, finalmente, o “Homem-macho”; mais tarde, cerca de cinco mil anos depois apareceu o “Homem-fêmea” ( “Homem” no sentido de ser humano, note-se). Não há muito tempo, li uma interessante – tão interessante como discutível, aliás como todas as teorias – teoria, segundo a qual a “perninha” que falta ao cromossoma Y do homem para completar o cromossoma X da mulher é, nada mais nada menos, que a “costela de Adão”.

Evoluindo, o ser humano foi-se “despindo” de pêlos e passou a cobrir-se com peles. E este pormenor, “peles” não deve ser desprezável, já que ele é referido em Gén. 3:21. O que põe Deus a fazer o papel de magarefe e curtidor de peles.

Se seguirmos a Bíblia, verificamos que tudo o que acabo de descrever se encontra ali relatado, e que, no fim de contas, a mesma acaba por defender a Teoria da Evolução; só que, enquanto esta defende o “acaso” como responsável pelo aparecimento das coisas, a Bíblia remete para um improvável “deus” essa mesma responsabilidade.

O que me leva a perguntar: será que Darwin foi mesmo o “pai” da Teoria da Evolução? Não será o “Génesis” uma forma algo rudimentar e ingénua da Teoria evolucionista?

Respostas, esperam-se.





"MULHER OBRIGA FAMÍLIA A JEJUAR, E MORRE"

15 11 2007

Não dá para fazer qualquer comentário… Mas dá para perguntar: se estas insanidades acontecem, e as coisas são como são, como seria se Deus realmente existisse?

Cristã fervorosa, a missionária Cláudia Simião da Silva, 35, levou sua fé ao extremo ao jejuar por cerca de um mês –esperando um “enviado divino”– e obrigar duas sobrinhas, a irmã e a sogra a acompanharem o retiro. Ela foi encontrada morta, segundo a polícia, por inanição dentro da própria casa, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense (RJ).

As cinco pessoas ficaram confinadas por quase dois meses em casa. As irmãs Adrielle, 9, e Grazielle Souza Santos Simião, 11, foram internadas na sexta-feira apresentando quadro de desnutrição e de confusão mental e devem ficar hospitalizadas por quase um mês. Na mesma situação estão Cátia Simião da Silva (irmã), 31, e Lúcia Maria Simião da Silva (sogra).

Cláudia teria obrigado a família a permanecer dentro de casa. Em depoimento à polícia, o pai das duas garotas, o desenhista técnico Uendes Simião da Silva, 33, afirmou que Grazielle lhe contou que “Cláudia havia dito que o jejum duraria até que recebessem uma resposta de Deus no sentido de enviar uma pessoa que os tirassem daquela vida e os levassem para uma casa na zona sul [área nobre do Rio de Janeiro]“.

Não se sabe a qual denominação religiosa Cláudia pertencia. Ela freqüentava a Igreja Batista de um bairro próximo, mas havia abandonado os cultos cerca de dez anos atrás. Depois disso, viajou para Argentina, Uruguai e Angola. Segundo Uendes, ela era formada em teologia e cursava direito.

A clausura começou em meados de setembro. Confinados, os moradores da casa inicialmente só podiam comer o que havia dentro da residência. No início de outubro, a luz foi cortada, pois a família completara três meses sem pagar a Light –distribuidora de energia elétrica. A comida, estragada, não pôde mais ser consumida. Foi quando o jejum começou.

Cursos bíblicos

Durante todo o tempo, as crianças tiveram “cursos bíblicos”, segundo a conselheira tutelar Elaine Galvão, que ouviu Grazielle no Hospital Estadual Carlos Chagas.

Além dos portões trancados e da ausência total de eletricidade, Cláudia tampou as janelas com cortinas pretas. Segundo Galvão, ninguém foi agredido durante o confinamento.

Na sexta-feira, por volta das 17h, as duas crianças conseguiram sair de casa. Cláudia já estava morta há cerca de cinco dias, e seu corpo havia entrado em estado de decomposição.

Cátia e Lúcia desmaiavam e vomitavam sobre os próprios corpos regularmente. A avó, então, mandou as meninas procurarem ajuda.

“Elas pareciam aquelas crianças da Etiópia. Era só pele e osso”, afirmou José Carlos Lima, 36, vizinho da família. As duas procuraram ajuda no bar de Milton André, 64. Ele lhes ofereceu macarrão, leite, bala e refrigerante, mas elas não conseguiam comer.

in “Folha de S. Pulo”





"O NEGÓCIO DA FÉ"

12 11 2007

Não sei se os leitores deste blogue são, também. leitores do “Jornal de Notícias”. Se não são, este artigo é novidade; se são… ler outra vez não faz mal. É sempre bom ver alguém que rema contra ventos e marés, que tem uma verdade para dizer.



Cá se, fazem…, Paulo Baldaia, Chefe de Redacção

O líder da Igreja Católica – cardeal Ratzinger, rebaptizado Papa Bento XVI – recebeu na sede do Império (Vaticano) os bispos portugueses e parece que lhes passou um raspanete. “Novo estilo”, “Nova mentalidade”, escreveram na primeira página vários jornais, dando conta das mudanças requeridas pelo chefe da multinacional católica para a sua filial portuguesa.

Livres de dogmas, olhando com respeito para a instituição Igreja, nada nos impede de perceber que o problema do Vaticano é que em Portugal – como de uma forma geral no mundo inteiro – há cada vez menos padres, menos seminaristas, menos baptizados e menos pessoas na missa. Ou seja, menos negócio.

Visto pelos olhos de um católico praticante, admito que este comentário soe a blasfémia, mas quem não tem uma fé cega no juízo dos homens que falam em nome de um Deus só pode concluir que o problema são os números.

A Bíblia está cheia de histórias em que o Criador abençoa homens com pouca fé mas muita prática do bem. E a história da Igreja de São Pedro tem muitos episódios de sinal contrário. O que preocupa o Vaticano é o declínio do negócio.

Ratzinger, a quem todos apontam um certo conservadorismo, parece acreditar que a solução passa por um regresso ao passado. Olhará para outras igrejas, e seitas, pensando que o seu relativo sucesso se deve a fundamentalismos.

Acontece que, em matéria de negócios, qualquer ’spin doctor’ lhe poderá dizer que o que ele precisa é de adaptar-se ao presente e antecipar o futuro.

Para ’salvar’ os filhos de Deus – sejam eles católicos, protestantes, judeus ou muçulmanos – não é preciso obrigá-los a ser religiosos. Basta que a religião os ajude a ser racionalmente mais solidários.





ISLANTILLA

11 11 2007


Situada no litoral ocidental da província de Huelva e na zona sudoeste da região andaluza, está posicionada num lugar privilegiado. Não se pode considerar uma povoação, é antes uma zona balnear repleta de empreendimentos turísticos. As semelhanças com o Algarve não vão além do facto de se situar no sul da Península Ibérica, mas são notáveis as diferenças, a saber:

  1. Não há mamarrachos em betão. As construções são feitas de modo a não “insultar” a paisagem.
  2. Os portugueses são tratados como pessoas (no Algarve, são tratados como portugueses, o que se torna desagradável, por vezes).
  3. Os preços são incrivelmente mais baratos do que em Portugal – o que é compreensível; os espanhóis ganham mais do que nós, à excepção do primeiro-ministro, que ganha menos que o nosso.
  4. As praias e ruas estão impecavelmente limpas, e todas as estruturas são alvo de manutenção durante a chamada “época baixa”.

Por tudo isto – e mais, que seria fastidioso enumerar – Islantilla (Islantilha) merece que se percorram mais uns (poucos) quilómetros.
Podem ver algumas fotografias, AQUI.





"SABE MAIS QUE UM MIÚDO DE DEZ ANOS?" (II)

11 11 2007

Naturalmente que pedir desculpas, humildemente (a minha humildade é famosa!), só me fica bem. Sinto-me muito orgulhoso da minha humildade.

Senhor Provedor:

Obviamente, vou ter de me retractar. Uma má interpretação da pergunta, levou-me a considerar que de 1 a 20 havia 12 números compostos pelo algarismo 1
Rectifico, e peço desculpa: são ONZE. Afinal, os génios também se enganam, como ficou provado.
Mantenho, no entanto, o que disse relativamente ao LOGÓTIPO.

Cumprimentos.
José Moreira





"SABE MAIS QUE UM MIÚDO DE DEZ ANOS?"

10 11 2007

Carta enviada ao Provedor da RTP, acerca deste interessante concurso.

Sr. Provedor:

Vejo, invariavelmente, o concurso “Sabe mais que um miúdo de dez anos?” Acho-o utilíssimo, no seu aspecto didáctico, e transporta-me aos meus tempos de infância e juventude – para além de me permitir aprender bastante (eu também não sei mais que um miúdo de dez anos). Entendo, até, que o programa devia ser “puxado” para logo a seguir ao Telejornal, para permitir que um número mais alargado de jovens o visse. E ele deve ser visto!

Mas…

Precisamente pelo seu aspecto didáctico, e porque parece que há muitos jovens em idade escolar que o vêem, há que ter cuidado nas respostas a certas perguntas. Vamos a isso.

Dia 9 de Novembro, sexta-feira. A pergunta relacionava-se com símbolos que identificam marcas, produtos, entidades, etc. A resposta seria – deveria ser – LOGÓTIPO, de acordo com os dicionários que consultei (incluindo o “Ciberdúvidas”); no entanto, o concorrente não sabia, o aluno escreveu “logotipo”, o Jorge Gabriel leu – por várias vezes – “logotípo” (o acento é meu) e o concorrente aproveitou a ajuda. Mal. LOGÓTIPO é uma palavra proparoxítona (esdrúxula) e não paroxítona (grave).

Mesmo programa: a pergunta era: “de 1 a 20, quantos números são compostos pelo algarismo 1?” O concorrente fez rapidamente as contas: 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19. Contando pelos dedos, lestamente concluiu que eram 10. Errado. O jovem aluno “rectificou” 11, porque o 1 também conta. É um algarismo, e um número, simultaneamente. Resposta aceite pelo apresentador. ERRADO, acrescento eu. Porque o número 11 é composto por DOIS algarismos 1. Logo, a resposta seria 12, e não 11.

Cuidado, Sr. Provedor, é o que lhe peço para recomendar à produção do programa. Porque os jovens apreendem rápida e facilmente, principalmente se a fonte tiver o impacto que a televisão tem.

LOGÓTIPO, e não “logotipo”.

De 1 a 20 há 12 números compostos pelo algarismo 1, e não 11.

Atentamente,

José Moreira





9 11 2007